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Fumaça de incêndios no Canadá cobre cidades dos EUA e provoca alertas de saúde

Nova York, Chicago, Detroit e Washington DC registraram alguns dos piores índices de poluição do mundo; autoridades recomendam uso de máscaras e evitar atividades ao ar livre

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Foto do(a) author(a) Estadão
  • Mariana Rios

  • Estadão

Publicado em 17 de julho de 2026 às 18:34

Fumaça de incêndios florestais no Canadá atinge cidades do país e dos EUA
Fumaça de incêndios florestais no Canadá atinge cidades do país e dos EUA Crédito: Reprodução

A fumaça provocada pelos incêndios florestais no Canadá voltou a encobrir parte dos Estados Unidos desde quinta-feira (16), deixando o céu acinzentado e, em alguns locais, com tons alaranjados e amarelados. O fenômeno reduziu a visibilidade, deteriorou a qualidade do ar e levou autoridades a emitirem alertas para que a população evitasse atividades ao ar livre.

Na manhã desta sexta-feira (17), o monitor da IQAir apontava Detroit, Chicago, Washington DC e Nova York entre as quatro cidades com o ar mais poluído do mundo.

A maior parte da fumaça tem origem nos incêndios que atingem o Canadá, embora focos ativos também queimem no norte de Minnesota. De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, um sistema persistente de alta pressão manteve a fumaça próxima ao solo, agravando a situação.

"Ela chegou com força e os níveis estão realmente extremos", afirmou o meteorologista Steven Freitag, de Detroit. Em algumas regiões, a visibilidade caiu para cerca de 800 metros.

Qualidade do ar atinge níveis perigosos

Pelo menos dez cidades americanas estavam sob alerta por qualidade do ar considerada perigosa. Em regiões como Detroit e Chicago, os índices variavam entre "muito insalubre" e "perigoso", classificação que indica riscos para toda a população, não apenas para pessoas com doenças respiratórias.

As autoridades orientaram moradores a permanecerem em ambientes fechados sempre que possível e a utilizarem máscaras de alta filtragem, como N95 e KN95, ao sair de casa.

Segundo especialistas, as partículas microscópicas presentes na fumaça conseguem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, aumentando o risco de doenças respiratórias, cardiovasculares e outros problemas crônicos de saúde.

Um estudo publicado neste ano estimou que a exposição prolongada à fumaça de incêndios florestais esteja associada, em média, a 24,1 mil mortes anuais nos 48 estados continentais dos EUA.

Céu amarelo e fumaça podem durar meses

Em Saint Paul, no estado de Minnesota, moradores relataram um céu com brilho amarelado. Especialistas alertam que a fumaça pode continuar retornando por semanas ou até meses, dependendo da direção dos ventos e da duração dos incêndios.

O meteorologista Jake Petr explicou que, mesmo com a chegada de ventos capazes de limpar temporariamente o céu, novas ondas de fumaça devem voltar enquanto os focos permanecerem ativos. A expectativa é de que a situação só melhore de forma definitiva com a chegada da neve no Canadá e no norte de Minnesota.

Nova York distribui máscaras e altera rotina

Na região de Nova York, uma espessa névoa alaranjada cobriu o horizonte de Manhattan. Como medida de precaução, autoridades abriram centros de resfriamento, distribuíram dezenas de milhares de máscaras em estações de transporte e transferiram atividades escolares e eventos para ambientes fechados.

Na Filadélfia, o departamento de saúde também recomendou que moradores evitassem exercícios intensos ao ar livre.

"Hoje não é o dia para começar seu plano de treinamento para uma maratona", afirmou a comissária de Saúde Pública da cidade, Palak Raval-Nelson.

Incêndios continuam avançando

Enquanto isso, os incêndios seguem se espalhando em áreas de floresta entre os Estados Unidos e o Canadá. Em Minnesota, equipes de resgate continuam procurando pessoas em regiões remotas após o fechamento da área de Boundary Waters, na fronteira entre os dois países.

A fumaça também tem dificultado o trabalho de helicópteros e aeronaves de combate ao fogo.

Segundo dados oficiais canadenses, os incêndios já devastaram cerca de 1,9 milhão de hectares em 2026. Embora a área seja menor que a registrada nos anos de 2023 e 2025, autoridades alertam que muitos focos devem permanecer ativos até o outono e só serão completamente controlados com a chegada da neve.

Tags:

Eua Saúde Canadá