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Cripta de antiga dinastia imperial é reaberta e revela 91 carcófagos e tesouros da nobreza prussiana

Restaurado a um custo de R$ 173 milhões, mausoléu da família Hohenzollern reúne  ainda joias, roupas e objetos funerários

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 08:11

Cripta dos Hohenzollern reabre
Cripta dos Hohenzollern reabre Crédito: Divulgação / Catedral de Berlim

A Catedral de Berlim voltou a abrir ao público a cripta dos Hohenzollern, considerada o principal cemitério dinástico da Alemanha. O espaço ficou fechado por seis anos para uma ampla restauração e agora reúne 91 sarcófagos, além de roupas, joias funerárias, esculturas de cera e outros objetos ligados à antiga nobreza prussiana. 

Localizada no subsolo da Berliner Dom, na Ilha dos Museus, às margens do rio Spree, a cripta preserva cerca de cinco séculos da história da família que consolidou o poder da Prússia e governou o Império Alemão até o fim da Primeira Guerra Mundial. Segundo reportagem do jornal argentino La Nación, a reforma foi concluída em março após seis anos de obras.

“Aconselhamos os visitantes a estarem num local especial onde devem manter o silêncio e conectar-se com a paz e o respeito pelos mortos”, afirma Birgit Walter, curadora da Catedral de Berlim.

Catedral de Berlim por Divulgação / Catedral de Berlim

A igreja foi construída entre 1894 e 1905 por ordem de Guilherme II, último imperador alemão, período em que os caixões dos Hohenzollern foram reunidos no mausoléu. A família teve papel central na formação do poder militar prussiano e na expansão do império, mas perdeu a coroa após a derrota alemã na Primeira Guerra.

A cripta sofreu danos severos durante os bombardeios britânicos da Segunda Guerra Mundial, que atingiram túmulos e a própria catedral. Após sucessivas reconstruções, o acesso ao espaço subterrâneo foi recuperado no início dos anos 2000. Em 2020, porém, a visitação foi interrompida diante do impacto anual de cerca de 765 mil visitantes, que elevavam a umidade, o calor e o risco de mofo nos artefatos.

A reforma custou 29 milhões de euros, pagos pelo Estado de Berlim e pelo Ministério Federal da Cultura e da Mídia. Entre as intervenções estão a instalação de climatização, recursos educativos e adaptações para pessoas com mobilidade reduzida e deficiência visual.

Antes de chegar aos sarcófagos, o visitante encontra um espaço introdutório com réplicas impressas em 3D. Ao tocar os desenhos, é possível acessar informações sobre os mortos, seus caixões e até dados médicos e biológicos relacionados às circunstâncias das mortes.

Na principal sala da cripta, caixões de diversos tamanhos e materiais formam fileiras. Os menores guardam os corpos de crianças da família, muitas mortas antes de completar um ano de vida. Segundo a catedral, 33 crianças foram sepultadas ali.

“Os menores correspondem ao grande número de crianças que morreram com um ano de idade ou menos, principalmente de desnutrição”, explica um dos curadores.

O que está no local

Entre os túmulos de maior porte está o do Grande Eleitor Frederico Guilherme, governante de Brandemburgo-Prússia após a Guerra dos Trinta Anos. Feito de mármore, seu caixão pesa entre 11 e 13 toneladas.

A exposição também mostra objetos retirados dos sepultamentos, como anéis, botões e pertences pessoais. “As pessoas perguntam o que há dentro dos sarcófagos, se há ossos ou roupas do falecido, e como eles são por dentro. É por isso que decidimos exibir aqui os objetos funerários — itens retirados dos túmulos que revelam algo sobre a pessoa: um anel, um botão e pertences pessoais, entre muitos outros objetos”, diz Walter.

Entre as peças exibidas estão a máscara mortuária de Frederico I, do século XVIII, e um vestido da princesa Charlotte Albertina da Prússia, que morreu aos 13 meses.

Apesar do luxo de parte dos monumentos, há membros da dinastia que escolheram caixões de madeira simples. Os materiais variam entre mármore, estanho e madeira, e os estilos percorrem períodos que vão do gótico tardio ao início do século XX.

“A peça inteira poderia ser restaurada, mas o tecido permaneceu danificado devido às duras condições climáticas a que a cripta foi exposta”, afirma Walter sobre o caixão da princesa Ana Elizabeth Luísa da Prússia, feito de carvalho, coberto por veludo vermelho e apoiado sobre patas de leão douradas.

“De modo geral, podemos dizer que o metal foi usado primeiro, e depois a madeira. Mas o estilo dependia, sobretudo, do gosto individual do príncipe ou da princesa”, acrescenta o especialista.