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Violência armada afeta rotina de escolas em Salvador em 59% dos dias de aula

Estudo aponta 3.748 disparos de arma de fogo no entorno de unidades de ensino entre 2023 e 2025

  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Bruno Wendel

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 05:00

Rua em Tancredo Neves amanheceu cheia de cartuchos de balas após guerra entre facções
Cartuchos de balas espalhados nas ruas após confronto de facções rivais Crédito: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO

A violência armada faz parte da rotina de escolas e estudantes de Salvador. Entre 2023 e 2025, foram registrados 3.748 disparos de arma de fogo na capital baiana, uma média de 3,4 ocorrências por dia. Desse total, 2.206, o equivalente a 59%, aconteceram em dias letivos, segundo estudo realizado pelo Instituto Fogo Cruzado (IFC) em parceria com a Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas, com apoio da Imaginable Futures. 

O levantamento considera os disparos registrados no entorno das escolas e criou o Índice de Risco de Exposição Escolar (IREE), que leva em conta a intensidade, a severidade e a persistência dos episódios em um raio de até um quilômetro das unidades. A análise abrangeu cerca de 600 escolas e aproximadamente 275 mil matrículas por ano.

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Entre as escolas analisadas, 120 integraram áreas classificadas como críticas em pelo menos um dos três anos. Seis unidades permaneceram nessa condição durante toda a série histórica. O estudo também mostra que a exposição pode ser recorrente: em 2025, 23 escolas registraram mais de 40 dias afetados por ocorrências armadas, com casos de até 55 dias. Em 2024, 71 escolas ultrapassaram essa marca, chegando a 80 dias, enquanto, em 2023, 81 passaram de 40 dias, com até 74 dias afetados.

Os disparos também ocorrem em horários de circulação dos estudantes. O levantamento aponta volume significativo de ocorrências pela manhã e à tarde, períodos que coincidem com entrada, saída e deslocamentos da comunidade escolar.

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De acordo com o levantamento do IFC, entre os eventos registrados em dias letivos, 37,4% decorreram de intervenções policiais e 32% de homicídios ou tentativas de homicídio. Juntas, as duas circunstâncias representaram 69,4% dos 2.206 disparos registrados durante o período de aulas.

A exposição, porém, não é distribuída igualmente pela cidade. Dos 163 bairros de Salvador, oito concentraram quase 20% dos tiroteios registrados no período: Beiru/Tancredo Neves, Pernambués, Fazenda Grande do Retiro, Lobato, Valéria, Federação, IAPI e Castelo Branco.

Comitiva esteve no Lobato por Tony Silva/Divulgação

A análise também identificou concentração de escolas em áreas críticas. Entre as 120 unidades que estiveram nessas áreas em algum momento da série, 30 estavam na Prefeitura-Bairro Liberdade/São Caetano e 17 na Cidade Baixa. Juntas, as duas regiões concentraram cerca de 39% das escolas classificadas nessa condição e aproximadamente 17,9 mil matrículas em 2025.

Ainda segundo o estudo, os dados mostram que, para parte das escolas e dos estudantes, a violência armada não representa um episódio isolado, mas uma condição recorrente do território, com potencial para interferir na circulação da comunidade escolar e na continuidade das atividades educacionais.