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Pais que ficam no celular durante conversas com os filhos podem aumentar sensação de rejeição e ansiedade, indica estudo

Pesquisa foi feita com 600 adolescentes

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 08:46

Filhos percebem pais mexendo no celular
Filhos percebem pais mexendo no celular Crédito: Reprodução

O celular pode estar presente até nos momentos em que pais e filhos dividem o mesmo ambiente, mas a atenção não. Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Psychology indicou que adolescentes que percebem os responsáveis frequentemente distraídos por dispositivos eletrônicos tendem a relatar maior insegurança no vínculo familiar.

A pesquisa ouviu 600 jovens dos Estados Unidos, com idades entre 12 e 17 anos, e analisou como eles enxergam a disponibilidade dos cuidadores durante o uso de celulares e outros aparelhos. Os resultados mostraram uma associação entre a percepção de distração dos pais e padrões de apego inseguro, tanto ansioso quanto evitativo.

Fotos, vídeos e áudios recebidos em aplicativos de mensagens podem se acumular e ocupar espaço no aparelho. por Reprodução/Wikimedia Commons

O trabalho foi divulgado em junho e se debruçou sobre um comportamento conhecido como “phubbing”, expressão usada para descrever o ato de ignorar alguém que está por perto para dar atenção ao telefone. Na relação entre pais e filhos, o fenômeno também é chamado de interferência tecnológica.

Para medir essa percepção, os adolescentes responderam a perguntas sobre situações cotidianas, como sentir que o responsável não dava atenção suficiente por causa do celular, parecia desligado em eventos importantes ou não largava o aparelho quando eles buscavam conversa.

Entre as afirmações avaliadas no questionário estavam a sensação de ser ignorado durante o uso do dispositivo e de se sentir pouco importante quando o cuidador não interrompia a navegação para ouvir o filho.

Segundo os pesquisadores, pontuações mais altas nessa escala apareceram associadas a maior apego ansioso e evitativo, tanto em relação a figuras maternas quanto paternas. O apego ansioso costuma envolver medo de rejeição e busca intensa por confirmação afetiva; já o evitativo está ligado ao distanciamento emocional e à dificuldade de confiar na disponibilidade do outro.

A pesquisa, porém, não permite afirmar que o celular dos pais seja a causa direta dessa insegurança. Os próprios autores ressaltaram que o levantamento foi baseado na percepção dos adolescentes e feito em um único momento, sem acompanhar as famílias ao longo do tempo. Também é possível que jovens já mais inseguros estejam mais atentos à falta de disponibilidade dos responsáveis.

Ainda assim, o estudo chama atenção para o peso que interrupções repetidas, mesmo breves, podem ter nas relações familiares. Os autores destacaram que a distração por telas é socialmente comum e está inserida em interações diárias, o que torna a atenção dos pais um elemento importante para a sensação de conexão dos adolescentes.

A pesquisa foi conduzida por especialistas de instituições dos Estados Unidos e publicada na Frontiers in Psychology. O estudo completo pode ser consultado aqui.