Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Millena Marques
Publicado em 14 de agosto de 2023 às 06:00
No ano em que comemora três décadas de existência, o Memorial Irmã Dulce (MID), no Largo de Roma, passa por uma requalificação, com o objetivo de facilitar o acesso de pessoas cadeirantes, portadores de deficiência visual e idosos, e de alcançar novas gerações com as obras da primeira santa brasileira, por meio de diferentes formas de comunicação. De aromas específicos a recursos audiovisuais, as novas implementações serão responsáveis pelo aprofundamento do processo imersivo na vida de Santa Dulce. >
Quem já conhece o espaço não perceberá mudanças estruturais quando for revisitar o local, que tem previsão de ser reinaugurado entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024. A estrutura permanece a mesma: três salões no térreo, dedicados às histórias do início das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), aos relatos das vivências da freira no antigo Convento de Santo Antônio e atividades infantis. No primeiro andar, ponto máximo do despertar da emoção, está o antigo quarto de Dulce, onde a religiosa viveu por 42 anos e recebeu o Papa São João Paulo II, em 1991. >
As experiências multissensoriais prometem despertar atenção do público. O visitante poderá ouvir traços significativos da história relatados pela voz da própria freira e músicas que ela gostava ou que foram escritas em sua homenagem. Além da implementação de novas tecnologias, o espaço contará com banheiro e elevador adaptados, rampas, monitores especializados em libras e braile e piso tátil. >
"A arquitetura, de modo geral, precisa ser preservada. O nosso desejo foi preservar o máximo dessa história, que é para ser contada por muito tempo", explica Carla Macedo, coordenadora de Projetos de Engenharia das Osid.>
Também faz parte do processo de requalificação a elaboração do Plano Museológico do MID, um documento de gestão obrigatório para todos os museus, que traça o plano da ação das atividades técnicas e administrativas do Memorial para o período de cinco anos, de 2023 a 2027, sendo avaliado e atualizado no final de cada período. "Essas mudanças ocorrem para que a gente possa receber, cada vez mais e melhor, o nosso público, que é crescente após a canonização", afirma Carla Silva, museóloga e coordenadora do Memorial. >
O aumento do número de visitantes após a canonização de irmã Dulce é muito significativo. Até 2018, ano que antecede o anúncio e a cerimônia oficial da canonização, a média anual de visitantes do Memorial não ultrapassava 50 mil. Em 2019, o número foi mais que dobrado: 125 mil pessoas visitaram o espaço, recorde do MID. Com a reforma, Carla Silva estima que esse número seja ultrapassado. Atualmente, todo o complexo turístico religioso das Osid, que envolve Memorial, Santuário, loja de objetos religiosos, Dulce Café e agora uma galeria a céu aberto, recebe 50 mil pessoas mensalmente. >
Quando foi criado, em 1993, um ano após o falecimento da freira, o espaço tinha um acervo com apenas 6 mil itens, que, em sua maioria, pertenciam ao cotidiano de Dulce, como canetas e objetos religiosos. Ao longo dos anos, novas peças foram implementadas na coleção, que hoje conta com 35 mil preciosidades e relíquias, entre objetos pessoais e símbolos deixados por fiéis como forma de agradecimento pelos milagres atribuídos à santa.>
Visitar o espaço, que ganhará o novo nome de Memorial Santa Dulce dos Pobres, é mergulhar na história do Anjo Bom da Bahia: de cartas recebidas pela freira ao anel de consagração, de 1933, tudo tem um significado singular. A cadeira que foi a cama de Dulce por 30 anos, como penitência feita em agradecimento pela melhora da irmã, Dulcinha, que teve uma gravidez de alto risco, em 1955, e a imagem de Santo Antônio que pertenceu ao avô da religiosa, o advogado Manoel Pontes, do século XIX, são exemplos de preciosidades expostas no local. Hoje 'colega de santidade', Antônio era o santo de devoção de Dulce, apresentado aos visitantes como 'padroeiro da obra'. >
Captação de recursos>
O projeto de requalificação para captar recursos foi aprovado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei Rouanet, em dezembro de 2021, após três anos da proposta ser apresentada ao governo federal. A captação foi feita com o apoio de pessoas físicas e empresas, que terão direito a uma abatimento no imposto de renda devido, de acordo com a gestora de Captação das Osid, Fagna Freitas. >
Em 2022, o projeto captou R$ 5.243.790,71, valor correspondente ao orçamento das obras, que começaram em maio daquele ano. O recolhimento do montante foi possível com o apoio do Grupo Global Participações, Ferbasa, Larco Comercial de Produtos de Petróleo, Cielo e Petro Recôncavo. As Obras Sociais ainda realizam uma campanha de arrecadação de recursos (em torno de R$ 500 mil), para cobrir as despesas para fachada e instalações elétricas, que não foram assistidas pela Lei Rouanet. As doações para o projeto podem ser feitas por meio da seguinte conta bancária: Associação Obras Sociais Irmã Dulce, CNPJ: 15.178.551/0001-17, Banco do Brasil , Agência: 3429-0, Conta corrente: 7668-6.>
Memorial Provisório>
Enquanto o Memorial Santa Dulce dos Pobres não for inaugurado, as pessoas podem visitar o espaço provisório, montado atrás do Dulce Café, também no Complexo das Osid. O local funciona de domingo a domingo, inclusive nos feriados, das 9h às 17h. A exposição de peças é reduzida por causa da obra, mas ainda apresenta aspectos relevantes da vida do Anjo Bom. A entrada é gratuita. No entanto, a gratuidade só estará em vigor até a abertura do novo Memorial. De acordo com Carla Silva, haverá uma cobrança simbólica, ainda indefinida, para ajudar na manutenção do memorial. >
*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro>