Amigos se unem por hobby e marcam encontros gastronômicos

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06.07.2015, 06:08:00
Atualizado: 08.07.2015, 18:19:33

Amigos se unem por hobby e marcam encontros gastronômicos

Confrarias são alternativas descontraídas para colocar o papo em dia e estreitar laços
Da esquerda para a direita: Bernardo, Gustavo e Antônio fazem o jantar da Confraria Gastronômica Prestige (fotos de Angeluci Figueiredo)

É difícil ser novato e acertar a mão na cozinha sem conhecer bem uma receita - e esta afirmação pode se estender a muita coisa na vida. Neste domingo, o CORREIO revela a receita de uma confraria: amigos próximos, interesse em comum e compromisso.

Com esses ingredientes, as pessoas se reúnem, ficam mais próximas e se dedicam a alguma coisa que já gostavam previamente. Todos aprendem juntos e viram confrades.

A confraria pode ser comparada, a grosso modo, à maçonaria: só participam pessoas convidadas e todos levam muito a sério o tema tratado. Mas não é a formalidade que dá o tom dos encontros. 

Eles são descontraídos, divertidos e, para muitos, fazer parte de um desses grupos vira uma justificativa para encontrar velhos amigos e estreitar laços. 

A seguir, conheça três confrarias, duas dedicadas à gastronomia e uma ao vinho. E confira, na coluna À Mesa três receitas exclusivas da Confraria Gastronômica Prestige.


Confrades de prestígio

A noite foi do chef Gustavo Bastos, 59 anos. Às 20h30, o empresário finalizava um bacalhau com nata, “que no ano passado foi eleito o melhor prato de todos os encontros”, se orgulha. O subchef, Antônio Galvão, 52, fez a entrada: lagostim. Bernardo Rezende, 39, ficou com a sobremesa: mousse de chocolate belga com praliné de amêndoas e licor de café. Outros 20 membros da Confraria Gastronômica Prestige, entre efetivos, candidatos e convidados, esperavam o jantar no salão principal do restaurante  Oui, na Barra, onde se reúnem quinzenalmente durante as noites de segunda-feira.

Alguns não resistiam e iam para a cozinha acompanhar o andamento, ajudar os confrades, iniciar conversas. Mas não estavam preocupados com o resultado: o banquete ia sair bom, já que o estatuto pede que as receitas sejam testadas antes em casa.


Olivan Santos, 52, era um dos que estavam na cozinha. Ele usava avental amarelo, o que indica que está em fase de teste para ser confrade. A cor dos efetivos é preta. “É o terceiro encontro que participo. Nesse tempo, já testaram se eu sabia separar claras e gemas e me convidaram de surpresa, para ver minha disponibilidade. Aqui, só cozinhar bem não habilita a ser confrade: é preciso ver se a pessoa é chata ou não”, explica. A confraria tem entre 23 e 25 pessoas  - começou com cinco - e não está fechada para novos membros, desde que sejam indicados. Depois dos testes e de três  encontros é preciso ser aceito, em votação, pelo grupo. 

Os presentes em cada reunião são confirmados com antecedência para evitar desperdício de comida. Todos pagam R$ 250 por mês, que cobre o material, garçons e auxiliares de cozinha. A turma se reúne há 13 anos. Além dos encontros fixos, acontecem os “assustadinhos”, de surpresa, na casa de um dos confrades.


O chef da noite pode levar convidados, e apenas homens são permitidos. “Isso ajuda a evitar o ciúme das esposas. Tem até quem leva quentinha para casa para provar que estava aqui”, brinca Galvão. Em datas especiais, a família é reunida. Em outubro, acontece o  Dia das Crianças, para os filhos e netos. As esposas são convidadas  no começo do ano para o Jantar dos Namorados. 

Nas ocasiões, são repetidos os pratos que receberam maior pontuação - a nota vai de 0 a 100. “Mas tirar 100 é muito difícil”, avisa o confrade português Antônio Coradinho. Para o bacalhau de Gustavo, por exemplo, Coradinho deu 90. “É uma nota boa. Está tão saboroso quanto o bacalhau português”, garantiu.

Cozinheiros sem segredo

Cozinham dois por encontro. Os chefs sorteados são responsáveis por fazer a feira, pensar os pratos e a harmonização dos vinhos para outros 7 amigos da confraria Cozinha Sem Segredo. Por whatsapp, eles marcam as reuniões uma vez por mês, na casa de um dos confrades. A noite, que pode ser temática ou não, começa com o tira-gosto, seguido pela entrada, prato principal e sobremesa e depois todos comentam o que acharam.

O grupo tem nove anos e começou com 4 pessoas. Passou para 8, abriu uma exceção especial para o nono participante e não deve crescer mais. “Já existe uma intimidade do grupo. Além disso, a gente faz os encontros em casa, o que limita o número de pessoas. Com mais gente, aumenta a comida, e temos receio de perder a qualidade. Todo mundo aqui gosta de comer e beber bem, por isso fizemos a confraria”, explica o médico Glauco Doria, 42 anos, fundador do grupo.

Membros da Confraria Cozinha Sem Segredo fazem pose durante um encontro; ao lado, o Gravlax com esferas de azeite, um dos pratos que já foram feitos pelo grupo (arquivo pessoal)


A confraria não tem presidente nem estatuto escrito. “Somos uma democracia”, brinca Glauco. Mas existem regras. A mais severa é: a mensalidade de R$ 250 deve ser paga por todos, mesmo que o confrade falte. O valor inclui os ingredientes, garçons e auxiliar de cozinha. Todos são homens, mas a esposa pode participar se o encontro acontecer na casa do marido. Por fim, apenas dois convidados são permitidos: cada chef da noite tem direito de levar um.

As reuniões começam às 19h e acabam às 23h. Por falta de tempo, os amigos não se encontram no dia a dia. É na confraria que atualizam a conversa. “Sempre tentamos ter todos na confraria. Nos encontros, a gente melhora as habilidades com o vinho, a comida e tem a resenha entre amigos, que melhora o espírito da gente”, afirma Glauco. Ano que vem, quando a confraria completa 10 anos, pretendem lançar um livro de receitas próprias.

Encontro das Poderosas

Pontualmente às 19h30 o garçom serve o primeiro vinho e a entrada. As 12 mulheres da confraria Poderosas já estão reunidas, como fazem há um ano e meio na terceira quarta-feira de cada mês. O sommelier do restaurante Mercato Di Vino, na Pituba, já separou as cinco garrafas e os pratos que vão para a mesa. Tudo depende do tema: pode ser a noite dos vinhos espanhóis, argentinos ou das uvas que contrastam.

As amigas da Confraria Poderosas brindam o encontro e experimentam diferentes tipos de vinho


Elas não sabem qual vinho tomam. Ouvem a descrição de todos e tentam adivinhar qual é pelo aroma e pelo gosto. “Nós estudamos juntas, com o sommelier, qual a forma de pegar a taça, examinar a rolha, os aromas e sabores. Sempre deixamos um pouco em cada copo para, no final da degustação, percebemos melhor a diferença entre eles”, explica Patrícia Greco, 45 anos, enfermeira,  presidente e fundadora do grupo.

As Poderosas são um grupo de amigas que descobriram mais um bom motivo para se encontrar: a paixão pelo vinho. “O nome surgiu porque todas são mulheres independentes e bem resolvidas”, explica Patrícia.

O grupo tem 12 participantes efetivas e também suplentes  - outras amigas que são convidadas quando alguma falta. As reuniões são marcadas por whatsapp, com um mês de antecedência, e costumam acabar por volta das 23h30. 

Homens não podem participar. “Gostamos de nos encontrar com nossos maridos, mas o papo é outro. É bom termos um momento só nosso”, explica a juíza Mônica Sapucaia, 42 anos. Para ela, o encontro é uma questão de saúde. “No dia a dia, cheio de atribuições, se você não tem um compromisso de encontrar com suas amigas, acaba adiando. Com a confraria, vira um compromisso com a gente, com nossa saúde mental”.


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