Aleixo Belov dará sua quarta volta ao mundo a bordo de veleiro-escola

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31.12.2009, 12:51:20

Aleixo Belov dará sua quarta volta ao mundo a bordo de veleiro-escola

Durante os últimos cinco anos, o ucraniano trabalhou duro na construção do sonho

Dezesseis de janeiro de 2010, às 10h, na Rampa do Mercado. Assim está planejada a partida para a quarta volta ao mundo do inquieto velejador e engenheiro Aleixo Belov, 66, abordo do veleiro-escola Fraternidade. Durante os últimos cinco anos, o ucraniano radicado na Bahia trabalhou duro na construção de um sonho: um veleiro de 21,50m (70 pés) de comprimento para levar 12 tripulantes - família, amigos e cinco desconhecidos que selecionou entre mais de cem candidatos para a viagem que deve durar um ou dois anos. “São todos alunos, já que nenhum deles nunca deu a volta ao mundo antes”, conta.


Nas paredes de sua casa, o aventureiro exibe fotos da construção de seu maior sonho

O veleiro anterior de Belov, o Três Marias, foi o primeiro de bandeira brasileira a dar a volta ao mundo em solitário – feito repetido por três vezes. A ideia da construção do Fraternidade surgiu na metade da terceira volta ao redor do planeta, para realizar o sonho do velejador de dividir sua experiência com jovens.

Desde então, Aleixo Belov originalmente nascido Alexey Dimitrievitch Belov – trabalha  durante os dias como engenheiro, construindo portos e plataformas de petróleo em sua empresa, Belov Engenharia. Durante as noites, lê e planeja a viagem. Aos 60 anos, o navegador percebeu que estava pronto para executar seu sonho. “Tinha cinco filhos, feito obras, viajado.Decidi então faze rum veleiro-escola. Fui tão feliz no mar que queria dividir isso com os outros. O Três Marias tinha sete toneladas e meia. O Fraternidade tem 70. Ele foi feito para levar gente, e é o que vai fazer”, conta.


Sem Malas
Assim que ficou pronto, o Fraternidade recebeu mais de 500 livros da coleção do velejador, além de roupas dos futuros tripulantes. Nada fica guardado em malas, fato que o comandante explica, categórico: “Alguém guarda alguma coisa em casa dentro de malas? Pois é. O barco vai ser a casa”. Quando começou a pensar no veleiro, Belov nem considerou comprar um. Queria construir e fazer do seu jeito: “Esse barco tem tudo que eu acho importante. Ele tem minha cara, minha alma. Se sair bom, fui eu que fiz. Caso contrário, fui eu também”.

Para se ter uma ideia, a embarcação traz 12 beliches para receber seus ilustres ocupantes. Cheio de surpresas,o navegador mostra caixas empilhadas na mesa de xadrez de sua casa:HD sexternos para guardar imagens de sua quarta aventura, que, na volta, vai virar um documentário de longa-metragem. Fotos da construção do Fraternidade na sala. Tudo lembra viagem, mar e o mundo inteiro.


Belov conta nos livros aventuras de suas viagens ao redor do mundo

A quarta jornada ao redor do planeta guarda um desafio: é a primeira vez que Belov faz o trajeto acompanhado.Nas outras três vezes em que foi sozinho, o  velejador tinha que dividir o tempo entre suas necessidades e as atividades do barco: “Dormia por pequenos períodos. Fazia a navegação,  regulava a vela e ia dormir, para levantar de novo logo em seguida. Lia muito e cozinhava. Eu e o mar, sem testemunhas. É um amor sem alguém segurando vela”.

Para matar as saudades do Brasil durante os longos períodos de solidão, Belov ouvia música brasileira, principalmente Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Agora, no Fraternidade, as vozes dos convidados prometem ocupar o espaço no qual, antes, reinava o silêncio.

Identidade
Tempestades, piratas e nativos de terras distantes, que estão longe da realidade da maioria das pessoas, são parte do encanto que Belov nutre por navegar. Animado, abre livros, mostra fotos e pastas que contêm o passo-a-passo do sonho batizado de Fraternidade.


Fraternidade foi pensado por Belov para acomodar doze tripulantes

Chama o filho caçula Alexey, 19, para mostrar registros de sua juventude. O nome, aliás, é um capítulo à parte na vida do navegador: “Quando entramos no Brasil, o pessoal da imigração disse que não existia Alexey por aqui e botaram meu nome como Aleixo. Era a mesma coisa de querer um presidente honesto e escolherem o Ernesto (Geisel)”, diz, rindo.

Belov nasceu na Ucrânia, país que faz fronteira com a Rússia,de onde saiu aos 6 anos com a família por conta da Segunda Guerra Mundial. Não tinha mar. O pai, agrônomo, viu no Brasil a possibilidade de uma vida nova. “Na Ucrânia, ele plantava trigo com máquinas. Aqui, era tudo na enxada. A agronomia dele não serviu para nada, e aí foi ensinar matemática”.

 O futuro navegador aprendeu a nadar somente aos 13 anos, e aos 16, ganhou um óculos de mergulho do ex-cunhado que foi estudar no Itamaraty. “Não sabia nem para que servia, porque não tinha televisão na época, não havia Discovery Channel.Fui olhar os peixinhos com a água na cintura e me apaixonei pelo mar”, ele conta.

Os primeiros mergulhos do rapaz foram nas praias baianas de Porto Seguro, que o encantaram:“ Achei lindo e pensei logo que o mundo devia ser todo assim. Aí eu quis viajar para ver”. Até decidir sair pelo mundo, Belov nunca tinha içado vela e não sabia navegar. “Também não possuía dinheiro, mas tinha o principal: o sonho. Daquele dia em diante, fiquei ocupado em tentar realizá-lo. Me formei, fiz um programa de vida. Entre o dia em que eu decidi e o que dei a volta ao mundo, passaram-se 15 anos. Para mim, não tinha outro caminho”, conta.

Objetos trazidos dos mais diversos países ocupam as paredes e as prateleiras de sua casa. No meio de tantos suvenires, os xodós do velejador são as máscaras da Indonésia e as réplicas das pinturas de Paul Gauguin, feitas na Polinésia por um casal de franceses. Algumas delas, inclusive, já estão decorando as paredes do Fraternidade.

Das viagens, guarda também livros que contam o que aconteceu em cada uma delas: A volta ao mundo em solitário (1981), Em busca do Oriente (1986), Em busca das raízes (1987), A caminho de casa (1988) e Terceira volta ao mundo do veleiro Três Marias (2002).

A mulher, a advogada Lygia, e os cinco filhos (Marúcia, Mariana, Lara, Alana e Alexey) estão presentes em grande parte delas. Belov tira a dúvida: “Muita gente pensa como é que eu viajo mesmo tendo família. É muito simples: se minha vontade de ir for maior do que a de ficar, eu vou. Se a de ficar for maior, eu fico”.

O lobo do mar considera que é preciso muito amor para abraçar o ofício da navegação: 'O veleiro balança, não tem ar-condicionado, esquenta, molha e tem temporal, mas para quem gosta, é uma beleza. Não tem nada melhor”.

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