Cantor mineiro brilha em álbum que inclui versão suave de Me Adora, de Pitty

hagamenon brito
01.11.2017, 06:05:00
Atualizado: 01.11.2017, 13:28:01

Cantor mineiro brilha em álbum que inclui versão suave de Me Adora, de Pitty

Por Hagamenon Brito

Mineiro radicado em São Paulo desde 2015, depois de viver oito anos no Rio de Janeiro, o cantor e compositor César Lacerda, 30 anos, se considera um “caetanista” em influência estética musical, incluindo a admiração por João Gilberto que ele traz naturalmente no seu canto doce, em afinidade com as  lições que o tropicalista aprendeu - e ampliou em repertório - com o mestre de Juazeiro. 

artista
O cantor e compositor César Lacerda, 30 anos, lança o álbum Tudo Tudo Tudo Tudo (Foto/Divulgação)

Essa referência que alimenta a personalidade própria de César, bem como uma ambição artística de dialogar com o grande público para além do universo indie, é um dos muitos encantos do seu quarto e ótimo álbum, Tudo Tudo Tudo Tudo (YB Music/Circus), trabalho produzido por Elisio Freitas e dirigido artisticamente por Marcus Preto (Gal Costa, Mallu Magalhães).

“Eu e Marcus viemos elaborando a ideia desse disco desde 2015. Queríamos canções bonitas e com letras diretas. Compus 30 músicas pensando assim”, conta o artista, também um multi-instrumentista que toca violões de aço e de náilon, piano, flauta e glockenspiel (instrumento idiofone percussivo) no álbum. 

Oito músicas desse baú compõem o repertório de Tudu Tudo Tudo Tudo, mais uma feita em parceria com Romulo Fróes (com quem ele lançou o ótimo álbum O Meu Nome É Qualquer Um, em 2016) e a regravação de Me Adora, de Pitty.

O grande hit rock’n’roll da cantora baiana, de 2009, vira uma canção suave entre a bossa e “uma milonga de Jorge Drexler”, com a interpretação dando um novo sentido ao próprio modo da pronúncia da palavra  “foda”. Pitty, inclusive, escreveu para César Lacerda elogiando a versão.

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Diversificado, o álbum vai da balada (Por Que Você Mora Assim Tão Longe?) ao folk (Quando Alguém, com participação de Maria Gadú), passando pelo samba-canção (Percebi seus Olhos em Mim), soul funk (a homoerótica O Homem Nu), blues (Fim da Linha), pop country (Sei Lá, Mil Coisas) e o samba do  Recôncavo Baiano (O Marrom da sua Cor), tudo com elegância.

Nas letras, o afetivo César Lacerda move-se entre o pessoal  e o universal, de reflexões sobre os 30 anos à finitude que paira sobre tudo. “Vou te contar/ que tudo, um dia, vai passar/ essa falta de dinheiro, essa crise, esse governo/ esse grito preso de que tudo mais vá pro inferno/ o temor disso durar por muito tempo, ser eterno/ eu te digo: tudo acaba! tudo tudo tudo tudo/ah! isso também vai passar!/ essa canção/ isso também vai passar! nós dois”, canta em Isso Também Vai Passar.

Em um belo texto sobre o álbum, o escritor português Valter Hugo Mãe diz: “César Lacerda é um arma contra toda a atrocidade. Sua candura não é inocente, é sábia. Ele deita por sobre nós inteligência profunda: afeto e esperança”.  Verdade, pois. Veja o videoclipe de Me Adora


O escritor português Valter Hugo Mãe fala sobre César Lacerda

"Eu sei que sua realidade é toda difícil, cheia de batalha e adiamento, mas acredito de verdade que se um dia o Brasil dominar o mundo vai ser por beleza e doçura. Nenhuma outra cultura sabe depurar suavidade como a cultura brasileira. Esse “homem cordial” tem muito de mito, mas o mito é um destino social. Um futuro sempre acenando, como um diapasão procurando afinar corações, afinando gestos.

César Lacerda é uma arma contra toda a atrocidade. Sua candura não é inocente, é sábia. Ele deita por sobre nós inteligência profunda: afeto e esperança. Se soubermos isto, afeto e esperança, seremos cultos porque seremos gente. Eu disse que dava vontade de beijar o vidro do telefone, escutei o disco no telefone como se o César ligasse só para mim. E não tive como me segurar.

Este disco é intimidade para todos, para cada um. Lindo de pular de uma alegria calma, grata. Aos beijos no ar, para espalhar. Para beijar sem olhar a quem. Isso é o meu sonho de Brasil. Feito de tanta batalha e adiamento, a impressão que perdura é a de que há um afeto nos comovendo pelo ar. Desce sobre nós como chuva de boca e beijo" - Valter Hugo Mãe

Bossa Revista e Ampliada

livroi

Parente mais descontraído do clássico Chega de Saudade (1990), de Ruy Castro, o livro A Onda Que Se Ergueu no Mar (2001) ganha uma segunda edição revista e ampliada (Cia das Letras/392 págs./R$ 59,90). Agora, a volta - mais íntima e pessoal - do autor ao universo de Tom Jobim e João Gilberto vem com cinco textos-bônus. Um deles revelando os ásperos bastidores da gravação do álbum Getz/Gilberto (64), e outro sobre Wilson Simonal.
 

UCI Orient Barra exibe filme-show do Pearl Jam
erça (7/11), às 20h, 19 cinemas do Brasil exibirão o filme-show Pearl Jam Let’s Play Two, gravado no estádio do Chicago Cubs, em 2016. Liderado pelo grande vocalista Eddie Vedder, o Pearl Jam é um dos gigantes do rock. Em Salvador, a exibição será no UCI Orient Barra e os ingressos já estão à venda: R$ 40/R$ 20. Veja o trailer do filme.