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Mariana Rios
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 15:06
Um dos naufrágios mais curiosos já encontrados no Mar Báltico ganhou um novo capítulo. Após meses de pesquisas, mergulhadores da equipe polonesa Baltictech anunciaram que as garrafas de champanhe encontradas em uma embarcação do século 19 foram produzidas pela tradicional maison francesa Louis Roederer para a corte do czar Alexandre II, da Rússia. Mais do que um carregamento de bebidas finas, porém, a carga pode representar uma missão diplomática que ajudou a restabelecer as relações entre potências europeias após a Guerra da Crimeia. >
A embarcação foi descoberta em julho de 2024, ao sul da ilha sueca de Öland, praticamente intacta e com a carga preservada após cerca de 170 anos submersa. Além de aproximadamente cem garrafas de champanhe, o navio transportava água mineral Selters — considerada um artigo de luxo na época —, porcelanas inglesas, vinho, instrumentos científicos, couros e, possivelmente, até meteoritos raros destinados ao imperador russo.>
12 curiosidades sobre o naufrágio que preservou um champanhe por 170 anos no fundo do Mar Báltico
Durante o inverno europeu, os pesquisadores reuniram documentos históricos e obtiveram autorização das autoridades suecas para iniciar uma investigação oficial do naufrágio. O trabalho contou com a colaboração do Instituto de Pesquisa em Arqueologia Marítima (MARIS), da Universidade de Södertörn, e do Conselho Administrativo do Condado de Blekinge, responsável pela proteção do patrimônio subaquático sueco.>
A equipe de mergulho técnico Baltictech, da Polônia, responsável pela descoberta no fundo do Mar Báltico, informou que o naufrágio permaneceu praticamente inalterado desde a descoberta. O local passou a receber proteção especial das autoridades suecas, que monitoram qualquer atividade na área para evitar saques ou danos ao patrimônio histórico.>
Como parte da investigação, algumas garrafas foram enviadas para a sede da Louis Roederer, na cidade francesa de Reims. A análise revelou que o champanhe foi produzido por volta de 1850 e apresenta características compatíveis com bebidas elaboradas especialmente para a corte imperial russa. De acordo com a empresa, o líquido contém cerca de 110 gramas de açúcar por litro — bem mais doce que os espumantes atuais — e aproximadamente 12% de teor alcoólico. O dado mais surpreendente é que a bebida continua própria para consumo graças às condições excepcionais de conservação no fundo do Mar Báltico.>
Os mergulhadores entregaram oficialmente outras três garrafas à maison francesa para estudos mais aprofundados. O diretor de produção da Louis Roederer, Jean-Baptiste Lécaillon, classificou o reencontro das garrafas históricas como um "Welcome Home" ("Bem-vindas para casa"), marcando o início de uma parceria entre a empresa e os pesquisadores para desvendar a história completa da embarcação.>
Além da análise das garrafas, a equipe cruzou documentos da Louis Roederer, registros marítimos e informações sobre os demais itens transportados. A principal hipótese é que a embarcação tenha partido de Hamburgo com destino a São Petersburgo entre o fim de 1856 e o início de 1857, levando presentes enviados pelo então Ducado de Nassau ao czar Alexandre II.>
Se confirmada, a teoria coloca o naufrágio em um contexto histórico muito mais amplo. O envio da carga teria ocorrido logo após o fim da Guerra da Crimeia (1853-1856), conflito que interrompeu boa parte do comércio entre a Rússia e a Europa Ocidental. A remessa de produtos de luxo simbolizaria a retomada das relações diplomáticas e comerciais em um período de reconstrução política no continente.>
Os pesquisadores também destacam que a Louis Roederer já mantinha uma estreita relação com a corte russa. Registros históricos mostram que a Rússia era um dos principais mercados da marca e que centenas de milhares de garrafas foram exportadas para o país na década de 1850. Anos depois, em 1876, a maison criaria o famoso champanhe Cristal exclusivamente para atender aos pedidos da família imperial russa.>
Apesar dos avanços, a identidade da embarcação ainda não foi oficialmente revelada. A equipe pretende localizar novos vestígios, como o sino do navio e outros objetos descritos nos registros históricos, antes de confirmar sua origem.>
Enquanto isso, as pesquisas continuam. A Baltictech negocia a produção de uma série documental internacional sobre a descoberta, que poderá revelar novos detalhes sobre o comércio de produtos de luxo, as relações diplomáticas da Europa do século 19 e os mistérios ainda escondidos no fundo do Mar Báltico.>
Collection 244/245: R$ 500 a R$ 800 >
Vintage Brut: R$ 800 a R$ 1.500>
Cristal: R$ 2.500 a R$ 5.000 (ou mais, dependendo da safra)>
As garrafas encontradas no Mar Báltico não têm preço de mercado: são consideradas relíquias históricas e podem valer centenas de milhares de reais em avaliações especializadas.>