Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Elaine Sanoli
Publicado em 9 de junho de 2026 às 18:51
O cineasta baiano Orlando Senna morreu nesta terça-feira (9), aos 86 anos. A informação foi confirmada por familiares e divulgada nas redes sociais do realizador. A causa da morte não foi informada.>
Nascido em Afrânio Peixoto, Orlando Senna construiu uma trajetória que atravessou mais de cinco décadas de cinema, televisão e gestão cultural. Considerado um dos nomes mais importantes do audiovisual brasileiro, ele dirigiu filmes, escreveu roteiros e ocupou cargos estratégicos em governos estaduais e federais.>
Orlando Senna
A sobrinha do cineasta, Indra Rocha, prestou homenagem ao tio ao anunciar a morte. Em publicação nas redes sociais, destacou a dedicação de Senna à arte, à cultura e à formação de novas gerações, além de lembrar sua generosidade e incentivo a artistas e profissionais do setor.>
No último domingo (7), Orlando Senna participou de uma sessão de cinema no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, onde foi fotografado ao lado do ator Antônio Pitanga.>
Autor de clássico do cinema nacional>
Ao lado do cineasta Jorge Bodanzky, Orlando Senna dirigiu o longa-metragem Iracema - Uma Transa Amazônica, lançado em 1975. A obra acompanha um caminhoneiro que percorre a Transamazônica e se depara com as transformações sociais e ambientais da região.>
Misturando documentário e ficção, o filme se tornou um marco do cinema brasileiro e enfrentou perseguições durante o período da ditadura militar. A produção ajudou a consolidar o nome de Orlando Senna como um dos principais realizadores do país.>
A carreira no audiovisual começou ainda na Bahia, como assistente de direção de Roberto Pires no filme Tocaia no Asfalto. Posteriormente, dirigiu curtas-metragens, trabalhou com teatro e integrou iniciativas culturais em Salvador antes de se mudar para o Rio de Janeiro no fim da década de 1960.>
Seu primeiro longa como diretor foi A Construção da Morte. Depois vieram produções como Gitirana e Diamante Bruto.>
Além da direção, escreveu roteiros para cineastas renomados, entre eles Hector Babenco, Geraldo Sarno e Ruy Guerra.>
Atuação na política cultural>
Orlando Senna também teve papel relevante na formulação de políticas públicas para o audiovisual. Em 2002, atuou como subsecretário de Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro durante a gestão da então governadora Benedita da Silva.>
No ano seguinte, assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, comandado por Gilberto Gil no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.>
Entre 2007 e 2008, esteve à frente da direção-geral da Empresa Brasil de Comunicação, participando da estruturação da TV Brasil.>
Ao longo da carreira, também desenvolveu forte relação com Cuba, onde atuou como professor e diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños.>
Orlando Senna era viúvo da atriz e documentarista Conceição Senna, que morreu em 2020. Seu legado permanece ligado à renovação do cinema brasileiro e à defesa das políticas de incentivo à produção audiovisual no país.>