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Tarifaço dos EUA pode atingir US$ 273 milhões em exportações da Bahia; veja os setores mais afetados

Estimativa da FIEB aponta que 33,2% das vendas baianas podem ser impactadas pela nova tarifa de 25%

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 17 de julho de 2026 às 10:30

O Brasil é o líder do mercado de celulose mundial, com 26,5% de todas as exportações do setor
O Brasil é o líder do mercado de celulose mundial, com 26,5% de todas as exportações do setor Crédito: Freepik

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) divulgou uma nota técnica, na última quinta-feira (16), em que avalia os impactos das novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para a entidade, a tendência é de aumentar a perda de participação dos produtos baianos nas exportações destinadas aos Estados Unidos, movimento que vem sendo observado ao longo das últimas duas décadas.

Atualmente, o país ocupa a quarta posição entre os principais destinos das exportações da Bahia. Na última quarta-feira (15), os EUA estabeleceram um novo tarifaço de 25% para itens exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano. Segundo a Fieb, em 2021, os Estados Unidos respondiam por 35% das exportações baianas. Em 2025, esse percentual caiu para 7,1%, e a projeção para 2026 é de nova retração, chegando a 6,1%.

O setor de fabricação de papel e celulose deve ser o mais afetado, entre as indústrias baianas.  por Sora Maia/CORREIO

Tomando como referência as exportações realizadas em 2025, a Fieb estima que aproximadamente um valor de US$273,1 milhões em produtos baianos estarão sujeitos à nova tarifa. De acordo com a nota técnica, esse volume equivale a 33,2% dos US$821,4 milhões exportados pela Bahia para os Estados Unidos ao longo do ano.

Entre os segmentos industriais mais impactados pelo aumento das tarifas estão os setores de papel e celulose, produtos de borracha e plástico — especialmente pneus — e a indústria química, com destaque para os petroquímicos básicos.

Diante desse cenário, a FIEB defende que as negociações com o governo norte-americano priorizem a reinclusão da celulose solúvel, dos pneumáticos e dos produtos químicos na lista de itens isentos da sobretaxa. A entidade também considera necessária a adoção de medidas de apoio aos setores atingidos para reduzir os prejuízos provocados pela medida.

Sobre uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica pelo Brasil, a federação afirma que "qualquer resposta deve ser calibrada, seletiva e baseada em estudos de impacto setoriais, de modo a preservar insumos e bens de capital críticos e evitar custos adicionais para a indústria nacional".

A Fieb informou ainda que os desdobramentos da medida estão sendo acompanhados pelo Observatório da Indústria da Bahia e por suas equipes técnicas. Paralelamente, a entidade mantém contato com empresas, sindicatos industriais, a CNI e órgãos governamentais para reunir informações, subsidiar pleitos dos setores afetados e contribuir para a adoção de medidas que reduzam os impactos da nova política tarifária.