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Quem era Guillard Muniz, que dá nome à rua mais boêmia da Pituba

Rua que leva o nome do engenheiro passa por obras para receber 'calçadão'

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 24 de maio de 2026 às 07:00

Avanço das obras na rua Guillard Muniz, na Pituba
Avanço das obras na rua Guillard Muniz, na Pituba, para construção de calçadão Crédito: Rodrigo Daniel Silva/CORREIO

A Rua Guillard Muniz, na Pituba, passa por obras para ganhar um "calçadão" nos moldes da Barra e do Rio Vermelho. Mas enquanto a via se consolida como um dos points boêmios de Salvador, o nome estampado nas placas ainda desperta curiosidade. Afinal, quem foi o homem que defendeu a preservação do bambuzal mais famoso da cidade e acabou sendo homenageado com nome de rua?  

Guillard Muniz foi um engenheiro agrônomo e paisagista que teve papel importante na criação de áreas verdes entre as décadas de 1940 e 1970. Considerado pioneiro do urbanismo ambiental na cidade, atuou na Prefeitura à frente do Departamento de Parques e Jardins e também da Superintendência de Áreas Verdes. A carreira como homem público o fez ficar conhecido pelo apelido carinhoso de "jardineiro de Salvador".

Para o historiador Murilo Mello, Guillard foi “um homem à frente do seu tempo”. “Num período em que quase não existia preocupação com paisagismo, preservação ambiental e qualidade de vida urbana, ele já tinha essa visão moderna. Foi um personagem gigantesco para pensar a Salvador que a gente vive hoje”, contou. 

Veja fotos de como vai ficar o ‘Calçadão da Pituba’ por Divulgação

Parte importante da trajetória de Guillard Muniz foi contada na pesquisa “Vegetação na Transformação da Paisagem do Dique do Tororó”, do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), de autoria Estenio Enrique Ribeiro de Oliveira.

O estudo conta que Guillard comandou serviços de arborização e elaboração de jardins públicos da cidade, introduzindo espécies que até hoje marcam a paisagem de Salvador. Após a destruição de antigas figueiras atacadas por uma infestação de insetos, ele passou a utilizar amendoeiras, casuarinas e algodoeiros nos projetos urbanos da capital.

A marca desse trabalho permanece visível em bairros como Pituba e Rio Vermelho, conhecidos até hoje pelas amendoeiras espalhadas pelas ruas. “Quantas amêndoas eu peguei no chão quando criança? Ele mudou não só paisagem, mas também a relação afetiva das pessoas com a cidade”, comenta Murilo Mello.

Ainda de acordo com a dissertação da Ufba, Guillard Muniz participou das reformas de espaços públicos importantes na década de 1960, período em que Salvador se estruturava ainda mais para receber turistas. Entre os locais contemplados estavam Campo Grande, Nazaré, Praça Simões Filho, Largo da Mariquita e Jardim dos Barris.

Rua da Pituba vai ganhar calçadão para bares e restaurantes; veja como vai ficar por Reprodução / Google Street View

A pesquisa também destaca a atuação dele na década de 1970 na arborização do Vale do Canela e da Avenida Garibaldi, onde foram plantadas cerca de 200 árvores entre amendoeiras e flamboyants na época. 

Outra criação marcante foi o Jardim das Rosas, implantado às margens do Dique do Tororó. Guillard Muniz determinava que as rosas permanecessem nos canteiros para serem admiradas pela população, já que a função delas era “embelezar o espaço”.

Ele também idealizou o Jardim dos Cactos, em Itapuã, considerado inovador para a época. A proposta aproveitava as características naturais da região, como solo arenoso, clima quente e proximidade do mar.

Além dos projetos paisagísticos, Guillard Muniz ficou conhecido pela defesa das áreas verdes da cidade. Segundo Murilo Mello, ele atuou contra a derrubada de árvores históricas e chegou a lutar pela preservação da Rua dos Tamarindeiros, na Ribeira, e do bambuzal do Aeroporto.

“Foi um revolucionário. Muito antes da pauta ambiental ganhar força, ele já entendia a importância do verde para a qualidade de vida urbana”, define o historiador.