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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 6 de setembro de 2026 às 11:00
O estudante brasileiro Kauê Matos, de 19 anos, enfrentou um verdadeiro pesadelo após ser deportado de Portugal devido a uma série de atrasos burocráticos na regularização migratória de seus pais. Morando no país europeu há dois anos com a família, o jovem foi interceptado no Aeroporto de Lisboa no mês passado, quando tentava retornar para casa após passar por um intercâmbio de curta duração na Irlanda.>
O estudante Kauê Matos foi deportado de Portugal
Durante os quatro dias em que permaneceu retido em uma sala do aeroporto, o jovem relatou, em entrevista ao g1, ter enfrentado condições degradantes, dormindo inclusive em cadeiras devido à sujeira das macas disponibilizadas. Segundo seu relato, a comunicação com o exterior era precária e o fluxo de informações por parte dos agentes da Polícia de Segurança Pública era confuso, resultando em sua remoção definitiva para o Brasil sem que os pais ou o advogado fossem formalmente avisados do voo.>
A confusão começou anos antes, quando a família deu entrada na antiga manifestação de interesse, um processo que deveria durar 90 dias, mas se estendeu por dois anos. Com a demora, Kauê atingiu a maioridade e perdeu o direito ao reagrupamento familiar tradicional. Embora a família tentasse regularizar sua situação como estudante do ensino médio, a dificuldade de acesso aos canais digitais e telefônicos da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) travou o processo administrativo.>
A maior reviravolta ocorreu logo após o pouso do jovem em solo brasileiro, quando a família recebeu a notícia de que seu pedido de permanência em território português havia sido oficialmente aceito. A coincidência trágica gerou revolta no estudante, que agora busca auxílio jurídico para conseguir um novo visto a tempo de retornar a Portugal antes do reinício do ano letivo, previsto para a segunda metade de setembro.>
Procurados pelo g1, para comentar o caso, órgãos oficiais portugueses como a AIMA e a PSP alegaram divisões de competências sobre controle de fronteiras e registros civis, sem emitir esclarecimentos detalhados sobre as falhas na comunicação e os transtornos enfrentados pelo jovem.>