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Agência Correio
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 21:11
O que antes era apenas um conjunto de embarcações sem utilidade passou a fazer parte do ecossistema marinho de Gibraltar. Desde 1973, barcos antigos são deliberadamente colocados no fundo do mar para funcionar como estruturas de um recife artificial. >
A iniciativa, criada pelo mergulhador Eric Shaw, transformou uma área predominantemente arenosa em um ambiente com novos espaços para abrigo, alimentação e reprodução de espécies. Ao longo das décadas, mais de 30 embarcações foram incorporadas ao projeto.>
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A ideia nasceu de uma característica do fundo marinho da região. Em vários pontos próximos a Gibraltar, predominava um terreno formado por areia, com poucas estruturas capazes de oferecer proteção aos animais ou servir de superfície para organismos marinhos.>
Shaw buscava justamente criar essa complexidade sem precisar construir um recife artificial inteiramente do zero. Barcos que já não seriam utilizados passaram a cumprir essa função.>
Depois de preparados e posicionados no fundo, os cascos passaram a funcionar como uma espécie de infraestrutura submarina.>
O processo não é imediato. A embarcação primeiro oferece novas superfícies e espaços em um local que antes tinha poucas estruturas.>
Com o passar do tempo, organismos começam a ocupar o casco. Algas e outros seres marinhos podem se estabelecer nas superfícies, enquanto pequenos animais encontram proteção entre frestas, compartimentos e aberturas.>
Essa ocupação inicial favorece a chegada de outras espécies. O barco deixa, assim, de ser apenas um objeto submerso e passa a integrar uma cadeia de relações dentro do ambiente. Essa sucessão que permite o desenvolvimento de um recife artificial.>
A principal diferença está na estrutura criada pelos barcos. Um fundo de areia é relativamente uniforme. Já uma embarcação acrescenta diferentes níveis, obstáculos, espaços fechados e áreas protegidas.>
Entre os benefícios proporcionados pelas estruturas estão:>
abrigo contra predadores;>
superfícies para organismos se fixarem;>
áreas protegidas das correntes;>
esconderijos para peixes pequenos;>
locais de alimentação;>
novos espaços para diferentes espécies ocuparem.>
A presença dessas estruturas também pode aumentar a diversidade de organismos em uma região que anteriormente oferecia menos opções de abrigo.>
Os peixes menores são especialmente vulneráveis a predadores. Por isso, ambientes com fendas, buracos e obstáculos podem representar uma vantagem para esses animais.>
Um casco submerso reúne justamente esse tipo de espaço. Peixes jovens podem utilizar partes mais protegidas da estrutura enquanto organismos que vivem sobre o barco servem como fonte de alimento para outras espécies.>
Quanto mais desenvolvida fica a comunidade ao redor do casco, mais relações ecológicas podem surgir naquele ponto.>
O resultado é um ambiente que funciona quase como uma pequena vizinhança submarina: cada espécie encontra diferentes condições dentro e ao redor da estrutura.>
A criação do recife não aconteceu de uma só vez. Novas embarcações foram incorporadas ao longo dos anos, ampliando progressivamente a área ocupada pelas estruturas artificiais.>
Com mais de 30 barcos no fundo do mar, o projeto passou a oferecer uma quantidade muito maior de superfícies e esconderijos do que existia originalmente naquele ambiente.>
A transformação, porém, depende de tempo. Um barco recém-afundado não apresenta imediatamente a mesma riqueza de um recife estabelecido. A comunidade marinha se desenvolve à medida que os organismos ocupam o casco e atraem outras formas de vida.>
Transformar uma embarcação em recife artificial exige preparação. O casco não pode simplesmente ser abandonado no mar.>
Antes do afundamento, é necessário retirar substâncias e materiais que poderiam causar contaminação, como combustíveis, lubrificantes e equipamentos que possam se desprender.>
Também é preciso avaliar onde a estrutura será colocada. Profundidade, correntes, estabilidade no fundo e proximidade de habitats naturais estão entre os fatores que precisam ser considerados.>
A operação também deve levar em conta atividades humanas, como navegação e pesca.>
A experiência de Gibraltar mostra que uma estrutura criada pelo ser humano pode adquirir uma função completamente diferente depois de ser introduzida no ambiente marinho.>
Os barcos não criam um ecossistema instantaneamente, mas fornecem a estrutura física para que a colonização aconteça ao longo do tempo.>