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Roberto Midlej
Publicado em 26 de outubro de 2016 às 09:32
- Atualizado há 3 anos
Neste fim de semana, tem festa no Wet’n Wild. Mas, dessa vez, o Wet, como os frequentadores habituais costumam se referir ao espaço, não vai se agitar ao som do pagode do Harmonia do Samba, que costuma fazer sua tradicional Melhor Segunda Feira do Mundo ali. Nem vai ter a República do Reggae, que leva os fãs do ritmo jamaicano ao local.Letieres Leite Quinteto é uma das seis atrações locais no festival do fim de semana(Foto: Fernando Eduardo/ Divulgação)Agora, é o Festival Salvador Instrumental que vai animar o público, com oito atrações. No sábado, tem Letieres Leite Quinteto, Sexteto 1 de Cada, Júnior Maceió e Carlos Malta. No domingo é a vez do percussionista Gabi Guedes com o grupo Pradarrum, Tito Oliveira, Skanibais e Trio Corrente. >
Os shows começam às 15h, com entrada e estacionamento gratuitos. A surpresa é que a realização do evento é da Salvador Produções, que costuma organizar festas com perfis bem diferentes dessa, como o Salvador Fest e o Samba Salvador. A gratuidade da entrada foi viabilizada pela captação de recursos pela Lei Rouanet.Bahia“Além da entrada gratuita, entendemos que era essencial fomentar a música instrumental local. Por isso, escalamos três atrações baianas em cada um dos dias, ao lado de uma quarta que vem de outro estado”, afirma Alexandre Lins, curador do festival.>
Na seleção dos músicos baianos, buscou-se uma certa diversidade, diz Lins: “Não busquei uma curadoria temática, não queria restringir a um ou outro estilo. Então, quem for ao festival vai ver os mais diversos estilos. Da Bahia, tem, por exemplo, Gabi Guedes, fortemente apoiado na tradição afro-brasileira. Já o Skanibais tem essa influência afro-brasileira, mas não tem uma ligação direta como Gabi, que é alabê de um terreiro”.O percussionista Gabi Guedes leva ao palco a ligação entre Bahia e África(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)Letieres Leite, que estará no festival com o seu quinteto, reforça o legado da cultura negra não apenas na música baiana, mas no som produzido em todo o país: “A música brasileira é resultado da diáspora negra. O samba, a bossa, o maracatu, o jongo... Tudo isso foi formatado a partir das contribuições dos africanos e seus descendentes após a diáspora negra”, observa. Jazz Já o Skanibais tem uma ligação próxima com o reggae e o ska. O trompetista João Teoria, um de seus integrantes, tocou com Edson Gomes, um das referências do ritmo jamaicano na Bahia. “Os metais estão muito presentes na Skanibais. A Bahia tem muito músico de sopro por causa das orquestras filarmônicas do interior do estado. E esse músicos acabam vindo para Salvador, para ingressar no mercado de trabalho”, diz Lins.Mas quem quiser um estilo menos ligado às tradições afro-baianas também vai ser muito bem recebido no Wet. O baiano Júnior Maceió dá ao festival um tom mais dançante. “Quem não quiser dançar, com certeza, vai, pelo menos, bater o pezinho”, brinca o curador. Júnior é mais ligado ao som dos Estados Unidos e vai levar ao festival um balanço do jazz funk e do smooth jazz.Júnior Maceió traz a influência do jazz americano e dá um tom dançante à festa(Foto: Divulgação)A bossa nova também terá vez no fim de semana, com o Sexteto 1 de Cada. “Esse é um som bem brasileiro, mas com uma ligação não tão forte com a música afro-baiana. Um dos integrantes, Fernando Miranda, é carioca e tem um quê de bossa, com influência do Rio. Acho que Marcos Valle é uma forte referência para o som deles”, sintetiza Lins.De fora da Bahia vêm duas atrações: Carlos Malta e Trio Corrente. O primeiro, carioca, já foi indicado ao Grammy Latino pelo álbum Carlos Malta e Pife Muderno. “Ele tem discos temáticos interessantes e é um músico de sopro, o que encanta o Nordeste”, diz Lins.No Wet’n Wild, Malta e seu quarteto vão apresentar o show Saravá com Pimenta, que mistura músicas consagradas na voz de Elis Regina (1945-1982) com os clássicos afrossambas, de Baden Powell (1937-2000) e Vinicius de Moraes (1913-1980).Carlos Malta vai tocar canções consagradas na voz de Elis Regina e os afrossambas(Foto: Sarava Baden/ Divulgação)De São Paulo vem o Trio Corrente, que se apresenta no domingo. “Eles são fantásticos e nunca vieram à Bahia como grupo. Os músicos já haviam estado aqui somente para acompanhar outros artistas, como João Bosco ou Rosa Passos. Gravaram um álbum com Paquito D’Rivera e ganharam o Grammy Award de Latin Jazz”, diz Lins.O curador reconhece que a música instrumental ainda busca firmar-se na Bahia e faz projeções modestas para o público do festival, mas revela otimismo: “Acho que vamos receber umas três mil pessoas por dia. É um espaço bacana, adequado para receber famílias, com atrações como os food trucks”. >