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Millena Marques
Rodrigo Daniel Silva
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 18:24
A Justiça Eleitoral concedeu medidas cautelares protetivas em favor da jornalista e candidata a deputada federal Josiane Desidério Mota (PSDB), conhecida como Josi da Rádio, após denúncias de ameaças e perseguições relacionadas à sua atuação política em Coração de Maria, no centro-norte da Bahia. >
A decisão foi assinada pelo juiz eleitoral Tiago Lima Selau, da 130ª Zona Eleitoral de Coração de Maria, após manifestação favorável do Ministério Público Eleitoral. O magistrado entendeu haver indícios suficientes de autoria e materialidade da denúncia, além de risco à integridade física e psicológica da candidata.>
Segundo a decisão, à qual o CORREIO teve acesso, Josi passou a sofrer ataques sistemáticos e coordenados após anunciar, em março deste ano, sua pré-candidatura ao cargo de deputada federal. Os ataques ocorreram em um grupo de mensagens do WhatsApp, em um contexto caracterizado como possível violência política de gênero.>
Os alvos das denúncias são Alexandre de Oliveira Figueredo Borges, conhecido como Alexandre Bronca, e Sérgio Luís Pereira Rocha. O primeiro é assessor especial do atual prefeito de Coração de Maria, Kley Carneiro Lima (Avante), enquanto o segundo é chefe de tributos da prefeitura. Conforme os autos, os dois teriam utilizado um grupo de WhatsApp para disseminar ofensas e ameaças contra a jornalista.>
Na fundamentação, o juiz cita mensagens que continham referências a armas de grosso calibre e frases como "a hora dela vai chegar também" e "em guerra só se entra para matar", consideradas como indícios de ameaça contra a pré-candidata. O documento também menciona relatos de intimidação presencial. Ainda segundo o processo, Sérgio Luís Pereira Rocha teria monitorado ostensivamente a vítima em Coração de Maria, em abril deste ano.>
"O perigo decorrente do estado de liberdade dos requeridos é evidente e atual. As ameaças extrapolaram a órbita das discussões políticas comuns e atingiram a integridade física e emocional da requerente, estendendo-se também aos seus familiares", diz trecho da decisão.>
O boletim de ocorrência foi registrado na Casa da Mulher Brasileira, em Salvador. O caso também foi apresentado à Polícia Federal. "Só tive acesso às mensagens porque uma pessoa que participava do grupo me enviou os prints. O meu número profissional, utilizado no programa de rádio que apresento, estava inserido em diversos grupos, inclusive nesse, sem que eu tivesse conhecimento. Quando recebi o material, consegui acessar as conversas, reunir as provas e registrar um boletim de ocorrência", explica Josi.>
A Polícia Federal já acompanha uma denúncia apresentada por Josi em 2024, quando ela foi candidata à Prefeitura de Coração de Maria. Na ocasião, ela usou um colete à prova de balas durante a convenção partidária por temer as ameaças recebidas à época. "Ela vem sendo ameaçada de morte, inclusive, bem como outras pessoas da família", explicou a advogada da candidata, Jordanna Sá, na época.>
Ainda segundo Josi, as ameaças são um reflexo da realidade enfrentada por mulheres que entram na política. "O Ministério Público, o TSE e os tribunais eleitorais incentivam a participação feminina, mas, quando ocupamos esses espaços, acabamos enfrentando intimidações e violências como essas", diz a pré-candidata.>
A escalada de ameaças, segundo Josi, pode ter relação com a decisão de deixar a base governista do prefeito, aliado do atual governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). "Acredito que a situação também tenha se agravado porque, ao lançar minha pré-candidatura, anunciei que estava deixando a base governista e passaria a caminhar ao lado de ACM Neto. A partir dali, me coloquei como oposição não apenas ao prefeito do município, mas também ao grupo político ligado ao governo estadual", conta.>
A reportagem entrou em contato com Alexandre Figueredo Borges e Sérgio Luís Rocha. Alexandre Borges disse, via WhatsApp, que desconhecia o caso. "Eu com tantas coisas pra fazer vou ameaçar candidatos ou candidatar mim poupe viu [SIC]". Sérgio Rocha não respondeu.>
A Prefeitura de Coração de Maria também foi procurada, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.>
Medidas impostas>
Entre as determinações judiciais estão a proibição de os investigados se aproximarem da vítima, de seus familiares e de testemunhas a menos de 200 metros, além da vedação a qualquer tipo de contato, seja por telefone, aplicativos de mensagens, e-mail ou redes sociais.>
A decisão também impede a divulgação de imagens, vídeos, áudios ou outros conteúdos considerados ofensivos, difamatórios ou vexatórios contra a jornalista, assim como ataques públicos à sua imagem em atos políticos, redes sociais ou grupos de mensagens.>
Em caso de descumprimento das medidas, a Justiça poderá decretar a prisão preventiva dos envolvidos.>