Antes tranquila, Stella Maris se torna paraíso de roubos e assaltos

salvador
11.03.2012, 09:57:00
Atualizado: 11.03.2012, 10:13:13

Antes tranquila, Stella Maris se torna paraíso de roubos e assaltos

Esvaziadas, praias de Stella são palco de assaltos e brisa só refresca coqueiros

Alexandre Lyrio e Florence Perez
alexandre.lyrio@redebahia.com.br


Que adianta o paraíso se ele não pode ser desfrutado

Quase todos os dias de Verão, logo que o sol se esconde, uma brisa gostosa refresca Stella Maris. Seria o momento ideal para passear na orla, caminhar com o cachorrinho ou namorar à beira-mar. Seria. A verdade é que, às 18h, não há um pé de pessoa na maioria das ruas de um dos bairros mais encantadores de Salvador, onde morar um dia já foi um eterno veraneio.

Tido como lugar de classe média alta, com um dos IPTUs mais caros da capital, Stella Maris hoje vive entre a brisa e o medo. Paradisíaca por natureza, insegura por incompetência do poder público, os inúmeros casos de violência em Stella mostram que o assalto que terminou na morte da estudante amazonense Natália Penhalosa Duarte, 19, na terça-feira, não é exceção.

Quase todos os moradores e comerciantes de Stella têm uma história de assalto, furto, arrombamento ou até sequestro para contar. A dona de casa Ana Ferreira, 38, foi sequestrada por volta das 16h quando saía da casa de uma amiga, nos arredores da nova praça de Stella Maris, onde ela prefere não indicar com precisão.

“Entrei no carro e três marginais armados me obrigaram a destravar as portas. Me levaram até a invasão Planeta dos Macacos. Só me deixaram ir depois que implorei dizendo que tinha três filhos. Eles usaram meu carro para dar fim no corpo de um rapaz que tinham matado”, relatou. Três meses depois, Ana foi assaltada na praia de Stella Maris. “Foi logo pela manhã. Levaram corrente e dinheiro”.
 
Na maioria das vezes, os bandidos estão armados. Não tem hora e nem lugar. O professor de Educação Física Lucas Formigli, 31, estacionava na rua Capitão Melo, a principal do bairro, quando teve o veículo roubado às 9h. “Estacionei e dois caras armados apareceram. Levaram o carro”. O comércio vive com medo. Shoppings e estabelecimentos sofrem assaltos diários.

Caixa em um açougue que fica ao lado de um posto de combustível, Cristina Miranda, 27, conta que somente este ano o local foi assaltado três vezes. “Levaram cerca de R$ 1 mil em cada ação. Largo o serviço às 19h30 e vou pegar o ônibus com medo. Fazer o quê? Tenho que trabalhar”. Há vários locais em Stella apontados como os mais perigosos do bairro (ver mapa). O entorno da igreja onde está localizada a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima é alvo constante.


Iluminação precária torna o bairro ideal para ação de assaltantes

Os fiéis deixam as missas com receio de serem abordados. A dona de casa Verônica Diniz estava no estacionamento do templo quando um homem a empurrou para dentro do carro. “Ele queria dinheiro, mas eu não tinha. Abri a porta e saí correndo. Foi Nossa Senhora que me ajudou. Só pensava nela na hora”. Padre Sérgio está com medo. “As praias estão desertas, as ruas vazias. As pessoas estão reféns, Meu Deus”.     

Conjunto
Mas poucos locais são tão arriscados quanto o Condomínio Petromar, um conjunto de casas onde moram mais de 12 mil pessoas. Quase todos os comerciantes do condomínio já sofreram assaltos. No final do mês passado, o dono da sorveteria Moranguinhos, na rua Euler de Pereira Cardoso, teve dois revóveres calibre 38 apontados para a sua cabeça. “Um ficou no carro e dois desceram armados. Levaram computador, celular, TV e uma máquina fotográfica. Pago R$ 700 de IPTU para viver com medo?”, pergunta o dono, Paulo Silvestre.

O fotógrafo Evandro Veiga, que mora no Petromar há 20 anos, é uma exceção da regra. Nunca foi assaltado. Mas não tem por que se orgulhar disso. “Minha mulher já foi assaltada quatro vezes, minha cunhada também. Meus vizinhos todos já foram assaltados. Até minha sogra já foi assaltada. Sou do tempo que gente dormia aqui de porta aberta”, afirma.

E nada mudou no Petromar, mesmo com o assassinato do inspetor de segurança aposentado da Petrobrás Edson dos Santos Menezes, 57, morto na porta de casa, em janeiro do ano passado. O crime aconteceu às 7h. Seu Manguito, como era conhecido, presenciou o filho ser abordado por três homens armados. Com uma arma, o pai reagiu e atirou contra um dos assaltantes.

Os três homens invadiram a casa e atingiram o aposentado nas costas e na cabeça. Durante a troca de tiros, um dos bandidos foi baleado, mas conseguiu fugir por cerca de 300 metros, quando foi morto por um policial à paisana. A família de Manguito abandonou o bairro. A casa foi colocada para aluguel. “O poder público tem que entender que isso aqui não é mais bairro de veraneio”, disse o síndico do Petromar, José Luís Coutinho.





Desvalorização geral

Placas de “vende-se” e “aluga-se” estão por toda  parte em Stella Maris. Não é só a família de seu Manguito, morto no ano passado, que
já se mudou ou quer se mudar do bairro. Já se fala, inclusive, em uma desvalorização em massa dos imóveis por conta da violência. “As pessoas não gostam de falar nisso, achando que vai desvalorizar ainda mais. Mas a realidade é que as casas estão se desvalorizando. Se a gente não encarar a realidade, ela não vai mudar nunca”, diz o comerciante Jorge Sá, que sofreu assalto em sua pizzaria e até entrou em luta corporal com um dos bandidos. “Meu imóvel já caiu de preço. Não sei quanto, mas caiu”.

Em meio aos problemas, alguns poucos estão protegidos dos crimes e da desvalorização em Stella. São os moradores de condomínios e villages fechados, resguardados por cercas elétricas e câmeras de vídeo. Mas, apesar de não ocorrer tantos assaltos nessas poucas “ilhas de segurança”, também não há liberdade. “A gente vive aqui dentro. Mas prefere nem ir a uma pizzaria ou um barzinho à noite”, lamentou o morador de um condomínio, próximo ao local em que a turista do Amazonas foi morta.

Blitze para conter roubos de carros
A própria Polícia Militar admite o aumento dos crimes em Stella Maris, mas pontua que eles estão muito ligados aos roubos de carros. “Nosso maior problema é o roubo de veículos. A oferta de carros visados no bairro é grande”, diz o major Aloísio Erves, comandante da 15ª CIPM (Itapuã). Os números confirmam o que diz o major. No ano de 2011, segundo a 12ª Delegacia Territorial, a Área Integrada de Segurança Pública (Aisp) de Itapuã, que também compreende Stella, registrou nada menos que 837 roubos de veículos, campeã de todas as 20 Aisps.

Na Barra, onde menos ocorre esse tipo de crime, foram 38 carros roubados. O comandante disse que vai investir nas blitze relâmpago. “São eficientes. Fizemos ano passado e os números reduziram muito”, garantiu o major, que preferiu não falar sobre a necessidade de mais efetivo. “Aí é com o comando geral”. Segundo ele, o policiamento em Stella conta com 15 homens ao longo do dia. Uma única viatura é responsável pelas rondas. “Mas temos o apoio da Rondesp e da Atlântico”.

Comerciantes reclamam do policiamento escasso. “Eles não dão conta”, diz o dono de uma sorveteria. Enquanto isso, moradores pleiteiam uma delegacia exclusiva. “Stella, Flamengo, Jardim das Margaridas e Mussurunga vão se reunir para pleitear uma delegacia”, revelou o síndico do Condomínio Petromar.


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