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Cemitério terá cafeteria em antigo mausoléu de família aristocrática; veja onde

Governo de Buenos Aires abriu licitação para transformar estrutura no Recoleta em loja de presentes e ponto de venda de comidas e bebidas

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 13:06

Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, terá café em antiga tumba de família aristocrática
Vista aérea do Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires Crédito: Wikimedia Commons

O que antes era uma abóbada destinada a abrigar os mortos de uma tradicional família argentina poderá ganhar uma nova função: receber turistas em busca de lembranças e um café para viagem. O Governo de Buenos Aires abriu uma licitação para conceder o uso comercial de uma antiga tumba do histórico Cemitério da Recoleta, um dos principais pontos turísticos da capital argentina.

A estrutura pertenceu à família Girado, ligada à burguesia rural argentina dos séculos 19 e 20, e ocupa cerca de 25 metros quadrados. A proposta prevê a instalação de uma loja de presentes, um espaço para venda de comidas e bebidas e uma área de apoio para visitantes que participarem de um novo serviço de turismo noturno no cemitério. As informações são do jornal El País.

A Recoleta foi inaugurada em 1822 e é considerada o primeiro cemitério público de Buenos Aires por Wikimedia Commons

Segundo o edital, a concessão terá duração de cinco anos. O vencedor deverá pagar um valor mensal de 1,6 milhão de pesos argentinos (cerca de R$ 5,6 mil), além de repassar 20% da receita bruta obtida com os passeios noturnos. O café, porém, deverá funcionar exclusivamente no sistema para viagem: não será permitido colocar mesas ou cadeiras no local nem preparar alimentos na própria estrutura.

A mudança chama atenção pelo próprio cenário. Construído em 1822 como o primeiro cemitério público de Buenos Aires, a Recoleta reúne mausoléus e túmulos de algumas das figuras mais conhecidas da história argentina, entre elas Eva Perón e o ex-presidente Domingo Faustino Sarmiento. O local também abriga os restos do escritor Adolfo Bioy Casares.

A antiga abóbada dos Girado, que originalmente comportava 12 sepulturas, está atualmente em estado de abandono. O projeto prevê a restauração do espaço, sem alterações estruturais. Mais de 90 abóbadas do cemitério são consideradas Monumentos Históricos Nacionais, e a arquitetura do local é protegida por lei.

O edital, no entanto, prevê mudanças visuais. Imagens anexadas ao documento mostram o estado atual da construção e uma projeção feita com inteligência artificial de como ela poderá ficar depois da intervenção. Entre as alterações previstas estão uma nova pintura e a retirada de antigas placas comemorativas instaladas nas paredes da abóbada.

Polêmica envolve antigos proprietários

A transformação de uma antiga estrutura funerária em ponto comercial provocou reação entre descendentes de famílias que possuem jazigos no cemitério. Segundo relatos ouvidos pelo El País, há preocupação com a possibilidade de circulação de turistas e pessoas tomando café em uma área destinada originalmente a sepultamentos.

A situação também envolve os restos mortais que estavam na abóbada. O governo municipal informou ao jornal que a estrutura foi recuperada após um procedimento administrativo e que foram cumpridas as etapas previstas na legislação funerária para a restituição do espaço ao poder público. A administração, porém, não informou qual foi o destino dos restos humanos.

De acordo com a legislação mencionada na reportagem, quando os restos não são retirados por familiares, eles podem ser encaminhados para o ossário ou para o crematório comum. O jornal também registrou que, no momento da reportagem, alguns caixões haviam sido retirados da estrutura.

O governo de Buenos Aires defende a iniciativa como parte de uma estratégia de ampliar a oferta cultural e turística do cemitério. A administração cita como inspiração outros cemitérios históricos de cidades como Viena, Dublin, Berlim e Londres, que também oferecem serviços voltados aos visitantes.

Atualmente, a Recoleta recebe, em média, 1,8 mil visitantes por dia. A ideia é aproveitar esse fluxo para criar novas experiências de turismo cultural — transformando uma antiga abóbada aristocrática, marcada pelo abandono, em um pequeno espaço comercial dentro de um dos cemitérios mais famosos da América Latina.

Tags:

Argentina Cemitério Buenos Aires