Após disputa judicial, Márcia Short desabafa: 'Retornar com a Banda Mel só com investimento'

entretenimento
02.07.2022, 11:01:00
Márcia Short (Saulo Brandão (Divulgaação))

Após disputa judicial, Márcia Short desabafa: 'Retornar com a Banda Mel só com investimento'

Cantora fala do processo no qual ganhou o direito de usar a marca da banda

Durante quatro anos, a cantora Márcia Short foi vocalista da Banda Mel e eternizou clássicos como Ginga e Expressão, Crença e Fé (Vou Dar a Volta no Mundo), Prefixo de Verão, Baianidade Nagô, entre outras. Ela fazia a linha de frente com Robson Moraes e Alobened até 1993. Os dois saíram e fundaram a Bandabah (em 1994) e só Alobened ficou, onde permanece até hoje no comando dos vocais. 

Mas, a saída de Márcia não foi como ela queria: com um acordo para seguir sua vida. Por isso, o caso foi parar na Justiça numa luta que se arrasta há 28 anos. Ela saiu-se vitoriosa e tem o direito de ativar a marca Mel, uma das mais fortes do início da cena axé.

Apesar de muitos fãs pedirem a retomada da banda, Márcia explica que seu objetivo sempre foi receber o que era lhe devido. Mas, parodiando um dos filmes do grande personagem do cinema James Bond - 007: Nunca diga nunca outra vez -, Márcia deixa a porta entreaberta:

“Para mim, só vale a pena retornar com a marca se houver um investimento, parceria e planejamento. Hoje, meu trabalho me leva para outros horizontes. Então, voltar para Banda Mel, para esse lugar, significa realmente realocar a marca com um projeto que contemple a musicalidade da banda para tempos atuais. Teríamos que ter tempo e investimento para voltar. Não está descartado, mas vamos aguardar”, conta.

Em conversa com o Baú do Marrom, ela contou a história desde o seu início, as tentativas de acordo e a luta na justiça durante todos esses anos. Também falou sobre sua carreira atual e seus projetos.

No tempo da Banda Mel nos anos 1990 com Robson Moraes e Alobened (Foto arquivo) 

BAÚ DO MARROM - Essa disputa judicial pela marca As Patroas me fez lembrar que você tem uma história semelhante com a Banda Mel. Como anda esse processo?

MÁRCIA SHORT - Primeiramente, é fundamental salientar que o objeto da ação foi uma indenização trabalhista. Eu trabalhei durante quatro anos na empresa e ao pedir desligamento soube por meio dos contratantes que não teria direito a nada. Durante quase dois anos, negociei amigavelmente, tentando fazê-los reconhecer que todo trabalhador que se desliga de uma empresa possui direitos, que precisam ser cumpridos, e isso não aconteceu. A partir daí, uma ação foi movida e a justiça entendeu que, depois de 28 anos (em outubro completa 29) sem acordo e com várias fraudes processuais, a penhora da marca seria a única saída para a quitação desse débito. Eu nunca busquei requerer a marca, o objeto da ação sempre foi a indenização trabalhista.

BAÚ DO MARROM - Caso você seja vitoriosa, qual seria seu projeto em relação à marca: formaria uma nova banda?

MÁRCIA SHORT - Nós já somos vitoriosos, pois ganhamos em todas as instâncias. Então, depois de 28 anos em uma ação tramitando na justiça, foi feita a penhora da marca e aí, sim, fizemos o requerimento para que a marca voltasse para nós para que pudéssemos trabalhar e recebermos nossos direitos. Para mim, só vale a pena retornar com a marca se houver um investimento, parceria e planejamento. Hoje, meu trabalho me leva para outros horizontes. Então, voltar para Banda Mel, para esse lugar, significa realmente realocar a marca com um projeto que contemple a musicalidade da banda para tempos atuais. Teríamos que ter tempo e investimento para voltar. Não está descartado, mas vamos aguardar.

BAÚ DO MARROM - Quais os melhores momentos que você lembra com a Banda Mel?

MÁRCIA SHORT - Os melhores momentos se converteram em encontros com plateias no Brasil inteiro. Eu vou fazer show em São Paulo, eu me encontro com gente que me acompanha desde a Banda Mel, no Rio de Janeiro da mesma forma. Os profissionais da imprensa que se mantiveram fiéis e estão comigo até hoje fazem parte também dessa história. Estive em Teresina recentemente e fui abordada por várias pessoas que me acompanham desde a Banda Mel. A gente fica abraçada a esses momentos bons. Eu sou muito grata às pessoas que se mantiveram ao meu lado durante todo esse tempo na minha caminhada. Não posso esquecer que a Banda Mel me projetou para o Brasil inteiro e eu sou muito grata por isso.

BAÚ DO MAROM - Neste momento, o que você está fazendo, quais seus projetos?

MÁRCIA SHORT - Desde que eu me afastei da Banda Mel e da Bandabah, eu venho trilhando os caminhos da minha carreira solo, que hoje não engloba só o universo do axé music. Gravei dois CDs e tenho vários projetos lançados nesses anos de carreira. Estou prestes a completar 30 anos de carreira solo e sou muito feliz com o que eu faço. Estou produzindo um EP em celebração aos 35 anos de carreira, englobando todos os meus trabalhos e nos próximos meses irei lançar “Meu Samba Reggae”, uma canção linda de Vini Mendes. Estou feliz porque irei lançar uma música nova depois de dois anos afastada por conta da pandemia. Muito contente também com o andamento do processo, porque você vê a justiça sendo feita e isso é um alento para a nossa alma.

BAÚ DO MARROM – Que análise você faz depois de todo esse tempo de luta?

MÁRCIA SHORT - Assistir, durante 28 anos, às pessoas falarem mentiras ao seu respeito e problematizarem a sua imagem, vendo um mercado que já não precisa de motivo para nos preterir, é muito difícil. Um mercado racista que passou todos esses anos investindo no embranquecimento do gênero que eu ajudei a construir a história. Ver a justiça se fazer agora é mostrar para todos que disseram que não iria dar em nada, que o estado brasileiro protege o trabalhador e que eu e Robson somos trabalhadores como qualquer outro e merecemos respeito. Que esses coronéis, que ainda estão aí, saibam que não estamos na terra de ninguém. Pode durar uma vida inteira, mas uma hora a justiça se faz e a verdade prevalecem.

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