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Reitor de Cambridge denuncia ‘frenesi racista’ após morte de professor

Jason Arday, de 41 anos, morreu dias depois de deixar a universidade em meio a acusações de plágio; família denunciou campanha de perseguição

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 15:13

Professor Arday, filho de imigrantes ganeses, nomeado para Cambridge em 2023
Professor Arday, filho de imigrantes ganeses, nomeado para Cambridge em 2023 Crédito: Reprodução/X

O reitor da Universidade de Cambridge Chris Smith criticou nesta segunda-feira (17) o que classificou como um “frenesi racista” em torno do professor Jason Arday, morto aos 41 anos, dias depois de deixar a instituição em meio a acusações de plágio. A declaração foi dada à BBC Radio.

Smith afirmou que é possível defender a importância da integridade acadêmica e, ao mesmo tempo, exigir uma investigação rigorosa de acusações de plágio. Segundo ele, porém, isso não deveria significar participar de um “frenesi racista” contra um determinado acadêmico. O reitor não citou Arday nominalmente na declaração, mas a manifestação ocorreu no contexto da repercussão sobre o professor, cuja morte foi anunciada na última sexta-feira (14).

Arday havia se tornado, em 2023, o mais jovem professor negro da história de Cambridge. Professor de sociologia da educação, ele deixou o cargo em 5 de agosto, após acusações de plágio em trabalhos acadêmicos e questionamentos sobre outros aspectos de sua trajetória. Ele negava ter cometido plágio, embora reconhecesse erros em parte de seu trabalho acadêmico.

A controvérsia havia provocado forte exposição pública do professor nas semanas anteriores à morte. A família de Arday afirmou que ele vinha sendo submetido a uma “campanha de perseguição” e disse que uma campanha de desinformação havia sido “demais” para ele. Os familiares pediram para que fossem deixados em paz e parasse o que classificaram como uma campanha de assédio.

Arday afirmou ter sobrevivido a um acidente de carro que o deixou em coma e fez seu coração parar por cerca de dois minutos por Reprodução/X

Pronunciamento oficial de Cambridge

No sábado (15), a vice-reitora da universidade, Deborah Prentice, publicou uma mensagem dirigida a estudantes e funcionários de Cambridge após a confirmação da morte de Arday. No comunicado, ela afirmou estar “profundamente entristecida” com a notícia e apresentou condolências à família e aos amigos do professor.

A mensagem se concentra no luto e na contribuição de Arday para a comunidade acadêmica. A manifestação de Prentice ocorreu enquanto a universidade já havia anunciado uma investigação sobre as circunstâncias da nomeação e do período de Arday em Cambridge.

Cambridge havia inicialmente defendido Arday diante das acusações de plágio, lembrando que uma investigação anterior realizada pela Liverpool John Moores University, responsável por conceder seu doutorado, havia concluído que ele não havia cometido plágio. Posteriormente, a universidade anunciou uma nova investigação após receber “novas informações” sobre as qualificações acadêmicas e nomeações honorárias do professor.

A morte de Arday não é tratada pela polícia como suspeita. O caso foi encaminhado ao legista, que deverá determinar as circunstâncias e a causa da morte.

Estão programadas vigílias em Londres e Cambridge para o ex-professor de sociologia da educação. Ele renunciou ao cargo em 5 de agosto, depois que acusações de plágio e questionamentos sobre informações de seu currículo passaram a ganhar espaço na imprensa britânica.

Em sua carta de renúncia, afirmou que as acusações, especulações e comentários públicos haviam provocado um impacto profundo sobre ele e pessoas próximas.

Tags:

Cambridge Plágio Jason Arday