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Jovens transformam ancestralidade e identidade em arte, moda e novas perspectivas de futuro

Projeto reuniu teatro, audiovisual, fotografia, moda e tecnologia desenvolvidos por jovens de 16 a 24 anos em Salvador

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 18:15

Encontro reuniu diferentes linguagens e colocou os jovens no centro das narrativas Crédito: Roberto Abreu/Divulgação

Entre tambores, tranças, fotografias, teatro, moda e tecnologia, jovens de Salvador mostraram como referências do passado podem ajudar a construir novas perspectivas de futuro. A ancestralidade, o pertencimento e a identidade estiveram no centro do Conexão Juventudes, realizado nesta terça-feira (dia 18) pelo Instituto JCPM de Compromisso Social (IJCPM), no Salvador Norte Shopping.

Com o tema “Identidade: Entre Raízes e Futuros Coletivos”, o encontro reuniu diferentes linguagens e colocou os jovens no centro das narrativas. Mais do que ocupar o palco, eles apresentaram ao público produções autorais em teatro, audiovisual, fotografia, artes visuais, moda, tecnologia e empreendedorismo, tendo como ponto de partida suas próprias vivências, territórios, referências e perspectivas de futuro.

“Todo o evento foi construído pelos jovens, para os jovens e com os jovens. Ao transformar os conteúdos trabalhados nas formações em produções autorais, eles fortalecem sua identidade, reconhecem a ancestralidade como fonte de inspiração e ampliam suas perspectivas profissionais e coletivas. Mais do que apresentar projetos, essa experiência valoriza o protagonismo juvenil e mostra a capacidade dessas juventudes de criar, ocupar espaços e construir novos futuros”, destaca Naiana Laborda, coordenadora de Gestão e Articulação Social do Instituto JCPM.

A programação começou ao som da percussão do Grupo Arte Consciente, projeto social da comunidade de Pernambués, e seguiu com diferentes linguagens artísticas. No desfile “Raízes que Conectam”, a ancestralidade africana presente na cultura baiana apareceu reinterpretada pelo olhar das novas gerações. A estética negra também ganhou espaço no Ori: Beleza, Identidade e Ancestralidade, com penteados afro, tranças e turbantes utilizados como elementos de expressão, memória e pertencimento.

A cidade vista por quem vive nela

Salvador também foi personagem das produções. Na exposição fotográfica “Entre Ruas e Olhares”, os jovens apresentaram registros da cidade e dos bairros onde vivem. Já a mostra de artes visuais “Raízes e Memórias” reuniu trabalhos voltados à identidade negra, ancestralidade e memória. Esse olhar sobre os territórios chegou ainda ao audiovisual. Produzido pelas turmas de Story Maker e Gestão de Mídias, o minidocumentário “Salvador: Histórias que Transformam” apresentou diferentes vivências e referências culturais da capital baiana a partir da perspectiva dos próprios participantes.

Para Dominique Araújo, 26 anos, artista visual e participante do evento, apresentar suas obras foi uma oportunidade de valorizar a própria história e fortalecer a representatividade. “Minha arte fala sobre ancestralidade, identidade e acolhimento. Quero que pessoas negras se reconheçam nas obras, vejam seus cabelos, suas tranças e seus dreadlocks representados e sintam que também pertencem aos espaços culturais. Participar deste evento e expor ao lado de outros jovens mostra que nossas ideias têm valor e podem inspirar outras pessoas a acreditarem no próprio potencial e transformarem seus projetos em realidade”, afirma.

O futuro também apareceu associado à tecnologia e ao empreendedorismo. Jovens da formação em Comunicação com IA apresentaram o pitch “Ideias que Transformam”, com projetos de negócios desenvolvidos durante o curso, conectando criatividade, ferramentas digitais e perspectivas profissionais. Um painel sobre identidade, educação, representatividade e memória ampliou as discussões propostas ao longo do dia.

Se as raízes foram o ponto de partida, o encerramento projetou o olhar para as próximas décadas. Na “Carta Manifesto 2050”, os jovens compartilharam ideias e desejos relacionados à educação, igualdade e aos futuros que esperam ajudar a construir. A programação terminou com um Baile Charme, reunindo música, dança e coletividade.

A iniciativa também chama atenção para a relação das novas gerações com a cultura produzida em seus próprios territórios. Segundo a pesquisa Hábitos Culturais 2025, do Observatório Fundação Itaú, 98,92% dos jovens brasileiros entre 16 e 24 anos realizaram alguma atividade cultural presencial ou on-line nos 12 meses anteriores ao levantamento. Apesar disso, 33,47% nunca haviam acompanhado ou participado de eventos culturais com artistas da própria cidade.

Com sedes no Salvador Shopping e no Salvador Norte Shopping, o Instituto atua na formação e inclusão socioprofissional de jovens, prioritariamente entre 16 e 30 anos, estudantes ou egressos da rede pública de ensino. No Conexão Juventudes, parte desse público assumiu o protagonismo de uma programação construída a partir das experiências e dos conteúdos desenvolvidos ao longo das formações oferecidas pelo IJCPM.