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Roberto Midlej
Publicado em 2 de março de 2016 às 14:20
- Atualizado há 3 anos
Com onze integrantes vindos de diversas regiões do país - incluindo Ceará, Bahia, interior e capital de São Paulo -, a banda Aláfia tem, nas palavras de um de seus membros, Eduardo Brechó, 32 anos, uma “unidade que resulta numa diversidade”.Brechó, compositor mais frequente da banda, é também, juntamente com Alê Siqueira, coprodutor de Corpura (YB Music/Natura Musical), segundo álbum do grupo formado em São Paulo há cinco anos. O disco está disponível no formato físico e também para download gratuito no site da banda.Formada em 2011, a banda Aláfia estreou no álbum que levava o nome da banda. Agora, retorna em um disco produzido pelo vocalista Eduardo Brechó (de gorro) e Alê Siqueira (Foto: Ste Frateschi/ Divulgação)Segundo Brechó, o álbum reforça a ligação da Aláfia com as sonoridades africanas e o funk dos Estados Unidos. “O Brasil, sem dúvida, baseia-se na cultura de matriz africana, a nossa principal raiz”, diz Brechó. A identidade com a África é assumida logo no nome, já que a palavra “aláfia” vem do iorubá e quer dizer “caminhos abertos”.Nascido em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Brechó frequentava, ainda na adolescência, terreiros de candomblé. “Na comunidade onde fui criado, as crianças frequentam terreiros. E lá comecei a ter os primeiros contatos com a música negra”, lembra-se o músico.Black MusicAlém da música de terreiro, a Aláfia assume também influências da black music carioca, principalmente dos anos 70. Carlos Dafé, Tony Tornado, Banda Black Rio... Tudo isso, de alguma maneira, está presente em Corpura.“Na década de 70, os DJs do Rio recebiam muitos discos da música negra americana, mais até que os DJs de São Paulo. Então, no Rio de Janeiro, se ouvia mais soul music que em São Paulo”, diz Brechó.Em Corpura é possível identificar também a presença da música da Bahia. São heranças dos tempos que Brechó passou em Salvador, no começo dos anos 90, quando fazia parte de um grupo de capoeira e esteve na capital baiana para conhecer alguns mestres.“Eu ouvia muito samba-reggae e lembro bem do comecinho do Ara Ketu”, recorda-se Brechó. O vocalista da Aláfia acrescenta que, antes de dar uma guinada para o pop, o Ara Ketu gravava músicas com contundência política. “E ainda tinha o Olodum, com Revolta Olodum e Avisa Lá, que foi gravada por Gil e Caetano”, acrescenta o músico. As referências baianas lembradas por Brechó continuam: “Antonio Carlos e Jocafi tinham influência do soul e do candomblé”, diz. Dos baianos contemporâneos, cita ainda a BaianaSystem. Para completar a aproximação, o Aláfia conta com a voz da baiana Xênia França.ProduçãoComo no primeiro álbum do Aláfia, Brechó assina a produção, dessa vez dividida com Alê Siqueira, que já morou em Salvador e produziu álbuns de artistas como Carlinhos Brown, Marisa Monte e Mariene de Castro.Brechó conheceu Siqueira na Bahia, quando o produtor trabalhava na gravação de dois álbuns: “Ele estava produzindo discos de dois amigos meus que estavam gravando canções minhas. Percebemos que Alê tem um grande repertório de ritmos e faz um trabalho muito profundo no estúdio”.Encerradas as gravações de Corpura, Brechó e os colegas se preparam para levar o show ao interior de São Paulo, em nove cidades. Mas não há previsão, pelo menos por enquanto, de vir à Bahia: “Nós já fomos a várias cidades do Nordeste. Já estivemos no Ceará, em Natal, em Pernambuco... Mas aí na Bahia ninguém chama a gente”, reclama Brechó, em tom de brincadeira.Enquanto não aparece por aqui, o músico busca uma forma de se aproximar ainda mais: vai acompanhar as gravações do novo álbum de Mateus Aleluia, ex-músico do Tincoãs, produzido por Alê Siqueira. “A princípio, vou lá como convidado. Mas vamos ver o que rola, né?”.>