Baianos se renderam aos descontos da Black Friday

economia
29.11.2014, 10:50:00

Baianos se renderam aos descontos da Black Friday

Cerca de 300 coxinhas foram vendidas em apenas uma hora em shopping de Salvador

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Correria, tumulto, filas, bate-boca por produto, ferro de passar por R$ 9,99, televisão nova carregada nas costas com orgulho e até 300 coxinhas vendidas em apenas uma hora. O baiano se rendeu à Black Friday, a tal ponto que fez a atendente de call center Cláudia Fernandes fugir do trabalho para comprar um celular novo. 

Pique, disposição para comprar muito e disputa por produtos movimentaram o varejo na sexta-feira
(Foto: Evandro Veiga)

“O pessoal estava se estapeando aqui fora. Só consegui entrar porque dei logo um empurrão no gerente”, contou. No meio de uma fila quilométrica que se formou na Casas Bahia do Shopping Iguatemi, ela previa uma bronca do chefe, mas pelo desconto que conseguiu valia a pena. “Vi ele [celular] antes por R$ 699 e estou levando por R$ 499. É R$ 200 a menos, minha irmã”, comemorou. “Queria levar o ferro de R$ 9,99 também, mas esse aí a briga foi feia. Não consegui pegar”, completou. 

Sexta-feira, shopping cheio e dinheiro no bolso levaram o técnico de instalação de antenas Eugênio Santos a gastar todo  o dinheiro que recebeu de uma indenização em móveis e eletrodomésticos. Comprou  ar-condicionado, televisão, geladeira, máquina de lavar roupa, sofá e mesa. “Estou comprando desde ontem na maior alegria. Esta é uma época que a gente se programa justamente para gastar e o dinheiro que recebi veio na hora certa”. Pagou tudo à vista e ainda sobrou troco. “Gastei um pouco mais da metade que previa. Para quem compra muitos produtos, você sente a diferença no desconto”. 

Retorno positivo
De acordo com a gerente de Marketing do Iguatemi, Izabel Ciacci, a movimentação superou as expectativas. “A população aderiu à campanha, mesmo com a divulgação rápida que fizemos.  Com certeza, vamos repetir a ação nos próximos anos”. Cerca de 50% das lojas participaram do dia de promoções e descontos. “Foi uma ação realmente muito acertada. Período certo, momento certo. O varejo precisava desse incentivo”.

A Perini também aderiu à Black Friday. Foram colocadas à venda 3,9 mil coxinhas, que normalmente custam R$ 7,50 a unidade, mas que saíam por R$ 3. A dona de casa Rosane Soares parou para o lanche e aprovou o preço. “Depois de tanto tempo rodando, a gente tinha que parar para um lanchinho. O preço da coxinha está ótimo. Poderia ter Black Friday todos os dias”. 

Para o gerente da unidade, Reginaldo Aguiar, o carro- chefe - queridinho na hora do lanche - foi a aposta da Perini para se inserir também no clima de Black Friday: “É a primeira vez que nós participamos e vendemos  a coxinha por um preço tão barato. Aqui o desconto foi maior que 50%”. 

Enquanto muita gente gastava, teve quem preferisse fazer um dinheiro extra, como o motorista Denilson Ramos que em menos de uma hora  de  serviços fechou três carretos. “Só não fiz mais viagem ainda por causa do trânsito”, garantiu. A viagem custava entre R$ 30 e  R$ 60, dependendo do local de entrega. “A gente está aqui para conversar e fazer negócio”. 

Boas compras
O advogado Rodrigo Brandão começou a encher o carrinho na madrugada de quinta para sexta-feira, quando iniciou todo  o “frisson” da Black Friday na internet. “Entrei exatamente à meia-noite. No início enfrentei alguns problemas no acesso, mas depois consegui comprar tranquilo”, contou. 

Na calada da noite, Brandão comprou dois HDs externos, máquina de café e liquidificador. Logo cedo, já estava no Iguatemi onde fechou a conta. “Consegui comprar um televisor  por R$ 150 reais a menos, e na geladeira tive um desconto de R$ 800”. Na soma das compras na loja física e na virtual gastou R$ 4.500. “O segredo para ganhar um bom desconto é fazer uma pesquisa anterior. Aí você já vai saber de fato onde pode encontrar ofertas mais baratas”.

A cabeleireira Roseane Bezerra garantiu o televisor dos sonhos em 10 vezes no cartão
(Foto: Mauro Akin Nasssor)

A cabeleireira Roseane Bezerra confessou que estava há um ano sonhando com um televisor de 50 polegadas na sala de sua casa. “Até que enfim consegui comprar. Adorei o preço. Que alegria poder levar minha televisão nova”, disse, orgulhosa. O aparelho, que custava R$ 1.790, saiu por R$ 1.399, dividido em dez suaves parcelas no cartão. “Eu estava fazendo os cálculos de gastar R$ 1.700 e esses R$ 300 a menos me deixaram feliz”. 

Mais uma dose
Não só o televisor, celular e  a geladeira foram motivos de concorrência na Black Friday. Por falar em ‘black’, foi o anúncio da marca de whisky, de R$ 130 por R$ 84, que atraiu a estudante  Luciana Matos, que acabou comprando 15  garrafas de Black Label no Extra Paralela, já pensando na festa da sua formatura em Medicina que acontece no mês de fevereiro. “O preço estava muito em conta, por isso acabei adiantando logo a compra”. 

Festa de arromba: Luciana Matos comprou 15 garrafas de whisky para a sua formatura 
(Foto: Mauro Akin Nassor)

De acordo com um vendedor da loja,  que não quis se identificar,  a procura maior foi por televisor e whisky mesmo: “Tem sabão em pó dando outra caixa de graça e ninguém está nem aí. Quando montamos o mostruário de whisky, que deu tanto trabalho para arrumar, em questão de segundos não tinha mais nada”. Foram postas à venda 480 caixas de whisky da marca Chivas, que custa, em média, R$ 130 por R$ 69. Logo na primeira hora, após a loja ser aberta, 450 caixas já haviam sido comercializadas, segundo o chefe da seção de mercearia e bebidas, Fernando Dias. “A procura por bebidas surpreendeu a gente”. Ainda entre os mais procurados tinha o whisky Red Label, de R$ 84 por R$ 59. “Nosso pedido chegou a 5 mil caixas e esse preço é só até hoje [ontem] mesmo”. 

Com todo esse calor, o vendedor  Diógenes Barreto saiu de casa disposto a comprar um ar-condicionado. Quando chegou ao Extra pegou o último televisor de 51 polegadas. “Joguei o ar-condicionado para dezembro, liguei para a mulher agora e ela autorizou a troca, né?”. 

O marceneiro Wilson Lago confessa que foi ao Extra para comprar pneu, mas de repente viu a confusão em torno de um televisor. “Aí entrei no meio e peguei uma. Não resisti ao preço de R$ 1.300 para uma  de 51 polegadas”. Certo que já estava com tudo ali no carrinho, no caminho até o caixa o preço do Red Label chamou logo a atenção: “Aí vi o Red com um precinho também... Caí na tentação”. Na hora de pagar, o décimo terceiro não entrou na jogada. “Tô empurrando um carrinho de dívidas, vai ser tudo pago no cartão de crédito. E eu vou aproveitar e levar esse franguinho, que também está barato”, afirmou, bem-humorado. 

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