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Mariana Rios
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 12:39
O aumento de acidentes graves envolvendo crianças e adolescentes em bicicletas e motos elétricas está levando autoridades dos Estados Unidos a endurecer as regras e, em alguns casos, até a responsabilizar criminalmente os pais. >
No Condado de Orange, na Califórnia, o Ministério Público abriu mais de 20 investigações contra responsáveis por menores envolvidos em ocorrências com veículos elétricos. Quatro pessoas já foram denunciadas, incluindo a mãe de um adolescente de 14 anos acusado de atropelar e matar um idoso enquanto pilotava uma motocicleta elétrica.>
Em outro caso, um pai é acusado de colocar os filhos em perigo depois de comprar uma motocicleta elétrica para o filho de 12 anos e ajudá-lo a fazer modificações para aumentar a velocidade. Segundo os promotores, o menino avançou um sinal vermelho, sofreu um acidente e ficou gravemente ferido. O pai se declarou inocente.>
Patinetes em Salvador
A iniciativa da Califórnia é uma das respostas adotadas nos Estados Unidos diante do aumento do número de acidentes envolvendo e-bikes, patinetes e outros veículos elétricos. O problema ganhou força com a popularização desses equipamentos, especialmente entre adolescentes. As informações foram publicadas pela ABC News.>
Estudos recentes apontam que as internações por acidentes com veículos elétricos de duas rodas aumentaram junto com a popularização desses equipamentos. A preocupação maior, porém, não é apenas a quantidade de acidentes, mas a gravidade dos ferimentos — principalmente entre crianças.>
Segundo John Austin, médico da Universidade da Califórnia em San Diego e responsável por um estudo sobre o tema, os usuários desses veículos tendem a ser mais jovens, usar menos o capacete e sofrer lesões mais graves do que pessoas envolvidas em acidentes com bicicletas convencionais.>
O alerta é especialmente importante porque alguns veículos vendidos como bicicletas elétricas têm potência e velocidade muito superiores às de uma e-bike tradicional. Na prática, alguns se aproximam mais de motocicletas elétricas.>
Não existe uma regra única nos Estados Unidos para o uso de bicicletas elétricas. A legislação muda de acordo com o estado e, em alguns casos, também de acordo com a cidade.>
Em Nova York, por exemplo, a morte de um adolescente de 17 anos reacendeu a discussão. Ele pilotava um veículo anunciado como e-bike, mas que, segundo as autoridades, não atendia às regras para circulação nas ruas da cidade.>
Depois do acidente, o prefeito Zohran Mamdani notificou mais de 40 varejistas on-line, entre eles Amazon, Walmart e Target, sobre a venda de veículos que ultrapassam os limites estabelecidos pela cidade. As empresas podem receber multas de até US$ 2 mil por unidade vendida irregularmente.>
O estado de Nova York exige que o condutor de uma bicicleta elétrica tenha pelo menos 16 anos. Na cidade, a velocidade máxima permitida é de 15 milhas por hora, cerca de 24 km/h.>
Na Califórnia, as regras são diferentes. Não há idade mínima estadual para alguns modelos de menor potência, enquanto bicicletas capazes de atingir até 45 km/h só podem ser usadas por pessoas com pelo menos 16 anos.>
Nova Jersey e Illinois também aprovaram novas regras. Em Nova Jersey, a legislação passou a exigir idade mínima de 15 anos, carteira de motorista e registro para determinados usuários de bicicletas elétricas. Massachusetts avalia medidas semelhantes.>
Na Flórida, porém, o governador Ron DeSantis vetou em junho uma proposta que estabelecia limite de velocidade de 16 km/h e outras exigências. Segundo ele, as medidas poderiam aumentar a vigilância sobre os cidadãos.>
As novas regras dividem especialistas, ciclistas e famílias. Entidades de defesa do ciclismo afirmam que parte dos veículos envolvidos nos acidentes não deveria ser tratada como bicicleta elétrica comum.>
A PeopleForBikes, organização que acompanha as regras sobre e-bikes nos Estados Unidos, destaca que muitos dos modelos mais problemáticos são, na realidade, motocicletas elétricas disfarçadas de bicicletas. Esses veículos costumam ter motores mais potentes, estruturas pesadas e pneus maiores.>
Para os defensores das bicicletas elétricas convencionais, modelos de menor potência e com assistência ao pedal podem ser usados com segurança e ajudam a reduzir a dependência dos carros. Eles defendem que as leis de trânsito já existentes sejam fiscalizadas antes da criação de novas restrições.>