Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Caminhoneiro compra bilhete da loteria sozinho, ganha R$ 7,5 milhões e colegas vão à Justiça por parte do prêmio: 'Bolão informal'

Justiça concluiu que quatro colegas não provaram que a aposta era coletiva

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 11:13

Mandeep Singh Maan com seu prêmio, em 2022
Mandeep Singh Maan com seu prêmio, em 2022 Crédito: Reprodução

Um caminhoneiro canadense poderá ficar com os C$ 2 milhões que ganhou em uma loteria, valor equivalente a cerca de R$ 7,5 milhões, após vencer uma disputa judicial movida por quatro colegas de trabalho. Eles alegavam que o bilhete premiado fazia parte de um bolão informal mantido entre funcionários de uma empresa de transporte e armazenagem na Colúmbia Britânica.

A decisão da Suprema Corte da Colúmbia Britânica, proferida em janeiro de 2025 no processo Nagra v. Maan, concluiu que não havia elementos suficientes para demonstrar que a aposta vencedora pertencia ao grupo. O julgamento foi conduzido pela juíza Y. Liliane Bantourakis e durou nove dias.

Mandeep Singh Maan, que trabalhava como caminhoneiro, costumava participar das apostas coletivas com Balvinder Kaur Nagra, Sukhjinder Singh Sidhu, Binipal Singh Sanghera e Jeevan Pedan. Paralelamente, ele também comprava bilhetes individuais usando o próprio dinheiro.

Mega-Sena — R$ 6,00. A loteria mais famosa do Brasil teve reajuste e a aposta mínima custa seis reais por Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A controvérsia surgiu depois que os colegas encontraram uma foto de Maan segurando o cheque gigante entregue pela loteria aos vencedores. Inicialmente, o caminhoneiro foi parabenizado, mas os trabalhadores passaram a questionar se o dinheiro usado na aposta não teria saído do caixa do bolão.

O bilhete foi comprado em uma unidade da Chevron, em Langley, para um sorteio da BC/49. O registro da compra apontava um gasto de C$ 12. Para a Justiça, esse valor reforçou a versão de Maan de que se tratava de uma aposta particular.

Os autores da ação afirmaram que cada integrante costumava contribuir com C$ 10 para as apostas em grupo e sustentaram que o caminhoneiro havia recebido recursos para comprar bilhetes em nome de todos. Maan, porém, negou que o prêmio tivesse qualquer relação com o bolão.

Segundo informações publicadas pelo iNFOnews com base na decisão judicial, as apostas coletivas geralmente custavam entre C$ 40 e C$ 50 e incluíam mais de uma modalidade de loteria. Dessa forma, o gasto de C$ 12 foi considerado compatível com uma compra individual, e não com uma aposta feita para os cinco trabalhadores.

Outro ponto decisivo foi a falta de regras claras sobre o funcionamento do bolão. Não havia contrato, calendário fixo de apostas, responsável permanente pelas compras nem entendimento formal de que todo bilhete adquirido por um dos participantes seria automaticamente compartilhado pelos demais.

Fotografias de apostas antigas confirmaram que os colegas já jogavam juntos, mas não provaram que existia um acordo aplicável àquele bilhete específico. A magistrada também apontou inconsistências em parte dos depoimentos apresentados, inclusive sobre o suposto repasse de dinheiro para Maan.

Ao final, a Corte entendeu que os colegas tinham a obrigação de comprovar que a aposta vencedora havia sido financiada pelo grupo ou adquirida sob um compromisso de divisão do prêmio. Como isso não foi demonstrado, Maan foi reconhecido como único proprietário do bilhete e manterá a totalidade dos C$ 2 milhões.

Os quatro autores ainda foram condenados a arcar com os custos do processo, conforme informou o iNFOnews.