Boxeador iraniano é condenado à morte por participar de protestos

esportes
18.01.2022, 20:43:00
Mohammad Javad, de 26 anos, foi condenado à morte no Irã (Reprodução)

Boxeador iraniano é condenado à morte por participar de protestos

Situação envolvendo Mohammad Javad Vafaei-Sani, de 26 anos, lembra caso do lutador Navid Afkari, executado apesar de mobilização internacional

O boxeador Mohammad Javad Vafaei-Sani, de 26 anos, foi condenado à morte no Irã por participar de protestos contra o governo local, em novembro de 2019. O lutador é o segundo atleta do país a receber a sentença, em pouco mais de um ano. As informações são da Organização de Direitos Humanos do Irã (Iran Human Rights).

Em setembro de 2020, o campeão de luta livre Navid Afkari foi executado por enforcamento aos 27 anos, mesmo com toda a pressão global pedindo a anulação da condenação. Ele foi acusado de ter comandado um grupo contra o regime iraniano, matado um segurança e participado de forma ativa de manifestações. 

Já Mohammad Javad, que é campeão de boxe no Irã, foi preso em fevereiro de 2020, por supostamente incendiar e destruir um prédio.

Após o lutador receber a sentença, vários internautas se mobilizaram e criaram uma campanha para tentar salvar a vida do atleta, com a hashtag #SaveMohammadJavad (Salvem Mohammad Javad). A jornalista e ativista iraniana Masih Alinejad, que é bastante popular no país, fez um apelo em sua conta oficial do Twitter.

"Sentença de morte para outro atleta no Irã pelo crime de protestar. Mohammad Javad, 26, é campeão de boxe. Eles o condenaram à morte por ‘espalhar a corrupção na Terra’. Não conseguimos salvar o lutador iraniano Navid Afkari. Atletas globais podem nos ajudar desta vez", escreveu.

"Antes de ser executado, Navid Afkari disse: ‘A República Islâmica está procurando um pescoço para amarrar um laço’. Desta vez, Mohammad Javad Vafaei está enfrentando a execução pelo crime de se juntar a protestos em todo o Irã. Nós, iranianos, pedimos aos atletas globais que sejam sua voz", completou.

Advogado do atleta, Babak Paknia confirmou no Twitter a condenação, e anunciou que vai recorrer ao Supremo Tribunal. 

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