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Agência Correio
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 15:34
A tentativa de evitar novas perdas provocadas pela seca acabou criando um problema financeiro e judicial para o agricultor Tinel Predan. Depois de três anos com pouca chuva, ele recorreu à água de um curso d’água próximo à propriedade, na região de Izvoare, em Dolj, na Romênia, para irrigar a plantação de girassol. A medida, porém, resultou em duas multas que, juntas, chegam a quase R$ 80 mil.>
Agora, além de lidar com uma produção menor e com os custos elevados da atividade rural, Predan contesta as penalidades na Justiça. A situação também afeta o planejamento da próxima safra, segundo ele, E o orçamento disponível é suficiente apenas para comprar diesel e sementes, sem espaço para adquirir fertilizantes.>
Agricultor encontrou petróleo quando cavou buraco para achar água
A falta de chuva levou Predan a buscar uma alternativa para impedir que a plantação fosse ainda mais prejudicada. Ele utilizou a água de um riacho da região de Izvoare para irrigar a lavoura.>
A estratégia ajudou a preservar parte da produção, mas acabou gerando duas autuações. Juntas, elas correspondem a 700 milhões de lei da antiga moeda romena, quantia estimada em aproximadamente R$ 79 mil.>
O agricultor não concorda com as penalidades e decidiu recorrer à Justiça. Além das multas, passou a ter despesas com a contratação de um advogado para acompanhar o caso.>
“Não vamos desistir. Não temos como”, afirmou Predan.>
A seca não eliminou completamente a produção, mas reduziu a capacidade da propriedade. Na atual colheita, Predan consegue retirar aproximadamente 2 toneladas de girassol por hectare.>
Ao mesmo tempo, os custos necessários para manter a atividade continuam elevados. O diesel, usado nas operações agrícolas, custa cerca de 10,50 lei por litro, enquanto o agricultor recebe aproximadamente 2 a 2,10 lei por quilo de girassol vendido.>
A diferença entre as despesas e o preço recebido deixa pouca margem para o produtor.>
“Compramos o diesel por 10,50 lei e vendemos o girassol por 2 lei. Trabalhamos de graça!”, disse o agricultor ao Revista-Ferma.ro.>
A situação financeira também interfere na preparação da próxima campanha agrícola. Com recursos limitados, Predan precisou priorizar os gastos considerados indispensáveis.>
“Temos dinheiro apenas para diesel e sementes. Não compramos fertilizantes”, relatou.>
A ausência do insumo pode dificultar ainda mais a recuperação da produtividade, principalmente depois de sucessivas temporadas afetadas pela estiagem.>
O girassol não é o único cultivo pressionado pelas condições econômicas. Predan também produz trigo, vendido por cerca de 80 bani por quilo.>
A produtividade chega a aproximadamente 5,5 toneladas por hectare, mas o volume maior não é suficiente para compensar os baixos preços recebidos pelo agricultor.>
Outro obstáculo está relacionado ao transporte. O nível reduzido do rio Danúbio prejudica a circulação de embarcações utilizadas para levar as cargas, o que pode dificultar ainda mais a comercialização da produção.>
A propriedade de Predan chega ao fim da temporada com uma combinação de problemas: produção afetada pela seca, despesas elevadas, dificuldade para investir na próxima safra e uma disputa judicial provocada pelas multas relacionadas à irrigação.>
Mesmo com pouco dinheiro disponível, o agricultor pretende continuar produzindo. Enquanto prepara a próxima campanha com recursos limitados, ele também aguarda o desfecho do processo que contesta as penalidades.>