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Mariana Rios
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 20:14
Quase 100 acadêmicos da Universidade de Cambridge rejeitaram a resposta da instituição à crise envolvendo o professor Jason Arday e pediram uma investigação independente e transparente sobre sua contratação e permanência no cargo. A universidade anunciou que continuará apurando as circunstâncias que envolveram a nomeação do professor e que usará os resultados para revisar seus procedimentos de contratação de docentes em cargos superiores. As informações são do jornal britânico The Guardian. >
Arday, 41 anos, renunciou ao cargo na quarta-feira (5), após semanas de questionamentos sobre alegações relacionadas à sua trajetória pessoal e profissional. Ele havia sido celebrado, em 2023, como o mais jovem professor negro de Cambridge, em parte por uma história de superação marcada por dificuldades educacionais e pelo relato de que não conseguira falar até os 11 anos.>
5 histórias surpreendentes de Jason Arday
A saída, porém, não encerrou a controvérsia. Em uma carta enviada à vice-reitora de Cambridge, Deborah Prentice, os acadêmicos afirmam que é necessária uma investigação “completa e transparente” sobre as circunstâncias do episódio.>
Nesta sexta-feira (7), a Universidade de Cambridge anunciou que continuará investigando internamente as circunstâncias que levaram à contratação de Jason Arday, mas a decisão foi rejeitada pelos quase 100 professores e pesquisadores, que pedem uma apuração independente. >
O grupo, que reúne professores de diferentes áreas, quer que uma comissão independente, formada por acadêmicos de Cambridge e de outras instituições, examine o processo de contratação de Arday e a forma como a universidade lidou com as alegações de possível má conduta acadêmica.>
Os signatários também questionam se houve uma avaliação de riscos por parte da administração da universidade ao construir uma narrativa pública centrada na juventude, na raça e no potencial de transformação de Arday.>
Cambridge afirmou que continuará investigando as circunstâncias da contratação e do período em que Arday permaneceu na instituição. A universidade também informou que seu comitê de políticas de pesquisa revisará as regras sobre má conduta científica.>
Parte dos questionamentos surgiu a partir de histórias apresentadas por Arday em uma proposta de autobiografia enviada a uma editora. Entre os relatos estavam alegações sobre um grave acidente de carro, um período em coma, um diagnóstico de câncer e episódios de sua trajetória esportiva e de arrecadação de dinheiro para instituições de caridade.>
Alguns desses relatos não aparecem na versão final da autobiografia. As diferentes versões das histórias passaram a ser examinadas no contexto das demais alegações feitas sobre sua trajetória.>
A controvérsia também envolve acusações de plágio e questionamentos sobre outros episódios narrados pelo professor. Segundo o Guardian, as dúvidas abrangem desde relatos sobre corridas de resistência e campanhas de arrecadação até histórias de confrontos com homens mascarados.>
No início da crise, Cambridge havia classificado Arday como vítima de uma “campanha vil”. Depois, diante de novas informações, a universidade anunciou que faria uma investigação interna. Pouco depois, Arday renunciou ao cargo.>
Agora, os acadêmicos que assinaram a carta dizem que uma apuração interna não é suficiente. Eles também pedem que sejam examinados os impactos do caso sobre funcionários negros da universidade e criticam os comentários que consideram racistas feitos durante a repercussão do episódio.>
O Jesus College, onde Arday era fellow, decidiu encerrar um processo paralelo que havia anunciado. Como a bolsa acadêmica estava vinculada ao cargo na universidade, a renúncia também encerrou sua permanência no college.>
A Universidade de Glasgow, onde Arday foi professor de sociologia da educação entre janeiro de 2022 e março de 2023, também anunciou uma revisão de sua contratação.>