Cantora Pitty se prepara para lançar terceiro CD e cair na estrada

entretenimento
05.08.2009, 08:40:08

Cantora Pitty se prepara para lançar terceiro CD e cair na estrada

Chiaroscuro, mais sonoramente equilibrado, chega às lojas no dia 11

Os fãs estão em contagem regressiva: chega às lojas, no dia 11, Chiaroscuro, o novo álbum de Pitty e um dos lançamentos mais aguardados do semestre. Considerada a cantora mais representativa para o rock nacional da atualidade, a baiana deve surpreender fãs (e agregar novos admiradores), com um disco mais sonoramente equilibrado, fruto do amadurecimento natural que os anos sabiamente proporcionaram.

Mas que fique claro que o som de Pitty não perdeu o peso e o vigor quase adolescente. Eles apenas se manifestam de formas diferentes.“O conceito de peso e leveza tem modificado muito com o passar do tempo para mim. Hoje em dia, a meu ver, o pesado é o denso”, explica ela, que concedeu a entrevista por telefone, de sua casa em São Paulo.

De fato, pode-se dizer que Chiaroscuro é o trabalho mais denso da roqueira, com letras bem elaboradas e uma maior variedade de estilos (vai do hardcore ao tango). E, apesar do discurso rebelde e contundente, sua marca registrada, Pitty mostra uma face mais doce e tranquila, traduzindo o conceito chiaroscuro (o claro e o escuro) não apenas em um produto, mas no momento atual de sua vida - “consequência do tempo”, diz.


Pitty é a cantora com mais representatividade para o rock

Ela confirma a diferença de comportamento e de atitude deste para os dois álbuns anteriores (Admirável chip novo, de 2003, e Anacrônico, de 2005): “No primeiro, eu ainda não tinha tido uma experiência profissional, não conhecia direito a minha voz, que tipo de sonoridade eu queria. No segundo, já sabia mais ou menos o que buscava e, nesse terceiro, houve um aprofundamento dessa busca”, admite.

Pitty acredita que a música seja uma válvula de escape e de vazão de ideias. Dessa forma (e como de costume), as letras são pessoais, dando mais pistas do seua madurecimento como artista e como pessoa. A exposição dos sentimentos e sensações, no entanto, não incomoda a cantora: “Você não pode ter receio quando escreve. Escrever é isso, é colocar pra fora os sentimentos, é um modo de confessar certas coisas”, diz a fã de Clarice Lispector e leitora voraz. “Leio compulsivamente. Chego a até dois livros por semana, a depender do meu tempo livre. Sempre tenho um livro na bolsa”, conta. Não à toa, são muitas as citações a autores em suas músicas, o que, segundo ela, é uma forma de homenageá-los.

Durante o período de produção de Chiaroscuro, além dos livros, Pitty teve a companhia de CDs da banda TV on the Radio, da (atriz e) cantora Scarlett Johansson, além do Queens of the Stone Age e de artistas da Motown, “coisas com mais textura e clima”, que acabaram refletindo no resultado final do álbum.


Pitty com os parceiros de banda

MULHERZINHA
Aos 31 anos, Pitty parece estar, digamos, mais mulherzinha. “Com o tempo, você aprende que ser mulher e feminina não é ser fraca. Tô conseguindo me afirmar como mulher de uma forma mais legal, sem agressividade. A feminilidade é um exercício constante”, entrega. Isso se reflete também no seu estilo. O visual adolescente rebelde, com suas botas coturno, cabelão e maquiagem pesada, perdeu lugar para um lookclean, comum cabelo moderno e roupas variando entre vestidos românticos e shortinhos.

Ela admite que gosta de moda “sem exageros” e acredita que o jeito de se vestir é também uma forma de comunicação. Os modelos dos vestidos, na maioria das vezes, saem da cabeça da cantora, que os desenha e entrega para as amigas estilistas costurarem. Questionada se não tem interesse em lançar sua própria grife, afirma: “Minhas amigas vivem sugerindo isso, mas não viajo muito nesse lance, não. Mas, como a vida é longa, quem sabe, né?”, considera a baiana.

Pitty preserva a atitude rocker que a consagrou e, na música Desconstruindo Amélia, deixa evidente a sua veia feminista. A letra fala de uma mulher que, cansada de servir e ser submissa, “vira a mesa, assume o jogo, faz questão de se cuidar”. Namorando há três anos Daniel Weksler, baterista da NX Zero, será que ela não tem nem um pouquinho daquela Amélia de Mário Lago e Ataulfo Alves? “Em doses homeopáticas, no lance de cuidar da casa e do seu homem, posso até ter, é legal. Mas não conseguiria viver cuidando de casa, cozinhando todo dia...”, confessa ela, que divide seu apartamento com três gatos - Frida, Grace e Chaplin.

RETIRANTES
Morando há cinco anosemSão Paulo, Pitty está cercada de baianos. Desde os músicos (Joe, baixista; Martin, guitarrista; e Duda, baterista) até amigos que, assim como ela, foram tentar a carreira artística na capital paulista. “São os retirantes da seca cultural de Salvador”, define a cantora, que acaba não apenas convivendo com essas pessoas, mas convidando-as a trabalhar com ela.

O videomaker Ricardo Spencer, responsável por alguns dos seus clipes e, mais recentemente, do vídeo da música Me adora, é um exemplo disso. “Conheço Spencer desde que eu tinha 15 anos, quando eu nem sonhava em ser cantora”, conta e complementa: “Eu prefiro trabalhar com os meus, pois nada melhor do que estar com quem a gente ama, pessoas que já conhecemos e sabemos que são capazes”.

O pouco tempo livre a impede de vir a Salvador com mais frequência, mas Pitty diz que sempre que pode dá um pulinho na cidade natal, para “visitar os amigos, ir ao Pós tudo (restaurante do Rio Vermelho) e ver shows”. Na última vez em que veio à capital baiana, há pouco mais de um mês, ela fez as vezes de DJ numa festa alternativa.

“Não costumo discotecar, mas amei. Vou ver se faço isso mais vezes”. E sobre o rock baiano, o que tem ouvido? “Irmãos da Bailarina, Vivendo do Ócio e Retrofoguetes”.Quanto à turnê Chiaroscuro, que começa em setembro, os baianos vão ter que esperar mais um pouco. Ainda não foram confirmados shows por estas bandas.

(Notícia publicada na edição impressa do dia 05/08/09 do CORREIO)


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