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Perla Ribeiro
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 16:43
Enquanto consumidores aproveitam promoções e fazem compras pela internet, criminosos digitais encontram novas oportunidades para aplicar golpes. Cobranças falsas, ofertas com preços muito abaixo do mercado e mensagens que imitam empresas conhecidas estão entre as estratégias usadas para convencer vítimas a entregar dinheiro ou dados pessoais. A dimensão do problema aparece na segunda edição do relatório “A Jornada dos Golpes”, produzido pelo Observatório Lupa e divulgado em junho de 2026. A pesquisa analisou 115 conteúdos fraudulentos que viralizaram no Brasil entre maio de 2024 e abril de 2026.>
O levantamento identificou um padrão recorrente: dinheiro fácil, marcas conhecidas e Pix. Em 71% dos golpes analisados havia promessa de alguma vantagem financeira. Em 74%, os criminosos exploravam a credibilidade de empresas ou personalidades famosas para dar aparência de legitimidade à fraude.>
Veja os tipos mais comuns de fraude virtual
Pix vira ferramenta para pressionar a vítima>
Entre os golpes mais comuns estão falsas cobranças de pedágio enviadas por SMS ou WhatsApp, ofertas de produtos com preços irresistíveis e páginas que imitam sites de instituições financeiras para supostas “regularizações cadastrais”. Em muitos casos, o Pix aparece como peça central da fraude. O meio de pagamento foi o único recurso de pagamento indicado em cerca de um terço dos golpes analisados pelo relatório.>
A estratégia costuma envolver cobranças de taxas de liberação, impostos ou valores para supostamente desbloquear benefícios, produtos ou serviços que nunca serão entregues. A velocidade do Pix é justamente um dos fatores explorados pelos criminosos. Diante da pressão para pagar imediatamente, a vítima pode não ter tempo de conferir a origem da cobrança.>
Golpistas usam informações verdadeiras para criar mentiras>
O desafio de identificar uma fraude aumentou com o uso de informações reais na construção das narrativas falsas. Segundo o levantamento, 66% dos golpes partiram de conteúdos verdadeiros, como reportagens ou comunicados oficiais, para depois distorcer essas informações e criar histórias enganosas.>
A Inteligência Artificial também passou a ser usada para aumentar a aparência de autenticidade das fraudes, inclusive com a produção de áudios e vídeos falsos que simulam pessoas conhecidas. Outro canal aparece com destaque no levantamento: o WhatsApp esteve presente em quase 65% dos golpes analisados.>
Como evitar cair em uma fraude>
Para Ricardo Malaquias, diretor de Estratégia, Cobrança e Operações da Simplic, plataforma de empréstimo pessoal 100% online, a principal defesa é evitar decisões tomadas por impulso. “Sempre que receber uma cobrança inesperada, ainda mais por mensagem, evite tomar decisões imediatas. Nenhuma empresa séria pede pagamento de pedágio ou taxa de regularização por um link enviado no WhatsApp”, alerta.>
A orientação é desconfiar de ofertas que parecem boas demais e verificar a informação diretamente nos canais oficiais da empresa envolvida. Outra recomendação é não clicar em links suspeitos e conferir os dados do boleto ou do recebedor antes de fazer qualquer pagamento.>
“Instituições sérias nunca exigem depósito antecipado para liberar crédito ou desbloquear veículo. O custo de uma freada brusca no planejamento financeiro por causa de um golpe é alto”, afirma Malaquias. Segundo o especialista, a confirmação deve ser feita no site oficial da empresa ou por meio da central de atendimento. A regra é simples: não pagar por um serviço, produto ou taxa que não tenha sido contratado.>
O alerta vale para qualquer promessa de dinheiro fácil>
Com a popularização da Inteligência Artificial e a circulação de golpes principalmente por aplicativos de mensagens, a recomendação é adotar uma espécie de dupla checagem antes de tomar qualquer decisão financeira. Uma mensagem pode ter o logotipo correto, usar o nome de uma empresa conhecida, reproduzir uma notícia verdadeira ou até apresentar a voz e a imagem de uma pessoa familiar. Ainda assim, pode ser falsa.>
Por isso, antes de clicar, fornecer dados ou fazer um Pix, a orientação é parar, conferir a origem da mensagem e buscar a informação diretamente no canal oficial da empresa ou instituição. “Pare, pense e verifique a fonte. O valor que você pode perder em uma fraude é muito maior do que o ‘desconto’ que está sendo prometido”, afirma Malaquias. Em outras palavras, quando uma oferta parece boa demais para ser verdade, o melhor caminho é verificar antes de pagar.>