Ana Cañas faz show intimista e expressivo na Caixa Cultural

entretenimento
13.12.2018, 06:20:00

Ana Cañas faz show intimista e expressivo na Caixa Cultural

Cantora paulista apresenta repertório exclusivo com músicas do novo disco Todxs, de hoje a domingo

Depois de dois anos sem cantar em Salvador, Ana Cañas está de volta para matar a saudade do público soteropolitano. Cheia de novidades na carreira, a cantora faz show de hoje a domingo, na Caixa Cultural, e  promete mostrar um pouquinho de tudo o que tem feito, sem deixar de fora as canções mais conhecidas do público e algumas regravações. Em formato de trio, Ana Cañas se apresentará ao lado dos músicos Thiago Barromeo e Estevan Sinkovitz, ambos nos violões (nylon e aço) e bandolim.

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Este ainda não é o lançamento do seu recém-lançado disco Todxs, mas algumas canções dele estão garantidas no repertório, como Lambe-Lambe, Tijolo e Eu Amo Você. Esta última, uma regravação de Tim Maia, ganha clipe amanhã (14). Gravado no Edifício Copan, um dos mais conhecidos de São Paulo, a cantora celebra o amor livre ao lado da atriz Nanda Costa. No vídeo, as duas interpretam um casal que se ama - e, acima de tudo, estão à vontade com suas escolhas.

(Foto: Reprodução)

Esse será o segundo clipe do novo trabalho. O primeiro foi o da faixa-título, com participação do rapper Sombra.

Um dos destaques do repertório é o rap Respeita, lançado no ano passado em parceria com a dupla Instituto. Mais do que um rap, “Respeita” é uma conexão que Ana fez com sua própria feminilidade, constituindo um marco a partir do qual a cantora passou a levantar firmemente a bandeira do feminismo e a traçar vínculos com movimentos negros, sem teto e periféricos.

Desse jeito, Ana Cañas prova que está em um novo momento, mais segura de si e de suas ideias. Política, feminismo, sexualidade, tudo isso estrutura e conforma seu trabalho artístico. "Acho que esse 'momento'se deve ao cansaço em relação à cultura patriarcal, à misoginia, ao sexismo, machismo, preconceitos e também a ouvir atentamente o próprio coração, seguir a intuição, falar e defender abertamente a igualdade e a liberdade e, por último, lançar o disco de forma totalmente independente, pelo meu selo, o Guela Records", comenta.

 

A expectativa de voltar a Salvador, cidade que ela adora, é grande. Por que? "O caldeirão cultural, a amálgama, a alegria e o carinho que o povo soteropolitano sempre demonstra com meu trabalho e pessoa".

Confira bate-papo da cantora com o CORREIO, por e-mail:

O material de divulgação do seu show lhe apresenta como "completamente à vontade em sua nova faceta, segura de si e de suas ideias, dando as cartas e determinando as regras de seu próprio jogo". A que se deve esse momento? 

Essa é uma definição do autor do texto de divulgação, Alexandre Matias, jornalista e crítico musical, eheheh. Mas, na real, acho que esse “momento” se deve ao cansaço em relação à cultura patriarcal, à misoginia, ao sexismo, machismo, preconceitos e também a ouvir atentamente o próprio coração, seguir a intuição, falar e defender abertamente a igualdade e a liberdade e, por último, lançar o disco de forma totalmente independente, pelo meu selo, o Guela Records.

Li que você fez aproximadamente 40 shows para movimentos sociais desde que aconteceu o impeachment de Dilma e se envolveu de forma muito intensa com movimentos sociais. Essa "segurança em si e nas suas ideias" tem a ver mais com esse movimento ou tem alguma inquietação mais íntima também?
Estou com a Nina Simone quando ela diz: - “não posso ser artista e não refletir o meu tempo”. Em determinado ponto da história política do nosso país - nos últimos dois anos (observando a bizarra parcialidade do judiciário, os discursos de ódio e o fascismo crescentes), senti uma grande necessidade pessoal de sair do lugar de apenas espectadora e usar a minha voz para defender valores e direitos que acredito - e que estão sob forte ameaça no país hoje.

É a primeira vez que você apresenta canções de Todxs em Salvador. Qual a expectativa de se apresentar na cidade?
Muito boa, eu adoro Salvador! O caldeirão cultural, a amálgama, a alegria e o carinho que o povo soteropolitano sempre demonstra com meu trabalho e pessoa.

Além das canções autorais, há algumas regravações no disco. Como você chegou a essas músicas? Foi mais pelos compositores/intérpretes ou pelos temas?
Foi mais pelos temas. Durante a pré-produção (essa fase durou uns 06 meses) gravamos versões de várixs autorxs. As que ficaram no disco foram as que se somaram à estetética e às temáticas das autorais, um concepção que dialogava com o disco como um todo.

Elas também entram no repertório do show? Como se estrutura o setlist da apresentação?
Sim, entram, mas esses shows da Caixa Cultural em Aalvador têm um repertório exclusivo, misturando canções mais conhecidas do grande público como “Pra Você Guardei o Amor”, “Esconderijo”, Mulher” e “Respeita”, além de versões para “Tigresa” (Caetano Veloso), “Velha Roupa Colorida (Belchior) e “Volver a los 17” (Violeta Parra) . Também entram algumas músicas do “Todxs”, como “Lambe-Lambe”, “Eu Amo Você” e “Tijolo”. É um show intimista e esse formato proporciona um show calcado nas interpretações, mais minimalista, mas não menos expressivo, por conta dos arranjos.

No disco, você não se valeu de muitos instrumentos. No show, você estará acompanhada de outros dois músicos (violão e bandolim). Essa conformação muda muito a sonoridade do que se ouve no disco?
Esse show não é o show de lançamento do disco “Todxs”, que será em SP e contará com banda, backing vocals, projeções e participações especiais. A Caixa nos propôs esse formato intimista e diferenciado, exclusivo pra eles e nós topamos. Vai ser lyndo e eu tô muuuito feliz!


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