'A gente só escutou o barulho e não sabia o que estava acontecendo', diz moradora da Ilha de São João

bahia
02.09.2021, 05:45:00
Atualizado: 02.09.2021, 06:23:01
Local ficou completamente destruído após a ação (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

'A gente só escutou o barulho e não sabia o que estava acontecendo', diz moradora da Ilha de São João

Mulher correu com família para se proteger no banheiro após acordar com tiros e explosões em lotérica

O ponto onde hoje funciona a lotérica da Ilha de São João já viu muita coisa: foi mercadinho, lan house, padaria e tantas outras coisas nos tempos mais antigos. Mas com certeza não viu, nem ouviu, as cenas e o barulho registrados durante as primeiras horas de quarta-feira (1), quando a agência, única do conjunto habitacional que pertence ao bairro de Aratu, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, foi atacada por cerca de oito bandidos fortemente armados por volta das 3h30 da madrugada. Os criminosos usaram explosivos para acessar o local e depois levar o cofre.

Uma equipe da 22ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) esteve no local por volta das 3h45, segundo a PM. Além deles, policiais da Rondesp, Cipe e Bope realizaram buscas na região, mas os suspeitos não foram encontrados. O fato é que o acontecimento deixou os moradores muito assustados. 

O CORREIO esteve no local e conversou com alguns habitantes. Uma idosa de 73 anos que mora na Ilha de São João há mais de 50 falou que a notícia a entristece. “Aqui era um lugar que não tinha violência e, de uns anos pra cá, cresceu muito. Todo dia tem assalto a ônibus, agora essa explosão”, lamentou, com medo de querer se identificar, assim como os outros entrevistados pela reportagem. 

A lotérica abriu há pouco mais de seis meses e era algo aguardado pela comunidade, pois facilitou a realização de pagamentos, saques e outras operações. Normalmente, os moradores da Ilha precisavam se deslocar até Paripe ou o CIA para fazer esses procedimentos.

Interior da agência ficou cheia de destroços 

(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Alguns trabalhadores que saíam de casa no momento da ação foram feitos de reféns. Muitos tiros e explosões foram ouvidos.

“Dentro de casa, todo mundo correu para o banheiro, longe das janelas, porque a gente só escutou o barulho e não sabia o que estava acontecendo”, contou uma mulher.

Delegado e coordenador de Repressão a Crimes Contra Instituições Financeiras, Odair Carneiro esteve no local, que foi periciado pela Polícia Civil. Segundo ele, as investigações ainda estão em fase inicial, mas as primeiras imagens apontam oito homens sendo feitos de reféns.

O módulo policial da Ilha de São João também foi atingido durante a fuga. Os bandidos dispararam contra as viaturas para furar os pneus dos carros e não serem alcançados em uma eventual perseguição. Moradores dos imóveis acima e ao lado da lotérica precisaram deixar suas casas por conta das explosões até que a perícia seja finalizada. 
A reportagem não conseguiu localizar o proprietário da lotérica ou mesmo responsáveis pelo estabelecimento. Segundo moradores, o dono mora na cidade de Feira de Santana. 

Aumento de casos 
O número de ataques a agências bancárias e caixas eletrônicos disparou quando comparado com o mesmo período do ano passado: de 1º de janeiro a 1º de setembro de 2020, o Sindicato dos Bancários do Estado da Bahia havia registrado cinco ataques em toda a Bahia. Já neste ano, o número disparou e já são 37 ataques, contando com o caso na Ilha de São João (veja mais no box ao lado). 

Presidente do Sindicato, Augusto Vasconcelos afirma que a categoria tem cobrado uma integração entre as polícias para ajudar no combate a essas quadrilhas. “Já nos reunimos com a Secretaria de Segurança Pública. Além disso, temos pressionado os bancos a investirem na instalação de dilaceradores de cédulas nos caixas eletrônicos, para que sejam acionados automaticamente no momento de eventual explosão”, explicou.

Ataques a agências e caixas eletrônicos na Bahia

2021
Janeiro a 1/9: 37 ataques

2020
Total:
17
Jan a 1/9: 5 ataques

2019
Total
: 31 ataques
janeiro a 1/9: 18 ataques

2018
Total:
50 ataques
Janeiro a 1/9: 41 ataques

2017
Total:
80 ataques
Janeiro a 1/9: 40 ataques

(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

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