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Nasceu princesa, viveu o exílio e nunca foi rainha: a história de Astrid da Noruega

Princesa Astrid, que morreu nesta sexta aos 94 anos, virou primeira-dama após a morte da mãe e representou o país por sete décadas

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 22:24

A vida da princesa Astrid da Noruega
A vida da princesa Astrid da Noruega Crédito: Reprodução/Corte Real da Noruega

À primeira vista, a vida da princesa Astrid da Noruega poderia parecer saída de um conto de fadas: nasceu em uma família real, cresceu cercada por palácios, casou-se com um homem escolhido para dividir sua vida e passou décadas representando a monarquia. Mas a trajetória da princesa, que morreu nesta sexta-feira (11), aos 94 anos, também foi marcada por guerra, perdas familiares e uma vida inteira dedicada ao dever público.

Astrid morreu apenas dois dias depois de participar do funeral de seu irmão, o rei Harald V. A Casa Real norueguesa informou a morte e destacou que ela manteve compromissos oficiais até o fim da vida.

Princesa Astrid da Noruega em 1935  por Reprodução/Corte Real Noruega

Nascida em 1932, Astrid era filha do então príncipe Olav e da princesa Märtha. Ainda criança, em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, deixou o país junto com a família real norueguesa após a invasão alemã.

Aos 22 anos, outra tragédia mudou seu destino. A mãe morreu em 1954, e Astrid assumiu a função de primeira-dama da Noruega. Durante 14 anos, acompanhou o pai, o rei Olav V, em viagens e compromissos oficiais, participou de cerimônias e recebeu convidados em eventos da família real.

O papel não terminou quando o irmão Harald se casou, em 1968. A partir daí, a princesa Sonja assumiu a função de primeira-dama, mas Astrid continuou representando a Noruega e a família real em compromissos públicos. Segundo a Casa Real, ela manteve atividades oficiais e seus compromissos com organizações das quais era patrona ao longo da vida.

A vida pessoal também teve um capítulo que fugia do roteiro tradicional das famílias reais. Em 1960, Astrid ficou noiva de Johan Martin Ferner, velejador e medalhista olímpico - e divorciado, fato que gerou resistência da Igreja do país.

Eles se casaram em janeiro de 1961 e tiveram cinco filhos. Ferner morreu em 2015.

Ao longo das décadas, Astrid passou a ser uma presença constante na vida pública norueguesa. A Casa Real destaca especialmente sua preocupação com pessoas em situação de vulnerabilidade. Ela também presidiu o Fundo Memorial da Princesa Herdeira Martha, que apoia iniciativas sociais e humanitárias.

A princesa era ainda conhecida pelo bom humor e pela disposição para contar histórias. Tinha uma memória considerada excepcional e costumava compartilhar lembranças detalhadas da infância e dos anos da guerra, segundo a própria Casa Real.

Astrid acompanhou três gerações de reis: seu avô, Haakon VII; seu pai, Olav V; e seu irmão, Harald V. Em 2002, ao completar 70 anos, recebeu uma pensão honorária do governo norueguês em reconhecimento ao trabalho realizado em nome do país e da família real.

Tags:

Noruega Princesa Astrid