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Millena Marques
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 06:32
Mais da metade das pontes vistoriadas pela auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) apresentou problemas estruturais considerados preocupantes. O levantamento identificou que 52,27% das 44 estruturas inspecionadas estavam classificadas em condição "Ruim" ou "Severa". O percentual, porém, não representa a totalidade das pontes existentes na malha rodoviária baiana, já que a fiscalização foi realizada a partir de uma amostra selecionada com base em critérios de risco. >
Os trabalhos do relatório foram conduzidos pela Gerência 1C, com foco no diagnóstico técnico das estruturas e na análise dos mecanismos de gestão e manutenção adotados pela Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia (Seinfra/SIT), órgão responsável pela política estadual de logística de transportes. Foram realizadas vistorias in loco em 44 pontes da malha rodoviária estadual. Segundo o TCE-BA, o processo utilizou procedimentos de inspeção estritamente visual com o auxílio de veículos aéreos não tripulados (VANTs), conhecidos como drones.>
Das 44 pontes inspecionadas em rodovias estaduais, apenas 19 foram enquadradas na categoria "Bom", o equivalente a 43,18% do total. Nesse grupo, os auditores não identificaram danos ou encontraram apenas problemas considerados irrisórios, sem impacto para a estrutura.>
Por outro lado, mais da metade das pontes avaliadas apresentou algum grau de comprometimento. De acordo com o levantamento, 18 estruturas (40,91%) foram classificadas como "Ruim", condição em que os danos já afetam o desempenho dos elementos da ponte, embora ainda não comprometam sua vida útil nem exijam avaliação estrutural imediata. Outras cinco pontes (11,36%) receberam a classificação "Severa", o nível mais crítico da escala utilizada pela auditoria.>
Entre as estruturas mais preocupantes estão as cinco pontes classificadas em estado severo de conservação. O grupo inclui as pontes sobre os rios Onha (Muniz Ferreira), Almada (Ilhéus), Cachoeira (Itabuna), Capivari (Itaberaba) e Acaraí (Camamu). Segundo o relatório, as inspeções encontraram problemas como ferragens expostas em pilares e tabuleiros, além de trechos considerados críticos, situação que exige avaliação estrutural aprofundada para verificar possíveis impactos na segurança e na funcionalidade das estruturas.>
"Porém, é importante não extrapolar: a auditoria não afirma que essas sejam as únicas regiões críticas de toda a Bahia, pois foram vistoriadas 44 pontes dentro de uma amostra selecionada por critério de risco", pontuou uma fonte do TCE, que preferiu não se identificar.>
Para Ricardo Kawabe, gerente do Observatório da Indústria da Bahia, da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o diagnóstico reflete um problema estrutural que atinge o país há décadas.>
"Estruturas deterioradas impõem limites de peso e velocidade, alongam o tempo de viagem e elevam o risco de acidentes e de interdições não programadas. Quando um trecho apresenta restrição, não há para onde desviar sem custo adicional relevante", afirma.>
Segundo Kawabe, a infraestrutura logística é tema recorrente nos diálogos da Fieb com o setor produtivo e nas pesquisas de competitividade conduzidas pelo Observatório da Indústria da Bahia, aparecendo com frequência entre os principais entraves apontados pelas empresas, ao lado da tributação e do custo da energia.>
"As queixas envolvem tanto a condição do pavimento e das obras de arte especiais quanto a imprevisibilidade. Restrições anunciadas com pouca antecedência desorganizam a programação de embarques e elevam o custo de operações já contratadas", afirma.>
Apesar de apontar que 52,27% das pontes vistoriadas apresentam condição ruim ou severa, o relatório não recomenda interdições nem indica restrições de tráfego para as estruturas avaliadas.>
As pontes enquadradas como severas demandam atenção especial do poder público. Segundo os critérios adotados pelo TCE, esse tipo de classificação indica a necessidade de avaliação estrutural detalhada para verificar possíveis impactos na resistência, na funcionalidade e na segurança da estrutura.>
"O TCE identificou um problema de gestão considerado central: a SIT/Seinfra não possui periodicidade nem procedimentos normatizados e eficazes para inspeção, monitoramento e manutenção das pontes", ressaltou a fonte do TCE.>
A auditoria identificou ainda apenas duas pontes (4,55%) em condição considerada "Razoável". Nesses casos, os danos encontrados não afetam o desempenho dos elementos estruturais ou já foram adotadas medidas para impedir o avanço das patologias.>
Somando os estados "Ruim" e "Severo", o relatório mostra que 52,27% das pontes vistoriadas apresentam problemas que afetam diretamente o desempenho da estrutura ou exigem avaliação técnica especializada. O resultado reforça o alerta emitido pelo TCE sobre a necessidade de ampliar as ações de monitoramento, manutenção preventiva e recuperação das obras de arte especiais que integram a malha rodoviária estadual.>
De acordo com Maurício Mayer, engenheiro civil e coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Civil do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA), a inspeção precisa fazer parte da rotina de gestão das pontes, por meio de manutenção preventiva.>
"Pela Norma DNIT 010/2024, utilizada como referência pelo próprio TCE, existem diferentes níveis de inspeção. A inspeção rotineira ocorre normalmente em intervalos de até dois anos, além das inspeções especiais e das inspeções extraordinárias ou intermediárias, quando a situação exige", disse.>
Os conselheiros do TCE determinaram que a Seinfra apresente, no prazo de 120 dias, um Plano de Ação para sanar as irregularidades apontadas. O período começou a ser contado a partir de 6 de agosto. >
A reportagem entrou em contato com a Seinfra, por e-mail, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.>