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Pesquisa aponta que 40% dos trabalhadores de praias de Salvador já sofreram algum tipo de acidente de trabalho

Perfurações, cortes e queimaduras são principais ocorrências

  • Foto do(a) author(a) Larissa Almeida
  • Larissa Almeida

Publicado em 6 de dezembro de 2024 às 17:20

Na praia de Piatã, barracas respeitavam a distância recomendada pelas autoridades.
Praia de Piatã Crédito: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO

Para além do calor intenso, o verão costuma ser um período complicado para quem trabalha na praia, sobretudo por conta do volume de resíduos deixados pelos banhistas, que aumentam o risco de danos à saúde e integridade física. Entre novembro de 2023 e março deste ano, em plena alta estação, 40% dos trabalhadores de praias de Salvador afirmaram ter sofrido algum tipo de acidente de trabalho durante a média de trabalho diário de 10 horas. As principais ocorrências foram de perfurações, cortes e queimaduras.

A informação é de um estudo inédito conduzido pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba) em cooperação técnica com o Ministério Público do Trabalho na Bahia – Procuradoria Regional do Trabalho da 5ª Região. O estudo foi intitulado de "Perfil Epidemiológico e caracterização das doenças, acidentes e agravos em trabalhadoras e trabalhadores de praias em Salvador/BA".

Para compor a pesquisa, foram entrevistados 579 trabalhadores com idade superior ou igual a 14 anos, atuando em praias urbanas da capital baiana há pelo menos três meses e ao menos uma vez na semana. Ao total, cinco faixas de areias foram palco das entrevistas: Tubarão – São Tomé de Paripe, Boa Viagem – Ribeira, Cristo – Porto da Barra, Armação – Piatã, Farol de Itapuã – Sereia.

Os entrevistados disseram que a maior causa dos acidentes de trabalho foram os palitos de queijo coalho, que foram responsáveis pelas perfurações – estas foram a principal ocorrência registrada como acidente. A pesquisa também investigou o diagnóstico realizado por profissionais de saúde naquele período. Os resultados indicaram que 25% dos trabalhadores apresentaram infecções de pele e 18% com Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort).

Condições precárias

Para Cleber Cremonese, que é coordenador do projeto, professor e pesquisador do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba, a saúde desses profissionais traz preocupação. "As condições de saúde dos trabalhadores de praias de Salvador podem estar sendo um reflexo do ambiente e processo de trabalho inadequado e falta de capacitações", aponta.

Segundo o professor, a alta proporção de trabalhadores informais, sem proteção social, que precisam realizar atividades econômicas mesmo em condições de saúde comprometidas, agrava ainda mais o quadro geral de saúde da categoria. Trata-se de uma classe que tem 70,2% trabalhando mais de oito horas por dia, 72,3% sem contribuir com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e 35,2% atuando nos sete dias da semana, com média de trabalho diário de dez horas.

Essa média de trabalho, inclusive, pode ser um causador direto de insuficiência renal aguda e crônica, uma vez que os trabalhadores ficam expostos a alta temperatura sem hidratação adequada, conforme observa Cleber Cremonese. É por isso que, entre as reivindicações dos entrevistados, estão o fornecimento gratuito de protetor solar, acesso à água potável e chuveiros.

Outras demandas são quanto a capacitações específicas e melhorias na segurança pública, uma vez que 88% dos trabalhadores nunca receberam capacitação para desenvolver atividades econômicas nas praias. Ainda, há necessidade de instalação de banheiros, espaços para armazenamento de materiais e cestos de lixo.

Segundo a pesquisa, atualmente, 35% dos trabalhadores usam locais de comércio próximo para realizar as necessidades fisiológicas, 26% utilizam banheiros químicos, 11% não utilizam, 8% recorrem à rua, 5% ao mar e 14% recorrem a outras alternativas.

Rosimario Lopes, que é presidente da Associação Integrada de Vendedores Ambulantes e Feirantes de Salvador (Assidivam), disse que não tomou conhecimento do estudo e que foi pego de surpresa com os resultados. Embora não reconheça a incidência de acidentes entre os ambulantes que trabalham na praia, ele admitiu que tais profissionais são expostos a uma carga horária extenuante.

"São mais de 12 horas de trabalho, se for contar o horário que todos se levantam, pegam mercadoria, colocam na praia e começam a distribuir. Daqui que o pessoal saia de noite, já é 19h, 20h, 21h, 22h. Agora, concernente às outras questões, nunca chegou ao meu conhecimento que algum companheiro foi internado ou teve um acidente grave nas praias de Salvador", frisa.

Ao ser procurada, a Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia disse que está elaborando uma ampla campanha de conscientização referente aos noves eixos da Agenda Bahia do Trabalho Decente (ABTD), o que inclui o eixo Saúde e Segurança do Trabalhador. "Nesse âmbito, a campanha vai buscar estimular e desenvolver mecanismos para inclusão dos trabalhadores informais, a exemplo dos ambulantes que atuam nas praias, em ações de saúde e segurança do trabalho", disse a pasta.

O CORREIO também procurou a Limpurb e a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) para saber se há alguma ação prevista ou em curso para melhorar as condições de trabalho desses profissionais, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto.