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Mariana Rios
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 19:11
O professor negro mais jovem da história da Universidade de Cambridge foi encontrado morto nesta sexta-feira (14), em sua casa, no sul de Londres, uma semana depois de renunciar ao cargo em meio a acusações de plágio e questionamentos sobre sua trajetória acadêmica. Jason Arday tinha 41 anos. >
Segundo a polícia metropolitana de Londres, agentes foram chamados ao endereço pouco depois das 15h. Um homem de 41 anos foi encontrado sem vida no local. A morte é considerada inesperada, mas não é tratada como suspeita, e a polícia informou que, até o momento, não acredita que outra pessoa tenha participado do episódio. As informações são do jornal britânico The Guardian.>
5 histórias surpreendentes de Jason Arday
Arday havia sido nomeado professor de sociologia da educação em Cambridge em 2023 e se tornou, aos 37 anos, o mais jovem professor negro da história da instituição. Sua trajetória até uma das universidades mais prestigiadas do mundo havia sido marcada por uma narrativa de ascensão acadêmica pouco comum.>
Ele deixou o cargo na semana passada, depois que Cambridge anunciou uma investigação interna sobre novas informações relacionadas às suas qualificações acadêmicas, nomeações honorárias e reclamações de possível má conduta acadêmica. O Jesus College, onde Arday era membro, também abriu uma investigação, enquanto a Universidade de Glasgow, onde ele havia trabalhado, anunciou que examinaria suas credenciais.>
Uma das principais controvérsias envolvia a tese de doutorado de Arday. Ele havia sido acusado de plagiar o trabalho de outro acadêmico, mas negou as acusações. Uma investigação conduzida pela Liverpool John Moores University neste ano manteve a decisão de conceder a ele o título de doutor.>
Com o avanço das denúncias, porém, outros aspectos de sua carreira e de sua história pessoal passaram a ser questionados. Entre eles estavam afirmações sobre trabalhos de arrecadação de dinheiro para instituições de caridade, feitos esportivos e sua infância.>
Cambridge inicialmente defendeu Arday diante das acusações, mas anunciou posteriormente uma investigação após receber “novas informações” sobre sua trajetória acadêmica. A universidade havia dito que ele permaneceria no cargo e continuaria recebendo apoio, mas o professor decidiu renunciar imediatamente.>
Após a morte, a família de Arday afirmou que ele havia sido submetido a uma campanha de abusos e desinformação durante mais de três anos, desde que assumiu o posto em Cambridge. Os familiares disseram que a pressão havia sido intensa e pediram que a imprensa respeitasse a privacidade da família.>
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, também afirmou que Arday havia sido alvo de uma campanha pública de ataques e classificou sua morte como uma tragédia. As declarações da família e do prefeito, porém, não estabelecem que a controvérsia acadêmica tenha causado a morte. A polícia informou que o caso será encaminhado ao legista.>
Antes de chegar a Cambridge, Arday construiu uma carreira acadêmica que chamou atenção pela trajetória de superação. Ele dizia ter sido não verbal até os 11 anos e analfabeto até os 18. Mais tarde, concluiu um doutorado em educação, em 2015, e passou por diferentes universidades britânicas antes de chegar a Cambridge.>
Sua nomeação como professor em 2023 foi apresentada como um marco de diversidade em uma das instituições acadêmicas mais tradicionais do Reino Unido. >