Aos 66 anos, morre dona Marisa, esposa do ex-presidente Lula

brasil
03.02.2017, 18:36:00

Aos 66 anos, morre dona Marisa, esposa do ex-presidente Lula

Ex-primeira-dama do Brasil não resistiu a um acidente vascular cerebral que sofreu no dia 24 de janeiro

A ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva morreu nesta sexta-feira (3) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Aos 66 anos, a  mulher do ex-presidente Lula  estava internada desde o dia 24 de janeiro, depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral hemorrágico provocado pelo rompimento de um aneurisma.  A morte foi confirmada após exames realizados hoje, conforme boletim médico divulgado e assinado pelos médicos Antonio Antonietto e Miguel Srougi. "O óbito da Sra. Marisa Letícia Lula da Silva foi constatado às 18h57 desta sexta-feira (03/02)", diz o texto divulgado pelo hospital.

Seguindo o protocolo oficial para constatar a morte cerebral, os médicos submeteram dona Marisa a dois testes. O primeiro foi às 12h05 e o segundo, às 18h05 (horário de Brasília). Pelo protocolo, o último exame deve ser conduzido por um médico diferente. O resultado comprovou a perda irreversível das funções cerebrais.

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Pelo Facebook, Lula confirmou a morte da mulher. "A ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva faleceu nesta sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017, às 18:57. O velório será neste sábado (4), das 9h às 15 h, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dona Marisa Letícia se conheceram. O Sindicato fica na Rua João Basso, 231, em São Bernardo do Campo. Em seguida haverá no Cemitério Jardim da Colina uma cerimônia de cremação reservada à família". 

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Foto: Agência Brasil

Internação
Dona Marisa sofreu um AVC no último dia 24. Ela passou por um procedimento de emergência que durou cerca de duas horas para conter a hemorragia no cérebro. Os médicos fizeram uma arteriografia cerebral para achar a lesão e colocar um cateter na região afetada para parar o sangramento. 

Na quarta-feira (25), Marisa Letícia teve de passar por outro procedimento cirúrgico. Desta vez, para a "passagem de um cateter ventricular para monitoração da pressão intracraniana", segundo boletim do hospital. A ex-primeira-dama chegou a apresentar melhora, mas no final da noite da quarta-feira seguinte (1º) piorou. O cardiologista Roberto Kalil Filho afirmou que o quadro de dona Marisa era irreversível. 

Na quinta-feira, um doppler transcraniano mostrou que dona Marisa não tinha mais fluxo cerebral. A partir de então, a família autorizou o início dos procedimentos para a doação de órgãos. O protocolo teve início para confirmar a morte. 

No início da noite de hoje, o padre Julio Lancelotti reuniu alguns amigos e familiares e deu a "unção dos enfermos" para dona Marisa.

(Foto: Roberto Stucker Filho/Divulgação)

Visitas
Após divulgação que a família de Marisa havia autorizado a doação de órgãos, amigos e políticos foram ao Sírio-Libanês para se solidarizar com Lula. O também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi se encontrar com o petista. Os dois trocaram um abraço - a imagem foi divulgada nas redes sociais de Lula. 

Os senadores petistas Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Humberto Costa chegaram juntos e não quiseram falar com a imprensa. Depois, os ex-ministros Gilberto Carvalho, Celso Amorim e Eleonora Menicucci também foram para o hospital. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad foi com a esposa encontrar Lula.

O vereador Eduardo Suplicy, do PT, também foi ao hospital. Ele falou do companheirismo característico de dona Marisa."Foi uma companheira das horas mais alegres e difíceis para que Lula pudesse colaborar com o Brasil", disse.

O presidente Michel Temer foi ao hospital acompanhado de uma comitiva. Ele foi hostilizado ao chegar ao Sírio-Libanês.

Vida
Filha de Regina Rocco Casa e Antonio João Casa, Marisa Letícia foi criada ao lado de dez irmãos. A sua origem é humilde: nasceu em uma casa de pau-a-pique em São Bernardo do Campo, interior de São Paulo. Isso foi lá em 7 de abril de 1950. Nos anos que se seguiram, Marisa embalou bombons, foi babá das sobrinhas de Cândido Portinari, casou, engravidou, ficou viúva - o marido foi assassinado em tentativa de assalto - e casou novamente, dessa vez com o Lula, batalhou e chegou ao Palácio da Alvorada de mãos dadas com o marido.

A 'dona' conheceu Lula quando ainda trabalhava no bar de uma prima. Em certa ocasião, em 1973, aquele que viria a ser o presidente do Brasil a encontrou no sindicato dos metalúrgicos. Ela, que estava em busca de um carimbo para retirar a sua pensão, ganhou um companheiro. O casório chegou depois de seis meses. Nove meses e nove dias depois, nasce o primeiro filho do casal, Fábio Luiz.

Quando ainda estavam na fase do namorico e Lula era um recém-solteiro, eis que ele descobre que a ex-namorada estava grávida. Ele assume o filho e a união com Marisa já começa com herdeiros: a filha do primeiro casamento de Lula, e Marcos, o filho do outro casamento de Marisa, que na época tinha 10 anos.

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Novembro de 2003 - Lula e Dona Marisa Letícia, durante audiência com a comissão da "Marcha das Magaridas", no Planalto (Foto Antonio Cruz/ABr)

Postura decidida
A ex-primeira-dama teve postura decidida quando o Partido dos Trabalhadores, o PT, ainda estava nascendo. Ela logo se encarregou de convencer as pessoas na rua da importância de um partido como aquele que estava por vir, e angariou cadastros ao partido. Reza a lenda que Marisa Letícia foi quem costurou a primeira bandeira do PT. 

Em 1980, agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) bateram na porta da sua casa às 6h da manhã e levaram Lula, que estava à frente de uma greve no ABC Paulista. Marisa não deixou por menos e foi pra rua. Acompanhada dos filhos e com uma rosa na mão, ela mobilizou mulheres para uma marcha contra prisões políticas. E, então, os olhos verdes de Marisa enfrentaram a polícia em pleno regime militar.

Duas décadas depois, em 2003, a mulher de tradição, que costumava fazer festa de São João todo ano, desfilou a bordo de um Rolls Royce oficial ao lado do 39º presidente brasileiro, Lula. Na cerimônia, o sorriso no rosto e o vestido vermelho estampavam o sabor da vitória. Em 2014, quatro anos após o fim do segundo mandato do ex-presidente, ela passou a ser investigada junto ao seu marido no âmbito da Operação Lava Jato.


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