A polêmica mistura da axé music e do forró nos festejos juninos

entretenimento
27.06.2021, 10:44:00
Show do Chiclete com Banana, ainda com Bell Marques nos vocais, no São João de Santo Antônio de Jesus em 2012 (Foto: Arquivo CORREIO)

A polêmica mistura da axé music e do forró nos festejos juninos

Baú do Marrom traz reflexão sobre a mistura que sempre levantou discussões

Você Vacilou
Você Vacilou

Não quis, não viu, não dançou
Aquela música alegre
Olho com olho na brasa
Na beira da fogueira
Boca com boca se fala
No dia da feira

Agora a sanfona começa a tocar
No céu as estrelas
São muitas eu vejo
Enquanto a espiga de milho não assa
Vem brincar de balão beijo
Vem brincar de balão beijo, beijo
Brincar de balão
Brincar de balão
Brincar de balão beijo, beijo
Mas você vacilou
Você vacilou

Essa música composta por Jorge Alfredo e o saudoso Chico Evangelista, e incluída no disco da dupla Bahia Jamaica nos anos 1980, foi regravada em 1981 pelo trio Trás os Montes com a banda Chiclete com Banana. Inicialmente um reggae, a música virou uma espécie de cartão de visita do Chiclete para os festejos juninos, mesmo antes do surgimento da cena musical que viria a conquistar o Brasil e o mundo que foi cunhada, na época pejorativamente, de axé music pelo jornalista Hagamenon Brito.

Esse recorte é importante para colocar, como se diz, os pontos nos is e, digamos, separar o joio do trigo. Desde os anos 70 a Bahia sempre teve bandas bailes que animavam grandes festas nos clubes de Salvador e interior.

Geralmente, essa banda abria a noite fazendo uma espécie de aquecimento para a atração principal, sempre um artista de sucesso que fazia um show de no máximo uma hora. Enquanto a banda tocava até por três horas seguidas animando a multidão até o dia amanhecer.

Normalmente, essas mesmas bandas como Lordão, Made in Bahia, Skorpions (que depois viria a ser a famosa Chiclete com Banana) eram atrações das muitas micaretas que movimentavam o interior baiano.

Na tradicional festa de São João era a vez dos chamados trios nordestinos além das estrelas do forró como Gonzagão, Dominguinhos, Genival Lacerda, Marinês e sua gente, o Trio Nordestino entre outros.

Com a explosão da axé music no meio dos anos 80, as bandas e artistas baianos começaram a ganhar protagonismo e, com o passar dos anos, viraram atrações e não mais coadjuvantes. Na esteira da música carnavalesca, os produtores de axé, pra ocupar agenda das bandas que viviam do Carnaval de Salvador, das micaretas e dos grande carnavais fora de época (Fortal, Carnatal, Recifolia), começaram a organizar festas de camisa no período junino com todo tipo de atração: sertanejo, pagode, axé, menos forró.

Com o ocaso dos grandes nomes do forró (alguns morreram) e a ascensão metéorica do axé, até as prefeituras começaram a contratar os chamados artistas de Carnaval para se apresentar nos festejos juninos.

Isso causou um protesto dos forrozeiros (que esperavam o ano inteiro por essa data) e se sentiram meio desamparados - no que eles tinham razão.

Mas daí por diante não haveria mais retorno. O jeito foi adaptar-se aos novos tempos. Os forrozeiros, principalmente aqueles que formam um trio com sanfona, zabumba e triângulo, ainda encontram seu nicho de mercado, enquanto os grandes da axé, do sertanejo, agora do arrocha e piseiro, incluíram as festas juninas em suas agendas.

Mas temos que reconhecer: o Chiclete com Banana desde os tempos de Bell Marques, e agora com Kiil, mantém a tradição de sempre gravar um forró pós-Carnaval, Enquanto Bell em carreira solo também segue à risca essa tradição. Tanto a banda quanto Bell não podem ser acusados de estarem “invadindo a praia” do forró.

*O São João no CORREIO conta com o apoio da Perini, Mahalo, E Stúdio, ITS Brasil, Hotel Vila da Praia e Blueartes.

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