Bahia já teve 18 jogadores argentinos na história; conheça todos

e.c. bahia
27.03.2021, 06:00:00
Argentinos na história do Bahia: Papetti, Bianchi e Avalle acima; Maxi e Sanfilippo embaixo (Reprodução, Felipe Oliveira/EC Bahia e Reprodução)

Bahia já teve 18 jogadores argentinos na história; conheça todos

Zagueiro Germán Conti está pronto para estrear

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Uns jovens, outros experientes. Uns marcaram história, outros saíram sem deixar nenhuma saudade, praticamente sem jogar. A relação do Bahia com jogadores argentinos é antiga, quase tão antiga quanto o próprio clube. O recém-contratado zagueiro Germán Conti é o 18º hermano nos registros com a camisa azul, vermelha e branca.

A Argentina é o país estrangeiro com mais jogadores que atuaram pelo Bahia. A lista conta com ídolos antigos como o atacante José Sanfilippo e o goleiro Carlos Buttice, que defenderam o clube nas décadas de 1960 e 1970, e com atletas que atuaram em Salvador há poucos anos, exemplo dos irmãos Maxi e Emanuel Biancucchi. Lembre (ou conheça) quem foram os argentinos que já atuaram com a camisa do Bahia, do mais recente ao mais antigo:

Allione
Agustín Allione foi o último argentino a jogar pelo Bahia, antes da chegada de Conti. Ficou conhecido no futebol brasileiro a partir de 2014, quando foi comprado pelo Palmeiras do Vélez Sarsfield. Sem se firmar no clube paulista, foi emprestado ao Bahia em 2017. Viveu seu momento mais emblemático pelo clube na semifinal da Copa do Nordeste daquele ano, quando fez um dos gols e teve grande atuação contra o Vitória no segundo jogo, vencido por 2x0 pelo tricolor, que viria a ser campeão do torneio.

Apesar de demonstrar irregularidade, Allione terminou o Brasileirão daquele ano com oito assistências, líder do time no quesito. Para 2018, o Bahia buscou novo empréstimo do meia, o que acabou dando ao Palmeiras a preferência de compra de Zé Rafael, hoje na equipe paulista. Apesar disso, Allione não repetiu os bons momentos de 2017 e pouco atuou naquela temporada. Com 26 anos, joga atualmente no Temperley, da Argentina.

Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Maxi Biancucchi
Constantemente lembrado por ser o primo de Lionel Messi, Maxi Biancucchi iniciou sua trajetória em território brasileiro pelo Flamengo, em 2007. Chegou a fazer parte do elenco campeão brasileiro de 2009, mas só conseguiu brilhar mesmo em solo baiano, porém no Vitória. Maxi foi um dos protagonistas do time de 2013, que goleou o Bahia por 5x1 e 7x3 no estadual, além de ter conseguido a quinta colocação na Série A. O atacante marcou 17 gols em 42 jogos pelo Leão, mas no início de 2014, veio a mudança de lado: o argentino assinou com o Bahia.

No Esquadrão, Maxi não chegou a ter o mesmo brilho que teve usando vermelho e preto, mas foi campeão estadual em 2014 e 2015 com o tricolor. Ao todo, Biancucchi fez 90 jogos com a camisa azul, vermelha e branca e marcou 19 gols. Saiu do clube em 2016, quando já não fazia mais parte dos planos do time. Aposentado desde o fim de 2019, em solo brasileiro ainda atuou pelo Ceará após sair do Bahia.

Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Emanuel Biancucchi
Irmão de Maxi, Emanuel chegou ao Bahia junto com ele para integrar o elenco de 2014. Apesar da expectativa por um entrosamento com o atacante, o meia canhoto não rendeu o esperado no clube, que acabou rebaixado no Campeonato Brasileiro daquele ano. Emanuel marcou apenas dois gols com a camisa do Bahia, ambos em um triunfo diante do Flamengo. 

Após sair do Bahia, Emanuel atuou pelo Vasco em 2015, mas teve o seu melhor momento no futebol brasileiro em 2020, pelo Vila Nova. No clube goiano, foi campeão da Série C e, de quebra, foi autor do gol do acesso à Série B no último jogo da segunda fase, contra o Ituano. Apesar disso, o meia se despediu do Vila e está sem clube.

Foto: EC Bahia/Divulgação

Paulo Rosales
Formado no Newell's Old Boys, Paulo Rosales foi mais um meio-campista argentino a jogar pelo Bahia. No início de 2013, o time baiano conseguiu contratar o jogador junto ao Independiente após longa negociação. Com a missão de assumir a camisa 10 e ser o maestro da equipe, Rosales atuou apenas oito vezes pelo Esquadrão, entre Copa do Brasil e Campeonato Baiano. Após a derrota por 7x3 no Ba-Vi da primeira final do estadual, o argentino foi afastado do elenco e ficou encostado no clube até conseguir a rescisão, em julho daquele ano. Atualmente está com 37 anos.

Raul Eduardo Navarro
Diferente de alguns dos hermanos dessa lista, o defensor Eduardo Navarro desembarcou em Salvador ainda jovem para atuar com a camisa do Bahia. O argentino vestiu azul, vermelho e branco com apenas 21 anos, em 1976, ano do tetracampeonato baiano (que viria a ser hepta). Ainda defendeu o Atlético de Alagoinhas antes de ir para a Bolívia, onde conquistou três títulos nacionais nas passagens por Jorge Wilstermann e Bolívar. Está com 66 anos.

Buttice 
Carlos Adolfo Buttice foi o dono da meta tricolor no início da maior sequência de títulos estaduais da história do clube. O goleiro chegou ao Bahia em 1972, vindo do América-RJ. O ídolo do San Lorenzo conquistou os estaduais de 1973 e 1974 pelo time baiano e ficou no clube até ser contratado pelo Corinthians, ainda no ano do bicampeonato. Apelidado de "El Batman" por fazer voos em suas defesas, Buttice morreu em 2018, aos 75 anos.

Páez
Lateral esquerdo que disputou a Copa do Mundo de 1962, Páez foi mais um a chegar no Bahia já veterano. Assim como o atacante Sanfilippo, que será citado a seguir, estava no plantel do San Lorenzo na Libertadores de 1960, quando o time argentino foi algoz do Bahia. Chegou ao Esquadrão em 1969 e foi campeão baiano no ano seguinte. Ficou no tricolor até 1971, quando se transferiu para o Leônico. Está com 83 anos atualmente.

Sanfilippo
A história do atacante com o Bahia começou de uma maneira nada agradável para os baianos. Foi Sanfilippo o algoz da eliminação do clube na Libertadores de 1960, marcando um gol no confronto na Argentina e dois na Fonte Nova. O futebol do jogador encantou e, oito anos depois, o maior artilheiro da história do clube de Buenos Aires desembarcou em Salvador para vestir a camisa do tricolor baiano.

A chegada de "El Nene" aconteceu após passagem rápida pelo Bangu em 1968. Ficou no Esquadrão até 1971 e, mesmo com a idade avançada, teve bom desempenho e virou ídolo. Foram 42 gols em 71 jogos e o bicampeonato baiano em 1970 e 1971. Em 2015, a família do ex-jogador, hoje com 85 anos, recebeu das mãos de Maxi Biancucchi uma camisa em homenagem ao ídolo.

Foto: Reprodução


Noberto Caballero
Foi o primeiro goleiro argentino a atuar com a camisa do Bahia. Ficou no clube entre 1963 e 1964, após passagem pelo Santa Cruz. Caballero fez parte do grupo que jogou o Torneio Internacional de Nova York, também conhecido como International Soccer League, em 1964. Fez 43 jogos com a camisa tricolor e chegou a jogar um amistoso pelo Vitória.
 
Oscar Pereyra
A história do meia tem traços parecidos com a de Caballero. Chegado do Montevideo Wanderers, do Uruguai, teve uma trajetória relativamente curta no Bahia. Foram apenas 20 jogos, durante 1946 e 1947, esse último o ano do primeiro título de um tetra que viria em 1950. Assim como o conterrâneo citado acima, Pereyra jogou um amistoso pelo Vitória após sair do tricolor, mas não chegou a atuar oficialmente pelo rubro-negro.

Héctor Papetti, Dante Bianchi e Mario Giuseppe Avalle
Aqui vale falar de três jogadores ao mesmo tempo, afinal o trio Papetti, Bianchi e Avalle marcou história logo nos primeiros anos de existência do Bahia. Os três argentinos (Avalle tinha cidadania italiana) formavam o meio-campo tricolor e ajudaram o time a conquistar o Campeonato Baiano de 1940 de maneira invicta. Jogaram apenas um Ba-Vi oficial juntos, e o resultado foi histórico: Bahia 7x2, com um dos gols feito por Papetti, no clássico disputado no Campo da Graça, em 22 de setembro de 1940.

Dos três, Bianchi foi quem jogou mais pelo tricolor: 105 partidas distribuídas em três passagens entre os anos de 1940 e 1949, período em que foi tricampeão baiano. Papetti tem 61 jogos disputados entre 1940 e 1942 e Avalle tem o maior número de participações em gol do trio: quatro marcados e seis assistências em 56 jogos vestindo azul, vemelho e branco.

Papetti, Bianchi e Avalle formaram poderoso meio de campo na década de 1940
Foto: Reprodução

Héctor Tarrío
Teve uma passagem sem grande destaque pelo Esquadrão em 1940. O zagueiro fez apenas quatro jogos. O Bahia foi campeão estadual naquele ano.

Alberto Galateo
Assim como Tarrío, teve uma passagem breve e de poucos jogos. O atacante vestiu a camisa tricolor em cinco oportunidades no ano de 1939, e não fez gol. Naquele ano, aconteceu a maior goleada da história dos Ba-Vis: 10x1 para o Bahia, em amistoso no Campo da Graça, no dia 8 de dezembro. Oitavo maior artilheiro da história do clube, o atacante Vareta marcou cinco vezes, outro recorde do clássico.

Juán Landolfi
O zagueiro também atuou no ano de 1939 pelo Bahia e, assim como Galateo, fez poucos jogos: sete. Naquele ano, o Ypiranga foi o campeão estadual.

Esteban Kuko
Primeiro hermano que se tem registro de atuar no Bahia, o tricampeão argentino Esteban Kuko desembarcou no Brasil e defendeu o Vasco antes de chegar a Salvador. O atacante, que jogava pelo Boca Juniors e conquistou o campeonato nacional de seu país em 1926, 1930 e 1931, estava em campo na maior goleada da história do Ba-Vi em jogos oficiais, 10x2 para o tricolor no dia 20 de novembro de 1938. Em 33 jogos, fez nove gols entre 1938 e 1939 pelo time baiano.

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