Camisa de Vênus volta à estrada com vocalista no lugar de Marcelo Nova

entretenimento
27.01.2010, 09:49:52

Camisa de Vênus volta à estrada com vocalista no lugar de Marcelo Nova

Confira entrevista com a banda e com o novo integrante do grupo, o jornalista Eduardo Scott

Quem é fã do Camisa de Vênus já conhece essa história: “o Camisa voltou!” Foi assim em 1995, quando a banda se reuniu para gravar o álbum ao vivo Plugado e, no ano seguinte, o de estúdio Quem é você?. Em 2004, o reencontro aconteceu no Festival de Verão e gerou um DVD. Sexta-feira, no Cais Dourado, às 21h, a histórica banda de rock baiana dos anos 80 inicia mais uma etapa em sua trajetória e apresenta uma grande novidade: a ausência do carismático Marcelo Nova.

O cantor, que mora em São Paulo e cuidada carreira solo,dá lugar a Eduardo Scott. A apresentação promete não ser mais um encontro pontual e, sim,o início de uma turnê planejada para rodar o país ao lado dos Raimundos, agora com Tico Santa Cruz (Detonautas) no vocal, numa participação especial. A turnê conjunta já tem shows agendados em São Paulo (março) e Porto Alegre (abril). 

               Confira videoclipes com sucessos da Camisa de Vênus

No repertório dos shows, o Camisa interpretará 25 sucessos: Controle total, Beth morreu, Joana d’Arc, Sílvia, Simca Chambord e Só o fim, entre eles. Por telefone, Marcelo Nova disse que a ideia inicial de Robério Santana era contar com a formação original na turnê, mas não foi possível. Sobre o retorno do Camisa, ele demonstrou irritação: “Eu não acho nada, porque não tenho que achar nada. Torço e desejo boa sorte”.


 Scott, Gustavo, Louis (baterista convidado), Robério
e Karl:  a nova formação do Camisa de Vênus

A seguir, leia entrevista com Scott (voz, 49 anos), Robério Santana (baixo, 49), Karl Hummel (guitarra, 50), Gustavo Mullen (guitarra, 57) e Louis (baterista convidado, 34), realizada no estúdio onde o Camisa de Vênus ensaia desde novembro, no Rio Vermelho.

Por que o Camisa de Vênus voltou, mais uma vez, à ativa?
Robério - Porque sempre houve essa necessidade de a gente estar no palco. Eu gosto da atividade de subir ao palco e soltar o pau comum a banda de rock e o Camisade Vênus sempre foi meu background para isso.

Vocês não acham que algumas pessoas podem considerar essa turnê como caça-níquel, oportunista?
Robério - De jeito nenhum. Porque já fizemos isso algumas vezes, já tentamos alguns retornos e eles não foram bem-sucedidos na parte empresarial da coisa. Karl - A gente tem que parar com essa coisa de que, porque a pessoa envelhece, a gente deixa de gostar de fazer o que a gente sempre gostou. Enquanto eu estiver vivo, chutando, cuspindo, eu vou fazer isso. Não tem que ficar ligando muito para opinião dos outros, não.

Robério - Caça-níquel é quando você tem um ou dois sucessos de 20 ou 30 anos atrás e resolve relançar esses dois sucessos. Na verdade, o Camisa de Vênus só teve sucesso até hoje.

Scott, existe um peso em substituir Marcelo Nova?
Scott - Não, eu sou bem mais leve que ele. (risos) Eu sei da responsabilidade que é, mas sei também do meu potencial. Nós tínhamos uma interação desde a década de 80, tanto que eu montei o Gonorreia por causado Camisa. E fizemos algumas apresentações juntos. Quando Robério quis fazer esse revival, eu me senti super à vontade pra cantar.

Você está preparado para uma eventual resistência dos fãs?
Scott - Sim, claro. Isso é normal no mundo inteiro. Quando o Queen resolveu voltar e botar o Paul Rodgers, teve isso. O próprio Frejat falou comigo que, quando o Cazuza saiu, foi a maior briga dentro do Barão Vermelho pra saber quem ia cantar. Fizeram uma audição e viram que a voz que poderia substituir Cazuza era a dele. E ele falou que tinha esse receio de as pessoas não aceitarem, mas fez.

Robério - E outra coisa que o fã precisa saber é que o Scott tem a personalidade dele no palco, que também combina com o Camisa. Ele não vai procurar ser o Marcelo Nova, nem a gente quer um segundo Marcelo Nova, ou ninguém imitando ele.

Existiu algum problema pelo fato de vocês usarem o nome Camisa sem Marcelo?
Robério - Primeiro, ele não tinha o que aceitar. Independente de qualquer coisa, Marcelo é meu amigo. Então, não tem nenhuma confusão. Eu não estava pedindo uma permissão para o que eu estava indo fazer. Porque ele tem o trabalho dele e não precisa da minha permissão para fazer.


Scott possui uma versátil trajetória ligada à música

Vocês acham que o Camisa tem o reconhecimento que merece na música brasileira?
Robério Não, não acho. Porque o Camisa de Vênus já fez muito pelo rock no Brasil. Na verdade, esse reconhecimento é uma coisa abstrata. Até porque a gente sempre foi na contramão da mídia, dos padrões normais de tudo o que era concebido até então.

Karl -  Eu acho que reconhecimento vem, velho, quando você tá em cima do palco.Com as pessoas que vão, que pagam, que vão curtir o show. Eu só penso em reconhecimento quando eu tô lá no palco, quando eu vejo as pessoas cantando, curtindo. O único reconhecimento que eu preciso é esse daí mesmo. voltar há vários anos, depois da saída do Rodolfo. Tentaram vários formatos para a banda.

Foi um para lá, dois para cá, e isso não depende da gente, nunca dependeu. Só que uma vez, conversando com Digão (guitarrista dos Raimundos), surgiu a ideia da gente tocar em São Paulo para ver como funciona essa dobradinha. E eu acho que vai funcionar bacana, porque o público do Raimundos e o do Camisa de Vênus é bem parecido.

Vocês estão preparados para cair na estrada novamente, com todos os problemas de convivência que costumam acontecer?
Robério
- Eu vivo com isso há 30 anos e acho que já nasci preparado para isso. Eu já sei das coceiras do Karl, das pulgas do Gustavo, não são mais novidades. (risos)

Karl - O Louis - baterista convidado - que é o mais novinho é bem capaz de estar preocupado com isso. (risos)

Scott foi cantor de punk e assessor de Ivete Sangalo
O jornalista Eduardo Scott, 49 anos, tem um currículo, no mínimo, heterogêneo. Nos anos 80, inspirado pelo surgimento do Camisa de Vênus, formou no bairro do Stiep o grupo de punk rock Gonorreia. Com letras bem humoradas e muita atitude, a banda era figurinha fácil na cena baiana, mas nunca alcançou o sucesso nacional.

Depois disso, Scott passou 13 anos trabalhando em gravadoras, onde fez amizade com nomes importantes do rock brasileiro, como Roberto Frejat, do Barão Vermelho. Sempre ligado à música, o vocalista passou a exercer a função que talvez tenha lhe rendido mais notoriedade, pelo menos entre os profissionais de comunicação: foi assessor de imprensa de Ivete Sangalo por nove anos.

“Mais punk que isso é impossível, certinho é o cara que trabalha com o que gosta. Foi com o dinheiro do axé que eu consegui gravar meu disco”, afirma, fazendo referência ao CD 8205, lançado pelo Gonorreia em 2007. Entre as 25 músicas que o Camisa irá tocar no show dessa sexta-feira, duas são da extinta banda de Scott.: Satânico o telúrico e Coma lixo pra morrer banguelo.

Camisa de Vênus chutou o balde nos anos 80
Em 1980, Marcelo Nova (vocal), Gustavo Mullen (guitarra), Robério Santana (baixo), Karl Hummel (guitarra) e Aldo Machado (bateria) montaram, em Salvador, uma das bandas mais bem-sucedidas da década que se iniciava. Polêmica a partir do nome, então considerado indecente, o grupo chocou a sociedade baiana e, posteriormente, conquistou o Brasil com seu punk rock cru e de letras ácidas.

O primeiro hit já mostrava a disposição dos caras para criar polêmica: Beth morreu narrava a história do estupro e assassinato da menina mais desejada da escola. Depois desse, vieram outros sucessos e um contrato com a gravadora Warner. Além das canções, o Camisa de Vênus também cunhou o seu próprio bordão.

Fosse no Rio Grande do Sul ou em Sergipe, a banda sempre era recebida com um sonoro “bota pra fuder!” por parte dos fãs. Depois de quatro álbuns de estúdio e um ao vivo, o grupo se separou pela primeira vez em 1987, com a saída de Marcelo Nova.

(Notícia publicada na edição impressa de 27/01/2010 do CORREIO)

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