Agora palestrante, Laís Souza planeja casamento e voltar a andar

esportes
03.09.2019, 10:51:00
Atualizado: 03.09.2019, 11:34:14
Laís Souza fala sobre futuro e esperanças (Divulgação)

Agora palestrante, Laís Souza planeja casamento e voltar a andar

Ex-ginasta concedeu entrevista ao CORREIO

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A ex-atleta olímpica de ginástica artística e esqui aéreo Laís Souza esteve em Salvador na semana passada para ministrar uma palestra para estudantes universitários. Durante a passagem pela capital baiana, ela bateu um papo com o CORREIO. Aos 30 anos, Laís falou sobre a atual relação com o esporte, a ajuda que recebe de Neymar, a rotina diária de exercícios, os planos de casamento com a namorada Paula, com quem mora em Vila Velha-ES, e o que mudou após o acidente ocorrido no dia 28 de janeiro de 2014, em Salt Lake City, nos Estados Unidos, que a deixou tetraplégica.

Como é sua relação hoje com o esporte? 
O esporte foi meu grande amor, a ginástica foi meu grande amor, o esqui. Eu sou muito fã da galera que é esportista, mas hoje em dia não estou seguindo, não sei o que está acontecendo, falo pouco com as minhas amigas para saber e ficar antenada do que está acontecendo. Infelizmente, mas felizmente por outro lado, pois estou estudando, atendendo outras vontades que eu já tinha. O esporte está como segundo plano, mas sou apaixonada.

Está estudando o quê?
Eu fiz (faculdade de) educação física por três anos, mas aí tive o acidente. Fiz psicologia, tranquei e agora estou fazendo história, há um ano. Não sou daquelas pessoas que amam estudar, mas acabei adotando uma forma para o meu dia a dia de enriquecer o meu conhecimento de uma forma diferente. Eu não fico no Instagram loucamente igual aos meus amigos.

Como está sua rotina de exercícios?
Graças a Deus eu faço minha rotina, meu dia a dia. Continuo treinando, fazendo fisioterapia com muita eletroestimulação, ficando em pé. Estou fazendo boas aulas de yoga também para posicionar mais o corpo. Venho sentindo que tem algumas alterações, está mudando o meu corpo. Pego muito o formato da cadeira de rodas, pois fico muito tempo. Alongar e deitar numa bola de pilates têm ajudado.

O que mais mudou em você de cinco anos pra cá?
Pergunta difícil. Não sei. Acho que mudou tudo. Vão passando os meses, as semanas e o meu pensamento muda. Às vezes eu tinha uma opinião e de repente muda, acabo escutando uma história de motivação e sempre muda o ponto de vista, de tudo, na política, no meu dia a dia, na forma de adaptar a minha casa, o que eu queria. Estou sempre nessa metamorfose e eu gosto.

Qual a mensagem que você passa em palestras?
Eu não tenho uma mensagem exata, mas o que eu gosto de sempre falar é que tento trazer um carinho, com amor mesmo a minha história, para que inspire mesmo as pessoas a olharem o próximo com mais carinho para facilitar a nossa convivência como seres humanos. Essa loucura do mundo, a gente tem que se atentar um pouco mais para não se matar, tipo isso. Eu não tenho uma mensagem exata. Nunca falo sempre a mesma coisa. Não fico planejando, mas tenho uma intuição bacana em cima da minha história.

Quais são suas esperanças?
Hoje em dia está melhor, tem muita coisa acontecendo na medicina, ciência, tecnologia. Eu acho que ainda está um pouco distante, mas está mais próximo do que quando eu tive o acidente. Espero que nos próximos cinco ou dez anos eu já esteja com movimento. Pelo menos quero acreditar nisso. É o que me motiva também. A minha esperança no particular é que eu volte a andar. Confesso que por muitos dias e muitas noites acabo chorando, desabando mesmo, porque dá um desespero. Pelo fato de eu ter sido atleta, aquela coisa de ficar acelerada, muito treino e de repente nada, é complicado.

E como você se imagina daqui a cinco anos?
Daqui a cinco anos, se Deus quiser eu vou estar me movimentando, pelo menos alguma parte do corpo. Eu queria um braço, uma mão. Filhos, família, casa própria, alguns sonhos assim. Tentando me encontrar de alguma forma para ser feliz mesmo, pois acho que o mundo está tão mexido, as coisas estão tão ao contrário que, se eu estiver bem, com a minha família e trabalhando, saudável, eu já estou agradecendo.

O casamento já tem data marcada?
Sai no ano que vem, em 2020, e vai ser em janeiro. Provavelmente sai. Espero que a gente dure até lá, né? Estou brincando. É uma delícia, eu estou amando ter um relacionamento, ter uma pessoa para contar. É uma relação de muito respeito e acredito que vai dar certo, sim.

Você pensa em ter filhos? Daqui a quantos anos?
Eu queria pra logo. Por mim eu já estaria com a minha cria no mundo, mas acho que juntar um pouco mais de dinheiro, amadurecer mais também como pessoa para me preparar. Como eu não me mexo ainda, preparar uma equipe ou esperar um certo movimento para poder ajudar minha esposa.

Avaliam adotar? 
Eu queria ter de barriga. Não sei se da minha ou da dela, mas acho que vai ser de barriga e adotar talvez no futuro também. Eu queria já uns cinco. Eu sempre zoava ela que a gente vai ter cinco gatos, cinco cachorros e cinco crianças, mas o cachorro eu já desisti, só vou ficar no primeiro mesmo. Gato já temos cinco.

Neymar te ajuda financeiramente. Como é sua relação com ele?
Eu nunca fui próxima dele, nem nada. A gente se viu em algumas Olimpíadas, acho que em duas. Ele sempre se demonstrou mexido com a história, com o acidente, sempre foi muito carinhoso. A gente não tem amizade, não mantém uma conversa, um diálogo, mas quando a gente está junto ou conversa por mensagens ele é sempre muito especial e muito atencioso. E ele me ajuda financeiramente.

Quais são seus gastos fixos? 
Hoje eu pago para fazer xixi, pago para fazer cocô. Tem os meus cuidadores também, que hoje são duas pessoas, e uma pessoa que ajuda para fazer a limpeza de casa. Tem milhões de outras coisas: medicação, fraldas, alguns materiais que eu uso na cama e assim vai. Se fizer uma lista...

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