Ataque que deixou nove baleados no Garcia foi ação de quadrilha rival

salvador
03.04.2017, 14:20:00
Atualizado: 03.04.2017, 15:27:09

Ataque que deixou nove baleados no Garcia foi ação de quadrilha rival

Moradores dizem que a ação foi realizada por traficantes do Comando da Paz (CP) em área dominada pela facção Caveira

O ataque que deixou um morto e oito feridos na madrugada desta segunda-feira (3) no final de linha do bairro do Garcia, em Salvador, está relacionado à tentativa de uma facção criminosa de retomar o controle das bocas de fumo da área.

Moradores contaram que a ação foi orquestrada pelo traficante de prenome Silas, conhecido como Pagode, ligado ao Comando da Paz (CP) e que atua na localidade do Forno, no Engenho Velho da Federação. Há cinco anos ele e seu bando foram expulsos pelo atual líder do tráfico do Garcia, Vô, da facção Caveira. 

A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que a investigação, realizada pela delegada Patrícia Brito, indica que o que ocorreu foi um ataque de uma quadrilha rival e que, até agora, duas pessoas já foram ouvidas no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo as testemunhas, os bandidos chegaram em quatro carros. Cada veículo tinha quatro homens armados. No local, a perícia recolheu cápsulas de pistola 9mm. 

Ainda conforme moradores ouvidos pelo CORREIO, o ataque foi premeditado. Há quase um mês, circulou um áudio no aplicativo Whatsapp em que traficantes do bando de Silas planejavam o feito desta madrugada. “Eles diziam que iam retomar o controle das bocas daqui e que não iam perdoar ninguém. Dava para ouvir tiros. Mas ninguém acredita que isso pudesse acontecer, que ficaria só na ameaça’, contou uma moradora. 

Segundo ela, há cinco anos, Silas era quem comandava o comércio de entorpecentes no Garcia. “Ele era um cara muito violento. Não respeitava sequer os moradores. Todos tinham medo dele. Aqui era a única localidade que era CP. As regiões do entorno eram Caveira. Foi quando Vô veio da Gamboa de Baixo, chegou e tomou o posto. Ele controla aqui e lá (Gamboa de Baixo)”, disse uma moradora. 

A fonte contou ainda que ao contrário de Silas, Vô tem um tratamento diferente com a comunidade – através de uma política assistencialista. “Ele ajuda quem precisa. Se alguém não tem dinheiro para comprar um gás, um remédio, um prato de comida, ele dá. Antes, a praça era um local onde todo mundo fumava maconha na praça. Hoje, isso acabou. Acabou com os assaltos. Quem for pego roubando, toma um corretivo, inicialmente”, contou.

Baleados
O crime aconteceu por volta de 0h40, na rua Prediliano Pitta em quatro veículos e começaram a atirar na área em que estava ocorrendo uma festa do tipo paredão de som. Entre os baleados, um adolescente de 16 anos que foi atropelado por um dos carros usados na ação.

As vítimas feridas foram baleadas principalmente nos pés e nas pernas. Além do adolescente, Mateus foi atingido no tórax, na perna e no antebraço, o que faz a polícia acreditar que ele era o alvo dos bandidos. Além de Mateus, os demais feridos também foram conduzidos para o HGE. Estes chegaram na unidade médica por meios próprios. Apenas um homem em situação de rua, também baleado, foi conduzido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). 

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