Antirracismo, moda e realização dos sonhos: conheça Gabriel Pitta

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12.10.2020, 20:05:00
Atualizado: 12.10.2020, 20:06:34
(Foto: Reprodução)

Antirracismo, moda e realização dos sonhos: conheça Gabriel Pitta

Soteropolitano é destaque em passarelas nacionais foi o entrevistado da live Segundou

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Respeito, solidariedade e colaboração. São três palavras que fazem parte do conceito chamado ubuntu. Uma filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento das pessoas, umas com as outras. A trajetória de vida de Gabriel Pitta tem muito disso. Aos 19 anos, o garoto do Engenho Velho da Federação é um modelo com currículo pesado, com trabalhos para a Vogue, GQ e Marie Claire, além de desfiles para a Cotton Project e João Pimenta na São Paulo Fashion Week.

A trajetória não foi fácil. Passou por zoação dos amigos da escola no começo da trajetória, divisão do sonho de modelo com entregas de doces e salgados no pequeno negócio de sua mãe, dona Marlene, a difícil decisão de sair de casa sozinho aos 17 anos, os casos de racismo que sofreu em Salvador e São Paulo, além de muitas outras histórias que o próprio Gabriel contou para Joca Guanaes na live Segundou desta segunda-feira (12) de Dia das Crianças.

A carreira de Gabriel é recente. Iniciou de verdade em 2016, quando foi o vencedor do concurso Beleza Black aos 15 anos. O incentivo veio de uma prima, que o motivou a fazer a inscrição. Foi ali que decidiu: queria trabalhar como modelo.

Outro evento que foi importante na trajetória foi o Afro Fashion Day. Ele foi o modelo do material de divulgação do evento por dois anos consecutivos, em 2017 e 2017, e diz que depois daquilo se abriram várias portas na sua carreira.

"Eu recomendo muito. Em Salvador. Eu fiquei muito feliz, me senti abraçado. Eu vejo que muitos modelos têm o sonho de participar, tenho colegas que sempre fazem a seletiva e eu falo para não desistir. É um desfile muito top. Eu tenho como meta na minha carreira de voltar a desfilar no Afro Fashion Day", disse.

Durante esse período, conciliou a carreira de modelo na capital baiana com o trabalho ao lado da mãe, que tinha um pequeno negócio de entrega de doces e salgados para festas. “Desde pequeno, ajudava minha mãe em casa, no preparo de salgados, doces, pães e bolos, além de embalar e fazer entregas em eventos e festas infantis", contou.

A moda foi um norte na vida de Gabriel. Antes de virar modelo, sonhava em ser jogador de futebou ou abrir uma Lan House porque tinha feito um curso de manutenção de computadores. Antes desse sonho, que ele diz que estava fadado a dar errado porque nem existem mais lan houses, foi contratado pela agência Way Model e se mudou para São Paulo. Junto a isso, vieram uma série de bons trabalhos e oportunidades e aí o garoto foi fazendo seu nome. E realizando alguns sonhos, como o de levar sua mãe e irmã para fazer uma viagem para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Emocionado, Gabriel não conseguiu conter as lágrimas ao lembrar dessa realização. "Eu sou o mais novo da família e consegui colocar minha mãe num avião, visitamos o Cristo, peguei um hotel bom. Foi algo inesquecível", afirmou.

Gabriel Pitta participou do Afro Fashion Day por dois anos em sequência (Foto: Divulgação/Way Model)

Entre os vários obstáculos, o racismo tem sido algo recorrente que ele enfrenta. Em São Paulo, passou por muitas situações. Numa delas, foi a uma loja de ouro com o amigo, Marcos, e até foi bem atendido. Mas quando olhou para a porta do estabelecimento, percebeu que havia mais de cinco seguranças de braços cruzados observando todo o seu moviento. Mais recentemente, estava andando de bicicleta na região do Ibirapuera e viu duas mulheres correndo em direção contrária até entrar num prédio e ficar o encarando.

"Eu só segui meu caminho. A vida vai ensinar essas pessoas", contou.

Focado, Gabriel está se preparando para dar o próximo passo em sua carreira. O objetivo é ser um top model internacional e por isso estuda inglês, se prepara e cuida do corpo com todo o carinho possível. Já teve propostas de ir para Londres, mas não ficou seguro porque ainda não domina a língua. O planejamento é que vá para o mercado asiático antes de migrar para o Europeu. Somando tudo isso à filosofia ubuntu que te move, fica difícil de imaginar que ele não vai conseguir. Dona Marlene e suas crias vão dominar o mundo.

Assista ao bate-papo completo entre Joca Guanaes e Gabriel Pitta:

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