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Estadão
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 11:55
Um tribunal sírio condenou nesta terça-feira (11) à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad e seu irmão mais novo, Maher, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante o conflito de 14 anos no país, que deixou cerca de meio milhão de mortos. >
As sentenças, proferidas pelo 4º Tribunal Criminal de Damasco, são as primeiras contra Assad ou integrantes de seu círculo mais próximo desde o fim de cinco décadas de poder da família Assad, há 20 meses.>
"Bashar al-Assad usou órgãos do Estado para cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade", disse o juiz Fakhareddine al-Aryan durante a sessão, transmitida ao vivo pela TV estatal.>
No mesmo processo, também foi condenado à morte Atef Najib, primo materno de Assad, considerado culpado de supervisionar a repressão na província sulista de Daraa, que desencadeou o levante e, mais tarde, a guerra civil. Sob forte esquema de segurança, Najib permaneceu em uma cela, vestindo uniforme de prisioneiro, enquanto o juiz lia a sentença. Um grupo de pessoas se reuniu do lado de fora do tribunal, no centro de Damasco, para acompanhar o veredito.>
Assad e Maher fugiram para a Rússia após a queda do governo, em dezembro de 2024, e receberam asilo político. Os novos governantes sírios pediram a Moscou que entregue os irmãos.>
Najib, alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA em abril de 2011, foi detido posteriormente e é um dos integrantes de mais alto escalão do antigo governo a ser levado a julgamento. >
Ex-brigadeiro-general do Exército sírio, ele chefiou o braço de Segurança Política em Daraa em 2011, quando adolescentes que picharam mensagens contra o governo em uma escola foram presos e torturados - caso que se tornou um estopim para protestos em massa.>
A repressão aos protestos levou à escalada do conflito e à guerra civil, encerrada com a queda de Assad após uma ofensiva relâmpago de rebeldes.>
Maher al-Assad foi comandante da 4ª Divisão Blindada do Exército sírio, acusada por ativistas da oposição de assassinatos, tortura, extorsão e tráfico de drogas, além de manter seus próprios centros de detenção. >