50 tons de Lula e ainda nenhuma voz do PT nos debates presidenciais

malu fontes
13.08.2018, 05:00:00
Atualizado: 13.08.2018, 08:38:26

50 tons de Lula e ainda nenhuma voz do PT nos debates presidenciais

A menos de dois meses da eleição, a militância do PT pode até torcer o nariz para Ciro Gomes, mas é difícil desconstruir a metáfora que o candidato do PDT criou para descrever o malabarismo petista de fingir, para o eleitorado, que Lula é, sim, o candidato do partido que estará com a foto na urna eletrônica nas eleições de outubro. Segundo Ciro, essa insistência em fingir que Lula é o candidato é um convite ao eleitor para uma valsa à beira do abismo, dadas as chances disso contribuir para eleger um acidente político.

Até as libélulas sabem que o Poder Judiciário não vai permitir que Lula esteja na eleição. E como entre a fabulação do PT e o eleitor há a vida real, como é possível que um partido com uma participação tão importante nas últimas décadas da vida do Brasil possa se dar ao luxo de, diariamente, vir perdendo, ou deixando de ganhar, milhões de eleitores que estão sendo disputados no grito por todos os outros candidatos à Presidência que já botaram a cara na rua há muito tempo?

Ventríloquo
É claro que nenhum petista vai assumir publicamente, mas quem há de negar, nas prosas de alcova, que é um desrespeito e tanto a uma figura pública como Fernando Haddad, vê-lo sendo tratado como um ventríloquo ou poste, em nome de Lula? Nos posts da militância nas redes sociais, veem-se imagens com o rosto do ex-presidente em destaque e, ora como sombras, ora ladeadas, a imagem do próprio Haddad e de Manuela D’Ávila, com as aspas: “se não deixarem eu falar, eu falarei pela boca de vocês”. Embora diga-se que Lula é maior do que o PT e o petismo, dignidade deveria ter limites e essas aspas não significam outra coisa senão dizer que os dois não falarão suas próprias convicções, mas as de Lula. Se isso não é chamá-los de ventríloquos, então desenhem o que é.

Do mesmo modo, é uma mistura de ofensa pessoal a Haddad com suicídio político partidário sonhar, a essa altura do campeonato político, que a herança eleitoral de Lula sobrevivente à hecatombe do impeachment ou à narrativa do golpe (cada um que escolha sua tese e argumente com seus interlocutores) vai migrar automaticamente como manada aos 45 do segundo tempo para o candidato-poste que Lula indicar e Gleisi Hoffmann, sua porta-voz oficial, anunciar.

Senhor Lula
Todo mundo gargalha quando o histriônico orgânico Cabo Daciolo anuncia na TV que vai ser eleito presidente da República pela honra e glória do Senhor Jesus. Segundo ele, sua eleição é a concretização inevitável de uma profecia divina anunciada diretamente a ele por Cristo. Ora, a tese do PT para eleger o próximo presidente não é muito diferente, não. Troque-se a profecia de Daciolo pela vontade de Lula e Gleisi e pelas vozes poderosas do PT e dá no mesmo. Eles acreditam divinamente (a tal valsa no abismo a que se refere Ciro) que se pode profetizar a eleição de Lula e de quem ele profetizar. Enquanto isso, se brinca de chapa de faz de conta com 3 nomes, que Lula estará sim na urna caminhando com dois vices, crê-se nas cenas de creme dental do casal Haddad/Manu e no apelo de sua beleza como se fossem um par romântico das novelas de Manoel Carlos. E mais: chegam a acreditar na compreensão e funcionalidade das expressões tríplex e ménage à trois nos corações e mentes dos órfãos de Lula do Brasil profundo. 

Assim, pela honra e pela glória do Senhor Lula, bastará uma sessão mediúnica na véspera da eleição, para o mar vermelho de eleitores conduzir às urnas e pela 5ª vez consecutiva o eleito do PT para a Presidência. Mas o caminho do voto lulista até a urna não será essa maravilha toda. Apesar da militância distribuindo máscaras de papel de Lula, crente na fabulação da chapa tríplex, e encantada com a beleza fotogênica de Haddad/Manu, ninguém ousa falar Haddad presidente. Enquanto isso, está todo mundo com sua campanha na rua, na TV e nas redes sociais. E vamos combinar: nesse cenário, o corpo ausente do PT nos debates é bom para quem mesmo?

Malu Fontes é jornalista e professora de jornalismo da Facom/UFBA.


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