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Millena Marques
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 14:15
O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) denunciou três policiais militares pela execução do jovem Alex Vila Nova Santos, ocorrida em setembro de 2022, no município de Mucuri, no sul da Bahia. >
Apresentada à Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Mucuri contra os policiais Arthur Garcia dos Santos, Wilton Gomes de Souza e Winder dos Santos, a denúncia aponta a prática de homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Segundo o MP-BA, o jovem já estava rendido e algemado quando teria sido morto.>
O Ministério Público solicitou que os três policiais sejam processados e julgados pelo Tribunal do Júri pela execução da vítima e requereu a prisão preventiva dos denunciados. Também pediu a condenação dos acusados, a perda dos cargos públicos e a reparação dos danos causados aos familiares de Alex.>
Em relação aos crimes conexos de ocultação de cadáver, peculato e fraude processual, o MP-BA ofereceu denúncia à Justiça Militar.>
De acordo com a investigação, em 8 de setembro de 2022, os policiais abordaram Alex Vila Nova Santos no bairro Aroeira, em Mucuri, enquanto ele trafegava de bicicleta. Conforme os autos, a vítima foi algemada, colocada na viatura policial e nunca mais foi vista.>
Desde então, Alex não manteve contato com familiares e seu corpo jamais foi localizado. “Para o MP-BA, os elementos produzidos ao longo de quase quatro anos de investigação demonstram que Alex Vila Nova Santos foi privado de liberdade pelos policiais, permaneceu sob custódia exclusiva da equipe e foi executado, tendo o corpo sido ocultado para assegurar a impunidade dos crimes”, afirma trecho da nota divulgada pelo órgão.>
Simulação de fuga>
Segundo as apurações da Polícia Civil, os policiais militares teriam construído uma versão falsa para encobrir o desaparecimento da vítima. No dia seguinte aos fatos, registraram um boletim de ocorrência alegando que Alex havia fugido após a abordagem.>
Em seguida, conforme a acusação, os denunciados utilizaram um telefone apreendido em diligência anterior para enviar mensagens à ex-companheira do jovem, simulando que ele teria deixado a cidade por vontade própria. As investigações telemáticas identificaram indícios de vínculo entre os aparelhos utilizados e um dos denunciados.>
Ainda de acordo com o Ministério Público, laudos periciais, análises de dados telefônicos e telemáticos, além da reprodução simulada dos fatos, revelaram inconsistências e contradições nas versões apresentadas pelos policiais. Os elementos reunidos indicam que a vítima permaneceu sob custódia da guarnição após a abordagem inicial.>
Os relatórios investigativos também apontam a inexistência de registros que comprovem a suposta fuga relatada pelos agentes.>