A cada três habitantes de Salvador, um deve dinheiro, aponta Serasa

bahia
05.08.2021, 05:30:00
(Shutterstock)

A cada três habitantes de Salvador, um deve dinheiro, aponta Serasa

Bahia tem cerca de 4 milhões de pessoas com nome negativado

Quando a promotora de vendas Isabel Lima*, 38, fez um empréstimo, há três anos, para terminar de construir sua casa, não imaginava que 36 meses depois ainda estaria endividada e devendo quase quatro vezes mais na praça. “Além do empréstimo, acabei perdendo o controle do cartão de crédito e gastando mais do que podia”, diz a baiana. E ela não está sozinha, segundo a Serasa, a Bahia encerrou o primeiro semestre de 2021 com cerca de 4 milhões de pessoas endividadas. É o quarto estado mais devedor do país, que tem 62,5 milhões de inadimplentes, sendo que 1,1 milhão deles vive em Salvador. 

Como a capital tem cerca de 3 milhões de habitantes, significa que a cada três pessoas, uma está devendo na praça. “Sem consegui pagar o cartão, eu acabei me embolando com o empréstimo. Para complicar ainda mais, tive despesas médicas com meus pais e quando vi não tinha mais como pagar as contas. É uma sensação horrível”, acrescenta Isabel.

A porta-voz da Serasa, Aline Maciel, afirma que a falta de controle com o cartão de crédito ainda é um dos principais problemas que leva consumidores à inadimplência. Ainda segundo ela, o órgão oferece um curso virtual de educação financeira que ensina como equilibrar as contas, e lista alguns erros frequentes dos usuários:

“Não acompanhar os gastos feitos no cartão, gastar mais do que se pode pagar, e pagar com atraso são erros muito comuns. Outro ponto é emprestar o cartão de crédito, isso acontece bastante. Você precisa refletir que a pessoa que está te pedindo o cartão emprestado talvez ela não tenha a capacidade e a responsabilidade necessárias para ter um cartão de crédito, então, você não deve empestar o seu”, contou.

A comunicação é outro elemento importante. A orientação é sempre procurar a empresa, explicar a situação e renegociar a dívida antes que juros e multas aumentem o débito. Mas para quem já entrou no vermelho o Serasa Limpa Nome oferece algumas vantagens. Até o dia 22 de agosto, será possível renegociar dívidas por até R$ 100 com descontos que podem chegar a 99%. Tudo de forma virtual, nas plataformas da empresa.

Na prática, o consumidor consegue verificar os débitos e fechar um acordo sem sair de casa. “Ele vai escolher a melhor proposta, finalizar o acordo e gerar o boleto para pagamento. É importante que ele faça a negociação com parcelas que cabem no bolso, para evitar aumentar a dívida, e que fique atento aos golpes. O mais seguro é gerar os boletos diretamente em nossas plataformas”, afirma a gerente da Serasa.

Crise
A Bahia lidera o ranking de devedores da região Nordeste, mas também é o estado com a maior população. O valor médio por inadimplente no estado é de R$ 2.844. Já em Salvador, a média da dívida por pessoa é de R$ 3.906. Ceará aparece em segundo lugar, com 2,38 milhões de negativados, sendo seguido do Maranhão, com 1,87milhão de consumidores no vermelho.

Muitos são trabalhadores que viram a situação se complicar com a pandemia, quando a renda foi reduzida de repente ao mesmo tempo em que o home office fez aumentar as despesas com luz e internet. A promotora de vendas Ana Alves*, 28 anos, disse que fez um malabarismo para tentar equilibrar as contas, mas que não conseguiu.

“A gente já vivia com o salário apertado, então, já não tinha muito onde cortar. Quando o salário reduziu, eu sai cortando o máximo que pude, mas como cortar alimentação, luz, água e internet? Tinha muita coisa parcelada porque compramos com base na antiga renda, que mudou com a pandemia. Foi bastante complicado”, disse.

Ela faz parte do perfil de consumidor negativado mais comum no Brasil. Segundo o Mapa da Inadimplência, lançado em maio, as mulheres representam 50,1% dos devedores, e a faixa etária mais endividada é de 26 a 40 anos (35,8%). As despesas com bancos e cartões de crédito representam quase 30% de todas as dívidas, por isso, o economista Edísio Freire reforça a necessidade de cuidados.

“A melhoria do endividamento precisa vir acompanhada de boas atitudes do ponto de vista do consumo, ou seja, entender o que pode comprar. Dívida não é ruim, ela é necessária, se você quer comprar um bem de alto valor agregado vai precisar parcelar. Quando essa dívida entra no descontrole é que isso se transforma no endividamento”, diz.

O especialista aconselha que em casos de financiamento e outros empréstimos o devedor negociei diretamente com o banco ou financeira. “É possível trocar uma dívida mais cara por uma mais barata, conseguir descontos, carência e extensão do prazo, mas é preciso lembrar que toda negociação vai incidir juros, mesmo que a instituição lhe dê alguma concessão”, afirmou.

Superendividamento
Em julho entrou em vigor a Lei 14.181/21, conhecida como Lei do Superendividamento, que alterou o Código de Defesa do Consumidor para evitar o endividamento desenfreado dos clientes e coibir abusos por parte das empresas.

A nova legislação obriga bancos, financiadoras e empresas que vendem a prazo a informar ao consumidor o custo efetivo total, a taxa mensal efetiva de juros e os encargos por atraso, o total de prestações e o direito de antecipar o pagamento da dívida ou parcelamento sem novos encargos. Assédio ao consumidor e propagandas de empréstimos do tipo “sem consulta ao SPC” também foram proibidos, entre outras ações.

O diretor de relações institucionais da Serasa Experian, Julien Dutra, acredita que a lei aperfeiçoa o mercado de crédito e torna as melhores práticas, que já são seguidas por algumas concedentes de crédito, obrigatórias para todos.

“Portanto, é uma lei positiva para o mercado de crédito e principalmente para os consumidores, pois segue o caminho de melhoria e mudança na cultura de crédito para algo mais positivo e transparente. A Serasa Experian entende que a Lei pode melhorar a negociação entre credores e devedores sob duas perspectivas”, disse.

Ele apontou que a legislação torna mais claro para o consumidor os ônus e riscos da negociação e reforça a necessidade de o credor realizar análises mais abrangentes e completas o que ajuda a diminuir o risco de inadimplência. E oferece a consumidores já superendividados novas ferramentas de negociação.

*As fontes pediram para ter as identidades ocultadas, por isso, foram usados nomes fictícios.

Confira como renegociar a dívida no Serasa Limpa Nome:

Passo 01 – Acesse o site do Serasa Lima Nome ou baixe o aplicativo no celular, digite o CPF e faça o cadastro;

Passo 02 – Verifique as dívidas existentes e as possibilidades de parcelamento. É possóvel negociar pelo WhatsApp (11) 99575-2096;

Passo 03 – Escolha a melhor forma de pagamento e a data de vencimento;

Passo 04 – Hora de gerar o boleto e fazer o pagamento on-line, presencialmente em agências bancárias ou lotéricas;

Como evitar entrar no vermelho:

  1. Conheça seu orçamento, para saber quanto ganha e no que gasta;
  2. Depois, identifique o que é prioridade e o que pode esperar;
  3. Evite comprar por impulso;
  4. Fuja de linhas de créditos com juros altos;

Como sair do vermelho:

  1. Verifique sua capacidade de pagamento para só fazer acordos que pode cumprir;
  2. Busque negociação com os credores, como descontos e prazo maior para pagamento;
  3. Tente aumentar a receita com atividades extras, mesmo que fora da sua área;
  4. Pesquise e se informe mais sobre finanças e endividamento;

*Dicas do economista Edísio Freire.

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