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EUA atacam ilha no Estreito de Ormuz, e Irã reage com mísseis contra bases americanas

Primeira ofensiva americana contra o território iraniano em semanas atingiu lançadores na ilha de Larak, perto de uma das principais rotas de petróleo do mundo; Teerã promete retaliação

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Foto do(a) author(a) Estadão
  • Mariana Rios

  • Estadão

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 10:27

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima entre o Irã e Omã que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima entre o Irã e Omã que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico Crédito: Shutterstock

O Irã atacou bases militares dos Estados Unidos na Jordânia e lançou drones contra uma instalação americana nos Emirados Árabes Unidos nesta segunda-feira (31), em retaliação a uma ofensiva dos EUA contra a Ilha de Larak, no Estreito de Ormuz. O ataque americano, realizado no domingo (30), foi o primeiro contra o território iraniano em cerca de um mês e rompeu uma pausa nos combates entre os dois países.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter disparado mísseis balísticos contra as bases King Hussein e Al-Azraq, na Jordânia, e lançado dezenas de drones contra a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo o grupo, as instalações eram utilizadas para apoiar as operações americanas contra o Irã.

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica localizada entre o Irã e Omã , ligando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico por Shutterstock

A Jordânia afirmou ter interceptado oito mísseis que entraram em seu espaço aéreo. Não houve registro de feridos nas bases, segundo as autoridades jordanianas.

A IRGC também afirmou ter derrubado um drone americano MQ-9 Reaper sobre o Estreito de Ormuz. A informação foi divulgada pela mídia estatal iraniana e não havia sido confirmada de forma independente.

Por que os EUA atacaram Larak

Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), a operação atingiu dois lançadores de foguetes iranianos instalados em Larak. Washington afirmou que os equipamentos estavam sendo preparados por integrantes da Guarda Revolucionária para lançar foguetes com minas marítimas no Estreito de Ormuz.

O governo americano classificou a ação como “limitada” e “precisa” e disse que o objetivo era eliminar uma ameaça considerada iminente à navegação comercial no estreito, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.

O governo iraniano, por outro lado, classificou o ataque como uma violação direta de sua soberania e integridade territorial. Teerã afirmou que a ofensiva provocou mortes e ferimentos entre militares e civis e prometeu responder.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que as Forças Armadas do país não hesitarão em exercer o que chamou de “direito inerente de legítima defesa” e que responderão “decisivamente” a qualquer nova agressão americana.

Trump publica vídeo de Kharg, mas ataque foi em Larak

A escalada também foi acompanhada por uma disputa sobre o alvo dos ataques. O presidente americano, Donald Trump, publicou nas redes sociais um vídeo gerado por inteligência artificial que supostamente mostrava a Ilha de Kharg, importante centro de exportação de petróleo do Irã, sendo destruída.

Um funcionário da Defesa dos EUA, porém, esclareceu que a operação americana havia atingido exclusivamente posições da Guarda Revolucionária em Larak e não Kharg. As duas ilhas ficam a mais de 600 quilômetros de distância uma da outra.

O presidente da estatal petrolífera iraniana, Hamid Bovard, classificou como “risíveis” as afirmações de Trump sobre a destruição de Kharg. Segundo ele, as operações de petróleo no terminal continuavam e trabalhadores atuavam na recuperação e modernização das instalações.

Irã diz que não quer guerra

Apesar da nova rodada de ataques, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã ainda busca uma solução negociada para o conflito com os Estados Unidos.

Em encontro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, à margem da cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), no Quirguistão, Pezeshkian disse que a guerra “não é do interesse de ninguém”.

“A razão e a lógica determinam que evitemos a guerra e o belicismo”, afirmou, segundo texto publicado no Telegram. O presidente iraniano defendeu o diálogo e a cooperação como caminhos para solucionar a crise, mas também disse que o Irã não ficará parado diante de uma agressão e dará uma resposta decisiva se for atacado.

Petróleo sobe com nova escalada

A retomada dos ataques também repercutiu nos mercados. O petróleo Brent, referência internacional, superou os US$ 90 por barril nesta segunda-feira, enquanto o petróleo americano também avançou. O movimento ocorre em meio às preocupações sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela importante do comércio mundial de petróleo.

O Irã afirmou ainda que um superpetroleiro teria pegado fogo após ser atingido por duas minas marítimas no Estreito de Ormuz. A informação foi atribuída à Guarda Revolucionária e não havia confirmação independente.

UE mantém pressão, mas pede desescalada

A União Europeia afirmou nesta segunda-feira (31) que continuará trabalhando com os Estados Unidos, os demais países do G7 e parceiros internacionais para manter a pressão sobre o Irã, mas também defendeu medidas para reduzir a escalada.

Em comunicado divulgado durante as reuniões do G20, o bloco cobrou que Teerã contenha seus programas nuclear e de mísseis balísticos, interrompa atividades consideradas desestabilizadoras e encerre o apoio militar à Rússia na guerra contra a Ucrânia.

Ao mesmo tempo, a UE defendeu a continuidade dos esforços diplomáticos para alcançar um acordo de paz e garantir a “plena liberdade de navegação e trânsito seguro” pelo Estreito de Ormuz.

Bruxelas também apoiou o aumento da pressão econômica sobre Teerã, incluindo a chamada “Operação Expulsão Econômica”, liderada pelos Estados Unidos, e afirmou estar preparada para adotar novas sanções se necessário.

Tags:

Eua Guerra Oriente Médio Ormuz