Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Mariana Rios
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 11:54
A seca prolongada que atinge a Holanda está afetando a produção de mel e aumentando a preocupação entre os apicultores. Com a falta de chuva, muitas plantas florescem por menos tempo ou sequer chegam a produzir flores, reduzindo a quantidade de néctar disponível para as abelhas. >
Segundo a NOS, emissora pública dos Países Baixos, a situação é especialmente grave nas áreas de solo arenoso e seco do leste do país, onde começou recentemente a temporada de produção de mel de urze, uma planta de pequenas flores roxas muito visitada pelas abelhas. O período é tradicionalmente importante para os apicultores, mas a expectativa para este ano é de uma colheita abaixo do normal.>
Abelhas: pequenas no tamanho, gigantes para o equilíbrio ambiental
Para os criadores amadores, que representam cerca de 95% da apicultura holandesa, o momento exige atenção redobrada. O apicultor John Hoogendoorn, secretário da Associação Profissional de Apicultores da Holanda, afirmou à NOS que os enxames precisam ser acompanhados semanalmente para que os produtores consigam reagir às mudanças nas condições.>
A falta de alimento também interfere no desenvolvimento das colmeias. A apicultora Frauke Wessel relatou que as abelhas continuam levando alimento para dentro das caixas, mas os favos já não estão sendo preenchidos com a mesma intensidade. Segundo ela, até a rainha está colocando menos ovos porque o enxame recebe pouco alimento.>
O problema é que o mel produzido durante o verão funciona como reserva para o inverno. Como a seca impede que as abelhas armazenem quantidade suficiente, os apicultores estão recorrendo a uma solução emergencial: alimentar os insetos com açúcar dissolvido em água.>
Hoogendoorn estima que precisará fornecer cerca de 15 quilos de açúcar por colmeia neste ano para compensar a falta de mel - quantidade superior à dos anos anteriores.>
O calor também está alterando o calendário das abelhas. De acordo com Joris Knoops, da Associação Holandesa de Apicultores, a espécie normalmente permanece ativa entre o fim de fevereiro e meados de setembro, mas as temperaturas mais altas estão fazendo com que a temporada comece mais cedo e termine mais tarde.>
Em algumas regiões, porém, a atividade prolongada não significa mais alimento. Na Strabrechtse Heide, área de charneca no sudeste do país, Knoops encontrou vegetação seca e poucas flores de urze, que normalmente ficam roxas nessa época do ano. Apicultores que estavam com ele disseram nunca ter visto uma seca tão extrema no local.>
A situação afeta ainda outros insetos. O biólogo Jan Wieringa afirmou à NOS que há poucas flores em áreas de charneca, dunas e margens de estradas, o que significa menos néctar para abelhas silvestres, moscas e vespas. Insetos que dependem de água, como libélulas, também sofrem com o ressecamento de lagoas e outros ambientes onde se reproduzem.>
Apesar da queda na produção de mel de verão, alguns apicultores tiveram uma boa colheita na primavera, favorecida pelo início precoce do período quente. As abelhas também são consideradas capazes de se adaptar a diferentes condições climáticas.>
Para os produtores, no entanto, a seca é apenas uma das ameaças. A NOS destaca ainda a expansão da vespa-asiática, espécie invasora que predam abelhas e representa um risco adicional para as colmeias.>