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Carol Neves
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 13:25
A grega Christina Rapti-Tzelepi, de 54 anos, deu à luz uma menina nesta quarta-feira (9) a partir de um embrião congelado há mais de 22 anos. O nascimento, ocorrido no limite da idade permitida no país para tratamentos de fertilização in vitro, pode representar o maior intervalo já registrado entre a criopreservação de um embrião e o parto. >
A bebê nasceu saudável, com 3,490 kg, após a transferência de um embrião preservado em 17 de março de 2004. Naquele ano, Christina também engravidou por fertilização in vitro pela primeira vez.>
A decisão de recorrer aos embriões restantes veio após a morte do filho do casal, de 21 anos, em um acidente de carro em outubro de 2025. “Houve luto e alegria, mas tudo desapareceu esta manhã quando tivemos nossa pequena nos braços”, afirmou Christina à emissora pública ERT.>
Mulher usou embrião congelado há 22 anos para ter filha
O procedimento precisou ser concluído antes que ela atingisse a idade máxima de 54 anos estabelecida pela legislação grega para reprodução assistida. Além dos tratamentos médicos, a família obteve autorização da Autoridade Nacional de Reprodução Assistida.>
Segundo o ginecologista Konstantinos Pantos, responsável pelo caso e secretário-geral da Sociedade Helênica de Medicina Reprodutiva, passaram-se 22 anos, cinco meses e 23 dias entre o congelamento e o nascimento. O médico afirma que o período supera marcas anteriores registradas no Japão, de 18 anos e três meses, e em Israel, de 17 anos.>
A criopreservação mantém os embriões em temperaturas muito baixas, suspendendo a atividade biológica e permitindo o uso posterior do material, inclusive décadas depois.>
O caso também reabriu na Grécia a discussão sobre o limite de idade para tratamentos de fertilização. Marido de Christina, Konstantinos Raptis defendeu o fim da restrição. “As mulheres mais velhas têm uma capacidade imensurável de oferecer um amor maduro, consciente e incondicional, assim como uma estabilidade que nenhuma estatística será capaz de medir plenamente”, declarou.>
Pantos disse que o nascimento deve contribuir para esse debate. “O nascimento da filha de Christina Rapti-Tzelepi representa um avanço clínico e científico de grande relevância. Ao mesmo tempo, é uma história de resiliência, amor e esperança — uma história que abordamos com o máximo respeito pela trajetória pessoal da família”, afirmou.>